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Exterminadores de James Cameron lutam por um futuro no cinema – Por Humberto Oliveira

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O diretor de grandes sucessos do cinema como Avatar e Titanic, ou até mesmo a releitura de Alien, o oitavo passageiro, de Ridley Scott, ou o misto de ação e comédia True Lies, inscreveram o nome de James Cameron no panteão dos grandes cineastas de Hollywood, pelo menos que concerne à campeões de bilheteria e legítimos arrasa quarteirões, ele não teria o mais o que provar para ninguém, incluindo o seu público. É impossível citar Cameron e não lembrar o seu primeiro sucesso cinematográfico O Exterminador do Futuro (The Terminator, 1984), cujo sexto episódio estreou nesta quinta-feira, 31, nos cinemas locais.

Exterminador do Futuro: Destino Sombrio (Terminator: Dark Fate), dirigido por Tim Miller, produzido por James Cameron e David Ellison, é o sexta longa-metragem da franquia, mais uma vez estrelado por Arnold Schwarzenegger e Linda Hamilton, adaptando-se como trilogia direta dos filmes de 1984 e 1991 — desconsiderando os filmes subsequentes, incluindo a série de televisão The Sarah Connor Chronicles (2008–2009) incluindo-os como não canônicos.

25 anos depois dos eventos de O exterminador do futuro 2 – O julgamento final, um novo e um modificado exterminador (Gabriel Luna) de metal líquido é enviado do futuro pela Skynet para finalizar Dani Ramos (Natalia Reyes), um híbrido ciborgue humano (Mackenzie Davis), e suas amigas. Sarah Connor vem em seu auxílio, bem como o Exterminador (Arnold Schwarzenegger) original, para uma luta pelo futuro.

Empoderamento feminino. Simples assim. Além de Sarah Connor, o Exterminador do futuro – destino sombrio traz mais duas mulheres fortes – Grace, que para variar, vem do futuro para proteger alguém que vai se tornar uma liderança contra as máquinas. E, Daniela, a tal garota que é o novo alvo de um exterminador indestrutível, mas todos não são? Pelo menos até encarar o trio de mulheres.

Páreo duro, pois elas são as donas do filme desde a primeira cena. Fugir não é opção. Como os longas anteriores da franquia, a única novidade é a volta de James Cameron como produtor, a fórmula continua a mesma. Dois seres do futuro são enviados ao presente. Um para exterminar e outro para salvar.

Muita ação e efeitos especiais não são suficientes para colocar o número 6 na galeria junto com o primeiro e o número dois. Mais do mesmo.

O longa, como era de se esperar, é excepcional no quesito ação e efeitos especiais. A longa sequência inicial é de tirar o fôlego e tem todos os ingredientes dos filmes originais, ou seja, perseguição, mortes, mas não se vê sangue e muito menos o rosto das vítimas, tudo é impessoal, para não desviar a atenção do espectador. O foco são as três atrizes. De surpreendente, apenas a cena inicial e nada mais, pois tudo mais, ou é previsível ou reciclagem das produções anteriores.

Cameron entrega um filme empolgante, pelo menos nos 30 minutos iniciais. Os momentos, digamos dramáticos, mostram o quanto o diretor não está nem um pouco preocupado em profundidade, nem dos personagens e das situações limites. Tudo está a serviço da ação.

Tudo é tão requentado que nem mesmo algumas frases chaves da franquia de perdem pela falta de sentido e contexto. Sei que Exterminador do futuro não é Shakespeare, mas os roteiristas abusam dos clichês e frases de efeito. Emoção passa longe e não temos tempo ou motivo para nos identificar ou ter alguma empatia com qualquer um dos protagonistas.

O primeiro exterminador ninguém esquece. Afinal de contas foi com ele que Arnold Schwarzenegger alcançou a fama definitiva e se transformou em herói de filmes de ação dos anos 1990. Realizado no longínquo 1984, O exterminador do futuro, um longa de baixo orçamento, uma ficção científica tendo o iminente apocalipse das máquinas contra à humanidade, tendo, Schwarzenegger, um ator austríaco adepto do fisiculturismo e campeão como mister universo, como um cyborg enviado do futuro para eliminar uma tal Sarah Connor (Hamilton), uma simples garçonete destinada a parir o líder da resistência humana contra o poderio destruidor das máquinas, John Connor. Entra em cena o soldado Kyle Rise (Michael Biehn), que voluntariamente viaja ao passado para proteger Sarah do exterminador T-800.

O filme fez sucesso e uma sequência era inevitável, mas demorou seis anos para chegar às telas O exterminador do futuro, o julgamento final (1991), maior, mais robusto, com efeitos especiais de cair o queixo, para época, claro trazendo Schwarzenegger e Linda Hamilton de volta aos seus personagens, sendo que desta vez, o T-800, reprogramado por John Connor adulto, que o envia para protegê-lo ainda criança vivido pelo estreante Edward Furlong. Entra em cena Robert Patrick, como uma nova ameaça, um exterminador capaz de se transformar em tudo que toca e feito de metal líquido.

O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final, dirigido, escrito e produzido por James Cameron, até então, era o longa mais caro, mais ambicioso e mais bem-sucedido da história do cinema. T2 foi aclamado pela crítica especializada, sendo até hoje listado por críticos, espectadores e organizações especializadas, como um dos melhores filmes do gênero ficção científica e ação de todos os tempos. É também visto como uma das melhores sequências do cinema. Foi indicado a seis categorias na 64a. edição do Oscar, vencendo nas categorias de melhores efeitos especiais, maquiagem, edição de som e mixagem de som.

Exterminador 2 revolucionou ao exibir para o público, pela primeira vez, a captura de movimento natural em um personagem gerado pelo computador, sendo também o primeiro onde o personagem principal é Primeiro filme a custar mais de 100 milhões de dólares, tornou-se um fenômeno de bilheteria até o lançamento de Jurassic Park, em 1993. T2 tornou-se a terceira maior bilheteria da história até aquele momento e a maior arrecadação em todo o mundo em 1991.

O longa-metragem foi o primeiro daquela que seria a marca de James Cameron, a extravagância em escrever, produzir e dirigir filmes com grandes orçamentos, como pôde ser visto nos anos seguintes em Titanic e Avatar, que por muito tempo foram as duas maiores bilheterias da história do cinema. Atualmente estão em segundo e terceiro lugar respectivamente, atrás de Vingadores Ultimato. Assim como T1, T2 colocou Cameron no topo de Hollywood. O filme também elevou a carreira de Schwarzenegger, sendo o título de maior sucesso na carreira do ator.

As sequências de ação são de tirar o fôlego e garantiu um novo sucesso. Com o final que todos os fãs conhecem, tudo parecia terminado. Ledo engano. Com Cameron fora, os produtores resolveram produzir nada menos que mais três continuações, uma mais louca e sem sentido que a outra, porém, o público insaciável querendo sempre mais, foram realizados O exterminador do futuro 3, a rebelião das máquinas, depois Exterminador 4, a salvação, estrelado por Christian Bale, numa de suas piores interpretações. Para completar, veio Exterminador do futuro, Genesis, com a desculpa de homenagear o longa original transforma em colcha de retalhos o que já estava confuso e sem sentido. Emília Clarke, no auge do sucesso na série Guerra dos tronos, interpreta uma jovem Sarah Connor e Arnold, que ironia, é seu mentor e bichinho de estimação.

Feita toda essa salada, eis o surgimento do sexto filme, cujo diferencial é o retorno de James Cameron à frente da franquia, apenas como produtor e deixando a direção para o aclamado cineasta responsável pelo primeiro longa de Deadpool, Tim Miller.

A ideia é mais uma vez recomeçar, primeiro ignorando os três últimos filmes e construir uma nova franquia. Mesmo com Cameron a bordo, fica uma dúvida no ar, é mesmo necessário retomar uma história que todos sabemos não tem mais sentido? Que a destruição da humanidade pelas máquinas é questão de tempo e as intervenções de Sarah Connor e companhia serviram apenas para adiar o fim da raça humana?

Quando se trata de ganhar milhões de dólares, a resposta é sim.

O exterminador do futuro, destino sombrio, o subtítulo entrega de primeira o que aguarda as pessoas. James Cameron retoma, diga-se de passagem, à frente da franquia, para tentar colocar os exterminadores de volta nos trilhos, porém, como Zumbilândia 2 – Atire duas vezes, Exterminador do futuro, destino sombrio deixa a mesma certeza de algo que já deu certo.

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Mais sobre o autor

Almanaque | Humberto Oliveira

Almanaque | Humberto Oliveira

Humberto Oliveira nasceu em Fortaleza/Ceará, há 55 anos, mas há mais de 20 é rondoniense de coração. Jornalista formado pela Faro, mas um escrevinhador desde os 13, colecionador de filmes, livros e cds, cinéfilo desde os 5 anos de idade quando foi ao cinema pela primeira vez (o filme Branca de Neve e os 7 anões), no grandioso Cine São Luiz. Fã de Ruy Castro, Nelson Rodrigues, Woody Allen, Martin Scorsese,Nelson Pereira dos Santos, cinema noir e música brasileira. Apaixonado por cinema já ministrou cursos de roteiro e História do cinema. Participou de cinco edições do Fest Cine Amazônia, como assessor de imprensa, duas vezes na seleção de filmes, presidente de júri e jurado. Admirador e conhecedor do dramaturgo Nelson Rodrigues ministrou palestras sobre a vida e a obra deste genial autor. É casado, tem três filhos e escreve poemas em homenagem aos amigos e pessoas que admira. Seu filme predileto é O Poderoso Chefão (a trilogia). Ama filmes clássicos, mas não deixa de assistir a maioria das produções em cartaz. Também aprecia o teatro e um bom papo.

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