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Eternamente Casablanca ao som da La Marseillaise e As Time Goes By – Por Humberto Oliveira

Em 2022 Casablanca completa 80 anos. Apesar da idade, de ter sido filmado em branco e preto, com atores há muito falecidos, o filme continua encantando espectadores e ainda considerado por muitos o mais romântico da história do cinema e um dos mais amados em todos os tempos. Eu, por exemplo, perdi as contas de quantas vezes assisti Casablanca e pretendo continuar a rever.

Até mesmo o espectador dos anos 2000 não terá dificuldade em se encantar pelo olhar apaixonado de Ingrid Bergman, ou admirar o humor ácido de Humphrey Bogart ou mesmo se emocionar ao ver a cena de “La Marseillaise”. É justamente o foco deste texto. A cena marca o ponto de virada na história.

Victor Laszlo (Paul Henreid) conversa com Rick Blaine (Humphrey Bogart) e de repente o grupo de oficiais alemães sob comando do major Strasser (Conrad Veidt) começa a cantar. Imediatamente Lazlo desce e caminha na direção da banda do Rick’s Café. Ele ordena que toque “La Marseillaise”. Os músicos olham para Rick, que da escada sinaliza com a cabeça que obedeçam. Laszlo canta e os franceses fazem coro.

Os nazistas tentam cantar mais alto, porém, são silenciados pelo grupo maior que canta com mais entusiasmo. O patriotismo da cena é evidente em cada rosto. No gestual de Victor Lazlo. No olhar de admiração de Ilsa Lund (Ingrid Bergman). Vencidos e frustrados pela manifestação de patriotismo encintada pela presença do líder da resistência, os alemães se calam e sentam. Ao final, todos cumprimentam Lazlo. Strasser não gosta nem um pouco e ordena ao capitão Renault (Claude Rains) feche o estabelecimento de Rick.

Na cena onde é cantada “La Marseillaise”, houve uma real comoção nos sets, já que muitos dos figurantes também tinham escapado da perseguição política e não conseguiram deixar de se emocionar. Inesquecível a participação da atriz francesa Madeleine Lebeau – a última do elenco a falecer aos 92 anos, lembrada principalmente pela cena em que chora, no momento em que o hino da França é entoado. Ao final, Lebeau grita emocionada – Viva a França.

Por esta cena e tantas outras, Casablanca é e continuará sendo uma das melhores histórias de amor e sacrifício já contadas no cinema. Sem esquecer a imortal “As Time Goes By”, de Herman Hupfeld, escrita em 1931, era citada na peça Everybody Comes to Ricky’s. Max Steiner, o compositor da trilha sonora do filme, queria, no entanto, retirar a música e substituí-la por uma composição original.

A substituição só não foi realizada por que Ingrid Bergman já havia cortado o cabelo bem curto para o filme Por Quem os Sinos Dobram? (1943), e não poderia, portanto, refazer as cenas. Para a nossa sorte, a canção não foi alterada e é considerada hoje uma das melhores músicas do cinema (segundo lugar em votação realizada pelo AFI).

Rick Blaine e Ilsa Lund sempre terão Paris. Nós sempre teremos Casablanca.