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GESTÃO PÚBLICA SALVA O MUNDO – O OVO DA SERPENTE

“ Qual eclodiria, como sua espécie se tornaria travesso. E, portanto, pense nele como o ovo de uma serpente. E matá-lo na concha.” Shakespeare, Julius Caesar.
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Noutro dia fui a um julgamento no Tribunal de Contas do Estado e durante os votos e decisão, um dos Conselheiros utilizou a expressão: “Eis o ovo da serpente! “. O caso era sobre os diversos problemas que advêm de um projeto básico e executivo mal feito, copia e cola, com erros crassos ou com ausência de outros projetos estruturantes e importantes para que a obra seja entregue com sucesso para a população.

Pois bem, fui atrás de saber mais sobre essa expressão forte e descobri que ela é dita pela primeira vez em uma obra do grande Shakespeare na peça intitulada: Julius Caesar. É em um verso dito por Brutus durante a trama no senado para assassinar à época o Ditador Julio Cesar. Ele foi morto no senado, por cerca de 60 pessoas (Casca, Tílio, Brutus etc), com 23 facadas. Uma apenas no peito foi letal.

Depois vi também que a frase é o nome de um filme estadunidense/alemão, dirigido por Ingmar Bergman, em Berlim dos anos 20, antecedendo o período da segunda guerra mundial. É um drama revelando o início do mal que assolaria a Alemanha com a loucura de Hitler, bem como a depressão econômica que grassava à época.

Tenho percebido que muitos, muitos problemas da licitação em uma execução de obra, a demora, os aditivos, a desnaturação do projeto original, com o consequente aumento dos valores, falhas grosseiras, paralisações da obra, processos apuratórios e punição estão nesse ovo da serpente, que se não for morto no ovo, nascerá aquela áspide que poderá lhe matar.

Assim, um projeto básico e executivo bem formado, com seus anexos revisados, estudados, demonstra o zelo e a probidade com a coisa pública. Os engenheiros e arquitetos responsáveis técnicos pela obra devem ter, inicialmente, uma coisa que no Direito se chama volição, ou seja, vontade.

Vontade de fazer o certo.

É sabido que muitas vezes eles são assoberbados com o volume de trabalho e cobranças ou há poucos engenheiros para cumprir o mister. Mas não podemos esquecer que a serpente está sendo gestada nesse momento e que pode vir a picar qualquer um que se meta nesse processo. É um mal para todos. Portanto, muito cuidado nessa hora!

Como mitigar o problema? Cursos, treinamentos, investimentos em pós graduação, mestrados e doutorados por parte da Administração ajudam bastante a não ter problemas futuros.

O erro, muitas vezes, vem no projeto inicial e em outras, durante a execução da obra. Deve, o gestor, mandar capacitar os técnicos, dividir as ações e monitorar a obra, a fim de que ela saia pronta a contento, para ser utilizada pela população e não acarretando, à frente, sua punição (do gestor).

Muito acertada a observação do senhor Conselheiro. Cuidemos desse ovo da serpente ou em breve ela nos picará. Erro na origem, erro na entrega.


Autor:George Braga, servidor da Justiça do Trabalho e ex-Secretário de Planejamento do Estado de Rondônia

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Mais sobre o autor

George Braga

George Braga

Nascido em Porto Velho em 1971, na maternidade Darcy Vargas, é casado com Mona lisa e pai de George Junior e Gabrielle Marie. Filho de Jorge Paulo e Dulce Braga, é servidor da Justiça do Trabalho há mais de 27 anos. Ocupou por mais de 7 anos a cadeira de Secretário de Planejamento do Estado de Rondônia. Escritor de alguns livros, é amante de Porto Velho, de Rondônia e da Amazônia.