Cultura Destaques Filmes Videos

ESPECIAL – O clássico “Sapatinhos Vermelhos” mistura balé e cinema – Por Humberto Oliveira

Sapatinhos vermelhos, um dos clássicos do cinema inglês, realizado em 1948 pelos cineastas Michael Powell e Emeric Pressburger, tem como fãs, grandes diretores como Martin Scorsese, Francis Ford Coppola e Steve Spielberg. Por essa plateia tão seleta fica a certeza que o longa realmente tem algo de especial.

Considerado o melhor filme de balé, Sapatinhos vermelhos conta a história de uma bailarina e um compositor contratados para criar um balé adaptado do conto de fadas homônimo, de Hans Andersen. O espetáculo é um grande sucesso, o casal de artistas se apaixonam, porém a dedicada bailarina fica dividida entre o amor ao balé e ao seu amado. O filme trata, em síntese, do quanto a arte é maior que a vida, valendo mesmo abdicar de um grande amor e morrer pela arte pura proporcionada pelo balé, neste caso, através da câmera de cinema.

Powell e Pressburger registram os obstáculos, o drama de ter de escolher entre a realidade e a fantasia, entre os palcos e a vida. O longa, filmado em vibrante tecnicolor, cativa o público ao levar seu olhar, não apenas ao mostrado no palco, mas nos acontecimentos antes do abrir das cortinas, da orquestra começar a tocar, dos bailarinos entrarem em cena sob as luzes e os olhos do público.

O balé Sapatinhos vermelhos é a história de uma garota devorada por uma ambição de ir a um baile com par de sapatos vermelhos. Ela consegue os sapatos, vai ao baile. No começo ela está muito feliz. No fim da noite ela fica cansada e quer para casa, mas os sapatos vermelhos não estão cansados. Eles nunca se cansam. Eles a fazem ir dançando pela rua, pelas montanhas e vales, por vales e florestas, noite e dia. O tempo passa. O amor passa. A vida passa. Mas os sapatos vermelhos dançam. Obviamente o final é trágico.

Os diretores apresentam os três personagens principais como indivíduos movidos pela obsessão. Eles se entregamos aos encantos da beleza artística como a garota do conto de Andersen, escravizada por um lindo par de sapatos vermelhos que a obriga a dançar até a exaustão. Julius, é o jovem compositor fica horas à espera da abertura das portas do teatro para se sentar na primeira fila. Victória, é a bailarina que se apresenta  num palco de segunda categoria em busca de um lugar sob os holofotes. Boris, o renomado diretor está no cume e pisa em todos a sua volta e só dá atenção aos que parecem dispostos a se sacrificar no altar da arte. De ângulos distintos, os três são devorados pela mesma paixão.

Sobre o filme Scorsese disse ser mais que Sétima Arte, uma síntese de todas as artes, realizando a ambição de se transformar em obra de arte total. Certamente, nossa amiga e professora de balé, Cléa Rocha, se teve a oportunidade de assistir a este belo filme, certamente chegou a mesma conclusão, afinal, o balé tem sido sua vida há mais de 25 anos. Se ainda não conhece, recomendo efusivamente que o assista. Vai se encantar, se emocionar, se apaixonar e claro, se identificar.

O longa, à época do lançamento na Inglaterra, foi chamado de lixo pelos próprios produtores. Eles ficaram chocados por um filme sobre balé também abordasse temas como ambição, sacrifício, amor frustrado e até morte. Uma cópia, levada aos Estados Unidos, onde chegou a ser exibida durante dois anos, garantiu não apenas o seu sucesso, mas seu lugar no panteão dos clássicos da história do cinema.

Dedicado à bailarina e professora Cléa Rocha e alunas do Grand Soute Studio.

Confira o trailer original: