Amazônia Brasil

Hospital referência em Covid-19 de Manaus atinge capacidade máxima operacional, diz governo

Amazonas já tem 981 casos de coronavírus e 50 mortes. Ainda existem leitos disponíveis, mas governo diz que faltam profissionais para atendimento. Pacientes devem ser remanejados para outras unidades.

 

O governo do Amazonas anunciou, na tarde desta sexta-feira (10), que o Hospital Delphina Aziz, referência em atendimento aos pacientes com coronavírus, atingiu a capacidade máxima operacional. Sem condição de operar por falta de profissionais, o governo diz atuar para novas contratações e assegura que “nenhum caso ficará sem assistência” na rede pública. Novos pacientes serão remanejados para outras unidades de Manaus.

O número de casos confirmados do novo coronavírus no Amazonas subiu para 981 nesta sexta-feira (10), em última atualização da Fundação de Vigilância em Saúde. O estado já tem 50 óbitos por Covid-19. Dos casos confirmados, 63 pessoas estavam em UTI na rede pública, nesta quinta-feira, segundo o governo.

Em informações repassadas, por volta de 12h desta sexta-feira, pela Secretaria de Comunicação do Estado, 60 leitos de UTI destinados ao tratamento de Covid-19 estão ocupados no hospital referência – com nove disponíveis. Horas depois, em novo boletim, o número de leitos ocupados na rede pública era de 45.

Apesar de leitos desocupados, o órgão afirma que não há equipe médica suficiente para realizar o atendimento. Há um trabalho para a contratação de profissionais por parte da chefia do hospital “que já avançou na contratação de técnicos e enfermeiros”, diz o governo.

Em comparação de números informados entre a quinta-feira e esta sexta, há a divergência de ocupação de menos três leitos no Delphina Aziz. A previsão de uma nova atualização é até o fim desta tarde.

Há uma semana, quando apenas 55% dos leitos de UTI do hospital referência estavam ocupados, o Governador Wilson Lima alertou para o risco de colapso na saúde.

“Dois hospitais da rede privada já nos comunicaram que já estão no seu limite, ou seja, não conseguem mais internar paciente com Covid, e cogitam transferir alguns pacientes para o Delphina Aziz. (…) Hoje estamos com 55% dos respiradores em uso, mas no ritmo em que as coisas caminham, há um risco de o sistema colapsar”, afirmou governador em um vídeo postado em redes sociais. À época do pronunciamento, o Amazonas tinha 260 casos confirmados do novo coronavírus e 12 mortes.

Remanejamento

Os pacientes que tiverem necessidade de atendimento e chegarem ao Delphina Aziz deverão ser remanejados pela Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam) para outras unidades de saúde da rede pública.

De sobreaviso ficam as chamadas “salas rosas”, instaladas nos pronto-socorros, em nove postos de Serviços de Pronto-Atendimento e duas Unidades de Pronto-atendimento da capital. Elas têm leitos clínicos e de estabilização com respiradores, caso o paciente necessite de intervenção enquanto aguarda a transferência para o hospital de referência.

Medidas

Em coletiva na tarde desta quinta-feira, o secretário executivo adjunto do Interior da Secretaria de Estado da Saúde (Susam), Cássio Roberto Espírito Santo, comentou a taxa de ocupação dos leitos. Ele afirma que o estado ainda trabalha dentro da sua capacidade.

“A ocupação deles é muito dinâmica. Existem pacientes que são removidos do interior e vão para outras unidades, existem pacientes que estão na UTI, têm melhora e vão para leito clínico, pacientes em leito clínico, há um agravo, e há necessidade de UTI. Hoje a gente tem leitos disponíveis que estão atendendo as demandas que são necessárias”, comenta o secretário.

Entre as medidas tomadas pelo governo está a adaptação de um hospital privado que foi alugado para funcionar como hospital de campanha. Lá, o governo pretende dispor de 400 leitos clínicos e estuda instalação de UTIs com equipamentos que já adquiriu por meio do Ministério da Saúde ou comprou.

Até o momento, já chegaram a Manaus 15 respiradores enviados pelo Ministério, na última sexta-feira (4), e mais 19 respiradores comprados pelo governo que chegaram à capital nesta semana.