Impossível não se encantar por "Meia noite em Paris" - Por Humberto Oliveira | O Rondoniense %
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Impossível não se encantar por “Meia noite em Paris” – Por Humberto Oliveira

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Paris foi cenário de muitos filmes – Quando Paris alucina (1964), O último tango em Paris (1972), Antes do pôr-do-sol (2004), Piaf, um hino ao amor (2007), Moulin Rouge (2001) e até Casablanca (1942), mas em nenhuma produção a cidade luz foi tão mágica, maravilhosa e encantadora como ‘Meia noite em Paris’ (Midnight in Paris,2011), obra prima de Woody Allen. Mais que um filme, uma ode de amor a Paris. Na verdade, a Paris de Allen pode nem ser a real, mas é a dos apaixonados. O diretor acerta logo na abertura mostrando lindas cenas de Paris ao som de Sidney Bechet. Simplesmente irresistível e encantador. A Paris de Woody Allen, é linda de dia e aparentemente mágica após a meia noite.

O longa apresenta mais do que uma visão romantizada de Paris. Allen criou um ambiente em que tudo é bem aceito pelo espectador. Para isso utiliza-se de uma trilha sonora que une o jazz padrão dos filmes do cineasta com canções de lendas da música, com destaque para Cole Porter. Allen sempre foi um diretor chegado em referências à nomes da música, pintura, cinema, mas nunca tinha ido tão a fundo como nesta nova produção. Na verdade, ele vai tão longe numa ideia que chega perto de se perder, o que não acontece justamente por causa do ótimo roteiro e das atuações marcantes do elenco.

A lista de artistas famosos é interminável. Alison Pill e Tom Hiddleston (o Loki de Os Vingadores) interpretam o célebre casal Zelda e Scott Fitzgerald. Corey Stoll (o vilão Jaqueta Amarela da aventura da Marvel, Homem Formiga) dá vida ao escritor Ernest Hemingway. Kathy Bates (Oscar de melhor atriz por louca obsessão) é Gertrude Stein. O fotógrafo Man Ray (Tom Cordier), o escultor, artista gráfico e ceramista Pablo Picasso (Di Fonzo Bo), Salvador Dali (Adrian Brody, Oscar de melhor ator por O pianista) entre outros, também marcam presença no filme.

O argumento da produção foi desenvolvido para gerar uma discrepância entre as imagens da França e dos Estados Unidos e tudo no longa conspira para “jogar para cima” a imagem do país europeu. Um bom exemplo disso são os personagens de McAdams e Michael Sheen. A primeira interpreta Inez, noiva do protagonista, uma jovem superficial e tipicamente americana, que é menos interessante do que as personagens de Carla Bruni, Léa Seydoux e, principalmente, Marion Cotillard (absolutamente deslumbrante). Já Sheen interpreta o tipo pedante, pseudo conhecedor de arte, vinhos e tudo mais.

Como se já não bastasse todo o romantismo do estilo de vida e das paisagens parisienses, ‘Meia Noite em Paris’ reforça essa qualidade tão única em sua trilha sonora recheada de clássicos franceses e norte-americanos, como as composições de artistas como Cole Poter, Sidney Bechet e Josephine Baker, que interpretam canções de amolecer o coração.

‘Meia noite em Paris’ conta a história de Gil Pender, (Owen Wilson, perfeito), um roteirista famoso em Hollywood que viaja à Paris com a noiva (Raquel McAdams). Apesar de bem-sucedido no mundo do cinema, Gil sonha em ser escritor e prepara seu primeiro romance. Apaixonado pela Cidade Luz, ele idealiza largar tudo e mudar para a cidade, mas sabe que está mais próximo de voltar para os Estados Unidos e viver uma vida vazia em Malibu.

Owen Wilson é o Woody Allen da vez – papel que nos últimos anos já foi de Will Ferrell, Jason Biggs e Larry David – mas é preciso reconhecer que por mais que seja um alterego do diretor, o ator se sai muito bem, sendo responsável direto por despertar o interesse do espectador na trama.

A BELÍSSIMA ABERTURA DO FILME:

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