Economia

Governo deve admitir que país não crescerá neste ano; projeção sai nesta sexta

Menos de dez dias após a revisão para o desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) deste ano para 2,1%, ocorrida em 11 de março, o governo deve reduzir para zero a projeção de crescimento da economia, por causa dos efeitos da pandemia de coronavírus.

A nova previsão será divulgada nesta sexta-feira (20) por meio do relatório de receitas e despesas do Orçamento de 2020. Na semana passada, o mercado estimou uma alta de 1,68% para o PIB deste ano, segundo pesquisa conduzida pelo Banco Central e divulgada na segunda-feira (dia 16).

O secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, afirmou, porém, que “várias projeções” de analistas já indicam um percentual entre zero e 0,5% para o PIB de 2020. O secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, disse à rádio CBN que a maioria das estimativas do mercado para o PIB caiu para zero. Ele disse acreditar que a do governo vai ficar próxima às do mercado, entre zero e 0,5%. Mas é a Secretaria de Política Econômica (SPE), sob comando de Adolfo Sachsida, a área responsável pela revisão.

Há risco de recessão global? Sim, segundo alguns bancos e consultorias. O JPMorgan Chase passou a prever, na quarta, um redução do PIB global de 1,1% em 2020, além de recessão para os Estados Unidos com queda de 1,5%. Caso esse cenário se confirme, será o pior resultado da economia mundial desde 2009, quando recuou foi de 1,7%.

O Wells Fargo, quarto maior banco americano, ainda projeta crescimento para a economia mundial, mas revisou seu número para 1%.

A consultoria brasileira MB Associados tem como estimativa uma alta de 1,7%. “Um PIB global abaixo de 3%, em geral, já é considerado recessivo. Inferior a 2,5% causa muita preocupação”, diz Sergio Vale, economista-chefe da MB.

Que dados recentes justificam essa análise de recessão? Os divulgados pela China referentes ao primeiro bimestre, mas muitos outros devem confirmar a previsão nas próxima semanas. A segunda maior economia do mundo informou que sua produção industrial caiu 13,5% primeiro bimestre na comparação com o mesmo período de 2019 (primeira retração em 30 anos) e que as vendas no varejo recuaram 20,5%.

(Com Estadão Conteúdo)

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