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Governo do México soube de vazamento de gasolina horas antes de explosão que deixou 89 mortos

O secretário de Segurança do México, Alfonso Durazo, confirmou que o Exército do país soube da existência de um vazamento de gasolina em um duto de Tlahuelilpan quase quatro horas e meia antes da explosão que deixou ao menos 89 mortos e 55 feridos. O acidente voltou a atenção para a estratégia do governo de impedir o roubo de combustível.Ladrões de combustível perfuraram o duto Tula-Tuxpan a alguns quilômetros de uma das principais refinarias do México na última sexta-feira. Em primeiro momento, as autoridades haviam dito que tiveram conhecimento da ação ilegal às 17h (horário local). Dois jornalistas do diário espanhol El País constataram, no dia seguinte à tragédia, que o primeiro grupo de militares detectou o vazamento por volta de 14h.A firma estatal de petróleo Pemex escolheu não fechar o duto de gasolina que vazava, após ser informada pelo Exército, por considerar o vazamento “mínimo”, explicou Durazo em entrevista coletiva.

Segundo a cronologia do incidente descrita neste domingo pelo ministro, a Secretaria de Defesa soube da ação ilegal às 14h30 de sexta-feira. Às 15h45, parte da população  se aglomerou para pegar combustível no local, e militares pediram a eles, sem sucesso, que se retirassem. Às 17h, chegaram policiais e, meia hora depois, reforços da secretaria, que insistiram nos apelos de saída. Às 18h52, os bombeiros de Tlahuelilpan receberam o informe de incêndio.

O general Luis Sandoval esclareceu posteriormente que inicialmente “saía muito pouco combustível”, que logo começou a jorrar a seis ou sete metros de altura. Os 25 militares que identificaram o vazamento ilegal foram os primeiros a tentar frear a população. Depois, chegaram 60 agentes de outros órgãos de segurança — número insuficiente para deter as pessoas que se acumulavam no local. As autoridades estimam que houvesse entre 600 e 800 pessoas perto do vazamento.O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, admitiu que deveriam ser melhorados e aperfeiçoados os protocolos de atuação do Exército, depois da explosão. Ao mesmo tempo, ele defendeu o papel da força pública.

— Fizeram o que tinham que fazer (…) Seria mais complicado se tivessem tentado impedir a multidão de fazer o que estava fazendo. Todo o meu apoio ao Exército — ressaltou o presidente.

Segundo o mandatário, a catástrofe ocorreu porque no município existia a crença de que o roubo de combustível não tem riscos, já que a população local estava familiarizada com a prática. O procurador-geral mexicano, Alejandro Gertz, reconheceu a dificuldade da investigação avançar dada a explosão de tamanha magnitude. “Só restou o terreno”, apontou ele. Entrevistas com sobreviventes e moradores serão determinantes.

O procurador apontou que a fricção da massa de gente em torno do potente vazamento de gasolina pode ter provocado a faísca que fez tudo explodir. Trata-se, porém, de uma das hipóteses do incidente. Gertz ressaltou que, até o momento, não foram encontradas armas entre os vizinhos e que a investigação se centrará “em perseguir quem causou a tragédia e não em vitimizar as comunidades”.

Segundo a empresa petroleira Pemex, houve 12,5 mil pontos de extração ilegal de gasolina no ano passado, semelhantes ao que explodiu em Tlahuelilpan. Municípios inteiros vivem da prática, que alimenta milhares de bocas na área rural do país. No lugar da tragédia, de 20 mil habitantes, seis em cada dez moradores são pobres, segundo dados oficiais, e no último ano foram encontrados outros dez furos no mesmo duto.

Um dado que chama a atenção é a juventude das vítimas: mais da metade das vítimas são jovens de entre 15 e 34 anos. Entre eles, há ainda um menino de 12 anos.

Fonte: O Globo, El País e Reuters

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