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Política e Cidadania

FALTOU PATENTE AO CAPITÃO – Por Edmilson da Silva

A crise entre o Bolsonaro e os militares escancarou de vez a suposta intenção do capitão em dar um auto golpe. O enredo já vinha sendo preparado a tempos e a maneira que o Presidente encontrou para dar azo a sua empreitada foi apostar no caos. A aposta no negacionismo e no afrontamento a ciência e as instituições pode ter sido alta demais, mas teve o propósito intencional de dividir ou aproveitar a já divisão ideológica para encorpar a sua legião de seguidores e fortalecer as suas trincheiras.
Tudo isso pode ser mera especulação. Mas todo movimento feito pelo Messias desde o início do seu Governo demonstra uma clara preocupação com a sua reeleição ou, se for o caso, a manutenção do poder a qualquer custo. Então, tudo aquilo que aparentemente dar a impressão de que é feito por desconhecimento, ignorância ou prepotência mesmo, parece ser meticulosamente planejado. Senão vejamos: O que justificaria o Presidente enviar ao STF uma petição solo, sem a assinatura do Advogado Geral da União, condição necessária para o recebimento do pedido? Então, um Chefe de Estado, cercado de assessores, não sabia que nessas condições a ação sequer seria recebida pelo STF? Foi o que Bolsonaro fez ao pedir a STF que tornasse sem efeito os decretos estaduais que estabelecessem normas de isolamento social.

É claro que o Presidente sabia que a ação seria rejeitada por erro formal, sem análise do mérito. Mas, sabe também, que a sua patrulha digital iria mais uma vez utilizar a sua rede de fake news para detonar o STF com a retórica de que o Presidente está só e os outros poderes não o deixam governar. Tem sido assim. Colocar o povo contra os outros poderes faz parte do plano.

Outro fato interessante diz respeito ao namoro do Bolsonaro com Trump. Ao invés de pensarmos numa ideia de submissão, de bajulação, porque não pensarmos na de prevenção, de troca de favores? Segundo alguns historiadores, em 1964 os militares brasileiros receberam um recado bem claro do então presidente americano Lindon Jhonson, em outras palavras: Não queremos o Goulart no poder. Façam o que for preciso. Se precisar, mandaremos os mariners para dar um apoio. Teria Bolsonaro pensado na hipótese de, em não reelegendo e não contando com o apoio da cúpula militar, contar com o apoio do Trump, se possível com a movimentação de tropas americanas em solo brasileiro? Vale lembrar que o EUA tem interesse crucial em controlar a política de Estado do Brasil, por considerar um risco o Protagonismo do Brasil na America latina. Como sabemos, nessa área, o EUA não admite concorrentes.

Porém, o Trump caiu, o Lula surgiu, e Jair Bolsonaro, pressionado, jogou a sua mais alta, e talvez, última cartada – convidar as forças Armadas para encampar o seu projeto. Há quem diga que as Forças Armadas não tem interesse numa ruptura. Será? A meu ver, dois fatores impedem o apoio ao intento do Bolsonaro. Um deles é o comportamento tresloucado e inconsequente do Presidente que já trouxe um desgaste para os militares por conta dos milicos que ocupam altos cargos no Governo. O segundo, penso eu, o principal, é a patente. Como Generais, Almirantes e Brigadeiros de alta patente aceitariam ser comandados por um Capitão expulso do exército por indisciplina? Até mesmo para quem não faz parte das fileiras militares, essa opção não parece razoável. Prevaleceu a Hierarquia.

Teria acontecido o mesmo se a proposta fosse do Mourão? Eis a questão.

Resta saber agora, qual será o próximo passo. Se quiser continuar no poder, o Bolsonaro tem que adequar o seu plano de voo. Provavelmente aposte, nestes últimos dois anos, no populismo, ou então na formação de uma milícia própria e proponha a já defendida por ele, guerra civil. Armar o povo, também faz parte do plano e ele não esconde isso.
Já para o povo, a melhor aposta continua sendo a Democracia. Vale então a frase atribuída á Winston Churchill, famoso político inglês: “A democracia é o pior dos regimes políticos, mas não há nenhum sistema melhor que ela”.

José Edmilson da Silva é Engenheiro Agrônomo, Bacharel em Direito, Professor e Servidor Público Federal

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