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Fundo falso do Governo Bolsonaro – Por Edmilson da Silva

O Governador do Maranhão falou essa semana a seguinte frase: “Bolsonaro busca a polêmica para disfarçar a incompetência.” Será? Uma pesquisa realizada pelo Centro de Pesquisas e Estudos de Direito Sanitário (CEPEDISA) da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP) e a Conectas Direitos Humanos, reuniu documentos, falas, medidas legais como Propostas de Leis, Decretos, Resoluções, Portarias, etc. e deduziu que todas as medidas adotadas pelo Governo Bolsonaro durante a pandemia foram estratégicas e não tem a ver com incompetência. Segundo os pesquisadores a intenção do governo seria acelerar o processo de contaminação, estimulando a população ir para as ruas e sabotando todas as medidas de isolamento social e assim atingir o mais rápido possível a chamada imunidade de rebanho permitindo, no menor tempo possível, o retorno da atividade econômica do País.

A ideia parece surreal. Mas quando olhamos para ações do Governo Bolsonaro e em especial o comportamento, especificamente, do Presidente, vemos que faz algum sentido, ou para ser mais correto, muito sentido.
A manipulação de informações institucionais para dar uma aparência palatável as ações de governo, no sentido de ter pra si a opinião publica é pratica bastante comum no meio político e em todos os governos. Mas no Governo Bolsonaro, a prática tem sido usada de forma abusiva. Aparentemente, no Governo tudo é falso. Até as ações positivas, louváveis, são colocadas em risco em função da propaganda enganosa que pode levar o contribuinte a perder a confiança no governo. Gosto de citar como exemplo o trabalho até agora muito bom do Ministro Tarcísio Freitas que adotou a estratégia, ao meu ver, extraordinária, de concluir obras inacabadas de Governos anteriores. Toda vez que uma obra dessas é concluída uma enxurrada de notícias e postagens eletrônicas se disseminam superdimensionando o resultado do trabalho ali empregado. Um desses casos trata do asfaltamento de aproximadamente 50 km da BR 163 que liga Cuiabá a Santarém, uma rodovia que nesse trecho tem um pouco mais de 1700 km, todos asfaltados. As mensagens enaltecendo essa obra passava a ideia que a estrada toda fora asfaltada no Governo Bolsonaro e ainda criticava os governos anteriores por não terem feito nada na estrada. Bafafá parecido foi feito com a transposição cuja participação do Governo Bolsonaro fica próximo de 6% do total da obra.
Para disseminar as informações institucionais o Governo tem usado muito pouco a Secretaria de Comunicação do Governo. A estratégia tem sido o uso das redes sociais com as lives do próprio Bolsonaro, o twiter e tiradas, pontuais e agressivas no famoso cercadinho do Palácio do Planalto. Para dar suporte extra oficial, uma gama de jornalistas, sites e outros veículos de comunicação alinhados com o governo, se empenham quase que diariamente a defender ou justificar os interesses e as ações governamentais.
Em meio a tudo isso parece que a principal função do Presidente é fazer fumaça e atrair a atenção da população para assuntos supérfluos tirando a atenção dos temas espinhosos e das medidas insalubres do Governo. Com diz o Ministro do Meio Ambiente: Deixar a boiada passar.
Esse comportamento gera incertezas e desconfiança acerca de quem e do que está realmente por trás da gestão Bolsonaro. Há quem diga que o Brasil vive uma espécie de parlamentarismo onde o Bolsonaro é apenas um figurante. Algumas coisas nos leva a pensar assim. Os Ministros com indicação política, ou vinculo com os militares parecem ter uma relação menos estável dentro do Governo. Quem não lembra quando o Pazuello anunciou a compra de 40 milhões de doses da Coronavac, e Bolsonaro desautorizou? No entanto, nas negociações para eleição dos Presidentes da Câmara e do Senado, Bolsonaro prometeu a criação de ministério ao Centrão, mas Paulo Guedes já garantiu que não criará um novo Ministério. Essa não foi a única vez em que Bolsonaro foi desmentido ou enfrentado pelo Paulo Guedes, que tem uma força muito grande dentro do Governo. Mas notícias de uma possível saída do Governo, nunca passaram de especulação. É uma espécie de Super Ministro. O Guedes foi uma escolha pessoal do Bolsonaro, anunciado ainda durante a campanha presidencial. Mas a impressão que passa é que o Bolsonaro é quem foi escolhido e que o Guedes seria uma condição imposta para atender a agenda do mercado financeiro dentro do Estado. Aliás, o Guedes tem se tornado cada dia mais discreto, trabalhando as reformas almejadas nos bastidores e colocando o Bolsonaro para dar a cara à tapa. Até explicações importantes como a que se refere aos preços dos combustíveis, que deveriam ser dadas pelo Guedes, quem aparece para explicar é o Bolsonaro, que ignora a política de preços do Governo, criada para atender o mercado e sugere que o preço alto dos combustíveis deve-se ao ICMS cobrado pelos Estados. Detalhe: o ICMS cobrado pelos Estados hoje é o mesmo de quando os preços dos combustíveis eram bem mais baixos. Essa proposta, pessoalmente, me parece mais uma cilada, tal como foi, por exemplo, a promessa de redução de preço das passagens aéreas com o fim da gratuidade da bagagem. É provável que em pouco tempo o Mercado, que não tem limites para sua ganância, absorva essa diferença e o preço volte a ficar caro novamente.
O fato é que, como se diz no Nordeste, tem caroço nesse angu e políticos, como Flávio Dino, sabem disso. Porém, como se trata de política, o ideal é jogar na cartilha do Próprio Governo e alimentar a ideia da incompetência do Bolsonaro. É mais fácil para convencer o povo. Já Ciro Gomes, exímio conhecedor das entre linhas, também trata o Bolsonaro como incompetente, mas vai além e alerta para a existência de um projeto criminoso contra o povo brasileiro. O Bolsonaro, por sua vez, aceita fazer o papel de Bobo da Corte colocando em risco o seu projeto pessoal de reeleição. Certamente, acredita que tem uma carta na manga que poderá mudar o jogo já nos acréscimos. A nós brasileiros, resta aguardar e ver o que ainda tem no fundo falso dessa mala. Tenho a particular impressão de que coisa boa não é.

José Edmilson da Silva é Engenheiro Agrônomo, Bacharel em Direito, Professor e Servidor Público Federal

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