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História de superação motiva e mantém jovem de 16 anos firme nas disputas de Futsal durante o JOER

Um drible na quadra e um semblante de muito cansaço. Já era os minutos finais do segundo tempo, mas a estudante não deixava de mirar a bola e desejar o gol de empate. O coração aflito e o grito de “vamos!” chamou a atenção para a jovem estudante do segundo ano do ensino médio, Michele Costa da Silva, 16 anos, que em meio a tanta euforia e dedicação na quadra de futsal traz consigo uma história de superação que fez todos ao redor chorar.

Michele Costa e Silva chorou muito durante a entrevista quando relatou emocionada sua trajetória de vida

“O Joer é tudo pra mim. Cada vez mais eu gosto da escola, me incentiva a tirar notas boas para eu participar dos eventos. Eu quero representar a escola” disse a jovem resgatando em choro e na mente um história de vida.

Para ela, o time composto por 8 meninas, que moram na zona rural do Distrito de 5º BEC, distante cerca de 40Km da sede, Machadinho do Oeste é uma família que encontrou no ambiente escolar e dos jogos escolares de Rondônia. Elas fazem parte da Escola Valdomiro Francisco Oliveira.

NÃO É SÓ UM JOGO. É UMA HISTÓRIA

Michele Costa da Silva, 16, é exemplo para as outras jogadoras. Quase teve de parar de jogar futsal. Ao nascer tinha um sopro no coração e os médicos falaram que com o tempo ele sumiria. Mas aos quatro anos, novo exame foi realizado e ele continuava presente.

Mas os médicos afirmaram que poderia ter uma vida normal, fazer tudo o que fazia e nada iria atrapalhar, mas teria de seguir um tratamento. Com o passar do tempo, quando começou a jogar futebol sentia muito cansaço e falta de ar e novo exame foi feito.

Michele com a equipe de Handebol da escola

O diagnóstico médico não poderia ser pior para a jovem que sonhava em ser jogadora: teria de ficar sem jogar bola. “Fiquei 30 dias sem jogar” conta a menina em prantos. E um novo exame foi realizado e a mãe, que é religiosa fez promessa de que se o sopro fechasse ela faria o aniversário de 15 anos da filha agradecendo a Deus.

Além do desafio relacionado à saúde, Michele ainda enfrentou outra séria dificuldade, dessa vez, um acidente de carro, no qual a vizinha do sítio, que também estava no veículo morreu e ela exalta: “eu poderia não estar aqui e Deus me deu nova chance”, reconhece. Após este período, passou novamente no médico “e não deu nada” comemora.

A jovem atleta dá conselhos a suas amigas: “se você tem um sonho, não deixa ele pra trás. Se gosta de fazer, não deixe que as pessoas te impeçam, nunca deixe de fazer o que mais gosta porque isso aqui é minha vida, eu me sinto bem quando estou jogando. Posso ter vários problemas, mas quando entro naquela quadra me sinto a melhor pessoa do mundo, porque é o que amo fazer” comemora uma feliz Michele, por estar onde sonhou estar.

E ela também ressalta que o esporte a motiva a gostar mais da escola, a participar mais, tirar boas notas e a participar dos eventos. “Porque quero estar. Quase fiquei fora e agora posso representar a escola. Essas meninas são minha família, nos aproximamos a cada dia mais” concluiu Michele mais uma vez aos prantos. E a repórter, que não é de ferro, esconde o rosto, pois “caiu um cisco no olho”.

O PROFESSOR

Meninas se esforçam nas competições do Joer

O time de adolescentes do Futsal da Escola Valdomiro Francisco Oliveira, é treinado pelo educador físico, Pablo Alecrim Pusuman, que destaca o empenho das meninas em treinar duro para conseguir resultados.

“São meninas batalhadoras, sendo que das oito, seis vem das linhas, tem dificuldades para chegar devido as condições das estradas. Muitas vezes o ano letivo fica prejudicado devido ao transporte que não chega as linhas e temos ainda o problema da energia, pois Machadinho e região ainda é abastecida por motores” ressalta o professor.

Pablo treina em média duas vezes por semana com as meninas. “Se não houver problemas no transporte para elas chegarem à escola”, justifica. Mas ele destaca que é preciso aproveitar toda e qualquer oportunidade para treinar. “Se pensarmos somente nas adversidades, não fazemos mais nada e desistimos”, emenda.

O professor, que também treina equipes de badminton e handebol, diz que a escola oferece boa estrutura de treinos, tem quadra coberta e recursos materiais, mas concluiu pedindo mais investimentos no esporte escola para dar mais condições aos atletas.

A equipe acabou desclassificada na Macrorregional Norte em Ariquemes. Mas isso não desanima o professor e as meninas que continuarão seus treinos para as próximas batalhas nas quadras esportivas.

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Fonte
Geovani BernoAurimar LimaFotos: Fabio EliasSecom - Governo de Rondônia
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