Brasil

Em novo dia de caos climático, São Paulo e Rio contabilizam 24 mortos

As fortes chuvas que atingiram a região Sudeste do país na primeira semana de março deixaram vítimas, desaparecidos, desabrigados e deslizamentos nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Na Baixada Santista, no litoral paulista, a Defesa Civil do estado confirma ao menos 19 óbitos, 29 desaparecidos e cerca de 200 desabrigados. Já no Rio, onde os locais mais afetados estão na capital e na Baixada Fluminense, os números chegaram a cinco mortos e aproximadamente 5.000 desabrigados. Os transbordamentos, deslizamentos e mortes nas duas regiões repetem os destinos de Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo, Estados que sofreram com enchentes devido ao volume de chuva nos primeiros meses de 2020.

No caso do Rio de Janeiro, as chuvas provocaram enchentes desde sábado, dia 29 de fevereiro. A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros confirmaram quatro mortes até a segunda-feira, 2 de março: sendo um homem de 44 anos que se afogou no bairro de Acari, zona norte da capital, ao tentar salvar uma mãe e duas crianças ilhadas; um homem de 40 anos que estava em um imóvel atingido por um desabamento no bairro do Tanque, zona oeste do Rio de Janeiro; também na zona oeste, uma idosa de 75 anos que foi vítima de uma descarga elétrica no meio da enchente; e um idoso de 62 anos atingido por um desabamento na Estrada Feliciano Sodré, na cidade de Mesquita, na Baixada Fluminense.

Na manhã desta terça-feira, o corpo de uma quinta vítima foi localizado na cidade de Queimados, na Baixada Fluminense. O jovem de 21 anos estava desaparecido desde domingo e foi arrastado pela enxurrada. Também nesta terça, seis casas desabaram no bairro de Jardim América, na zona norte da capital fluminense, em uma região que é cortada pelo Rio Acari, que transbordou com o grande volume de água. Não há informações sobre feridos até agora, mas a Defesa Civil e Bombeiros falam em um número em torno de 5.000 desabrigados e 800 chamados de emergência na cidade, a maioria concentrada nos bairros da zona oeste do Rio. O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, culpou a população por jogar lixo nas encostas, bueiros e ruas em entrevista dada no fim de semana, em um dos locais atingidos pelos desabamentos. Ele também disse que “todas as encostas são perigosas, mas as pessoas gostam de morar ali perto porque gastam menos tubo para colocar cocô e xixi e ficarem livres daquilo”.

Na Baixada Santista, as cidades do Guarujá, São Vicente e Santos foram as mais afetadas nas chuvas que atingiram a Baixada Santista, região no litoral sul do estado de São Paulo, na manhã desta terça-feira. Até a manhã desta quarta-feira, a Defesa Civil paulista havia confirmado 19 mortes na região causadas pelas enchentes, a maioria (15) no Guarujá, onde estão também 22 pessoas desaparecidas e o prefeito Valter Suman declarou estado de emergência. Entre as vítimas, dois bombeiros que trabalhavam para resgatar duas pessoas no Morro dos Macacos, um dos locais mais afetados na cidade. Entre os desaparecidos, pelo menos 28 moravam em barracos da comunidade do Morro Vila Baiana.

A Defesa Civil confirmou três óbitos e cinco desaparecidos em Santos, onde os Bombeiros atenderam a 70 ocorrências de enchente. A rodovia Anchieta foi interditada na altura do quilômetro 45, e as rodovias Cônego Domênico Rangoni e Doutor Manoel Hipólito Rego, que permeiam todo o litoral paulista, tiveram ao menos seis quedas de barreiras ao longo do seus trechos. Em São Vicente, foram confirmados um óbito e dois desaparecidos. O prefeito da cidade, Pedro Gouvêa, decretou estado de calamidade. O governador de São Paulo, João Doria, prestou soliedariedade às vítimas das enchentes através das redes sociais e sobrevoou a região de helicóptero no início da tarde. “Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para salvar vidas e amparar as vítimas dessa triste tragédia”, reforçou o tucano.

As situações vividas no Rio de Janeiro e Baixada Santista se assemelham às de Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo, Estados que também foram atingidos por chuvas mais fortes do que o esperado e sofreram consequências durante o verão atual. Na capital mineira, o deslizamento de encostas e o transbordamento de rios e córregos desalojaram mais de 38.000 pessoas e resultaram em 53 mortos em cinco dias no fim do mês de janeiro, escancarando a falta de planejamento urbano e prevenção. No mesmo mês, cerca de 10.000 pessoas tiveram que deixar suas casas no Espírito Santo pelas enchentes. Em São Paulo, centenas de moradores ficaram desabrigados quando a maior chuva de fevereiro em 37 anos paralisou a capital com 132 pontos de alagamento no dia 10 de fevereiro. O Estado registrou quatro mortes na oportunidade, mas nenhuma na capital: foram três em Botucatu, uma em Marília e uma em São Bernardo.

Naquele 10 de fevereiro, São Paulo amanheceu debaixo d’água porque choveu na cidade metade do esperado para todo o mês de fevereiro durante três horas, na madrugada de domingo para segunda-feira. Os cálculos são parecidos no Rio: as regiões mais afetadas da capital registraram 155,3 mm de chuva, metade do esperado para todo o mês de março, em 24 horas. O volume foi ainda maior na Baixada Santista, onde Guarujá teve 282 mm e Santos teve 218 mm nas primeiras 12 horas desta terça-feira.

A previsão é de chuva moderada a forte em todo o litoral de São Paulo, o que engloba a Baixada Santista, até o fim da terça-feira. No Rio de Janeiro, o tempo também deve continuar instável, com chuvas fracas e moderadas durante tarde e noite.

 

Por – El País