Economia

Ibovespa cai para abaixo dos 70 mil com temores sobre coronavírus

Ibovespa, principal índice acionário brasileiro,  tinha fortes perdas no início da tarde desta quarta-feira em forte queda, arrebatadas por mais uma onda de pessimismo global quanto aos impactos econômicos da pandemia de coronavírus Covid-19.

Às 12h24, o Ibovespa recuava 9%, para 67.925 pontos, alarmando os investidores para a possibilidade de mais um circuit breaker ser acionado. Caso atinja 10% de queda, o mecanismo, que paralisa o pregão por 30 minutos para evitar a venda descontrolada de ações, será acionado pela sexta vez em duas semanas.

Em todo o mundo, apesar de diversas medidas de estímulo econômico anunciadas por governos e bancos centrais, as bolsas têm despencado por causa da incerteza sobre o tamanho da desaceleração que a pandemia vai causar.

“Há uma pressão muito forte nos mercados sobre a possibilidade de uma recessão do PIB (Produto Interno Bruto) global”, disse. Alvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital Modalmais. Para o economista, os mercados só vão voltar a reagir de forma positiva quando a curva de infectados por coronavírus começar a se estabilizar. “Quando a situação começar a melhorar na Europa, os mercados vão se acalmar.”

Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe da Levante Investimentos, definiu o cenário atual como “irracional”. “Nada explica subir 10% em um dia e cair 10% no outro”. Segundo ele, essa alta volatilidade deve permanecer, pelo menos, por 30 a 40 dias.

Em meio desde meados de fevereiro, quando o Ibovespa bateu sua máxima histórica em 119 mil pontos, o principal índice da bolsa acumula queda de mais de 40%. Victor Beyrutti, economista da Guide Investimentos, acredita que ainda há espaço para cair ainda mais. “Vai demorar um ou dois meses para começar a ver alguma melhora, mas não devemos ver o Ibovespa muito abaixo dos 65 mil pontos.”

Na Bolsa, as ações da Azul e da CVC voltavam a figurar entre as maiores baixas, recuando 30,1% e 23,5%, respectivamente. O setor de turismo e aviação é visto como o mais sensível aos avanços do coronavírus no Brasil, já que o risco de contágio reduz o fluxo de pessoas.

Já a maior queda da sessão era dos papéis da Via Varejo, das marcas Casas Bahia e Pontofrio, que despencavam 33%, sendo negociada por 4,71 reais. Em fevereiro, o ativo chegou a fechar cotado a 16,64 reais.

Na outra ponta, as ações da rede de supermercados Carrefour Brasil liderava as altas do Ibovespa, subindo 0,8%. Para Bevilacqua, no curto prazo, a empresa pode se beneficiar do cenário atual. “Está acontecendo algo surreal nos supermercados. As pessoas estão estocando alimentos.”

Fonte: EXAME