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Ibovespa despenca mais de 10% e Bolsa é suspensa

Guerra de preços de petróleo derruba mercados em todo o mundo e Bovespa aciona ‘circuit breaker’. Dólar começa semana em disparada superando 4,79 reais

A guerra de preços do petróleo derreteu as bolsas em todo o mundo. Às 10h31, o índice Ibovespa chegou a uma queda de 10% e a Bolsa acionou o circuit breaker, um mecanismo de segurança utilizado para interromper todas as operações da Bolsa de Valores do Brasil (B3), que foram suspensas a 88.178 pontos. A Bolsa ficará interrompida por 15 minutos. O Ibovespa fechou na sexta-feira em queda de 4,14%, a 97.996 pontos. O dólar começou a semana em disparada acentuada contra o real, chegando a superar 4,79 reais.

A última vez que a Bolsa acionou o circuit breaker foi em 18 de maio de 2017, em meio a crise da delação de Joesley Batista, dono da JBS, que revelou detalhes de corrupção envolvendo o então presidente Michel Temer. Havia quase 10 anos que não acontecia um evento assim na

Os preços do petróleo chegaram a cair mais de 30% nesta segunda-feira, o maior recuo diário desde a Guerra do Golfo, em 1991, após a Arábia Saudita ter sinalizado que elevará a produção para ganhar participação no mercado, que já está com sobreoferta devido aos efeitos do coronavírus sobre a demanda. Os sauditas cortaram seus preços oficiais de venda.

As atenções no pregão brasileiro estão voltadas principalmente para as ações da Petrobras, que já recuaram fortemente na sexta-feira, após a Rússia recusar aderir a cortes adicionais de oferta propostos pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para estabilizar os mercados da commodity.

Analistas do Bradesco BBI já cortaram a recomendação para os papéis da Petrobras para ‘neutra’, reduzindo o preço-alvo das preferenciais para 23,50 reais ante 38 reais, para incorporar “um cenário de preço do petróleo mais pessimista em nosso modelo após a enorme decepção com a última reunião da Opep e as repercussões anunciadas pela Arábia Saudita”.

O Goldman Sachs cortou sua previsão para os preços do petróleo Brent para o segundo e terceiro trimestres de 2020 para 30 dólares o barril, “com possíveis quedas de preços para níveis de estresse operacional e custos de caixa bem próximos de 20 dólares o barril”, conforme relatório a clientes ainda no domingo.

Bolsas no mundo

Nesta manhã, as bolsas em Londres perdiam 8,65%, enquanto Frankfurt baixava 7,39%; Madri 6,15%; o índice Stoxx 600 caía 6,09%; Paris 5,95%; o índice Euro Stoxx 50 descia 5,55% e Milão 2,01%.

A queda superior a 5% de Tóquio desta madrugada, o retrocesso de 4,2% de Hong Kong, a queda de 5% dos futuros norte-americanos e a suspensão da negociação neste mercado pelas medidas de confinamento adotadas em Itália e o medo de uma recessão influenciavam as quedas, que poderão ser as maiores num só dia desde o referendo do Brexit em 2016.

A queda da cotação do barril de petróleo Brent em cerca de 21%, até 35,95 dólares a esta hora, era um reflexo desta situação, no qual a dívida soberana com maior qualidade de crédito, como a alemã, registava um rendimento mínimo histórico em -0,83%, o mesmo que acontecia com a dívida americana, cuja rentabilidade descia 29 cêntimos, ficando no mínimo histórico de 0,47%. O preço da onça de ouro mantinha-se em níveis do encerramento de sexta-feira, em 1.676 dólares.

As grandes bolsas europeias perdem até cerca de 9% pouco depois da abertura como consequência das medidas adotadas para conter a epidemia de coronavírus e o seu impacto na economia, que poderá provocar uma recessão económica em alguns países, segundo especialistas consultados.

Dólar começa em alta

No Brasil, o dólar começou a semana em disparada acentuada contra o real, chegando a superar 4,79 reais na máxima em meio à onda de aversão a risco global, apesar das tentativas do Banco Central de frear a disparada recente da moeda norte-americana.

Às 9:13, o dólar avançava 3,33%, a 4,78 reais na venda, e chegou a tocar a máxima recorde de 4,79 logo após a abertura. Enquanto isso, o dólar futuro saltava 3,5%, a 4,79 reais.

O BC anunciou nesta segunda-feira leilão de venda de dólar à vista de até 3 bilhões de dólares, cancelando o anúncio de venda de até 1 bilhão feito na sexta-feira. Além disso, nesta segunda-feira, o diretor de política monetária da autarquia, Bruno Serra, indicou que as intervenções cambiais do Banco Central podem durar o tempo que for necessário e que não tem preconceito ou preferência por uso de nenhum dos instrumentos à sua disposição.

El País Com informações de Reuters e Efe