Amazônia Brasil

Indígenas tiveram contato com médico do Ministério da Saúde que contraiu o coronavírus

Indígenas da etnia Tikuna, da região sudoeste do Amazonas, tiveram contato com um médico que contraiu o novo coronavírus (Covid-19). O profissional é da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde.

Essa é a primeira vez que foi registrada no Brasil a possibilidade de o coronavírus ter infectado povos indígenas.

O médico se chama Matheus Feitosa e faz parte da equipe multidisciplinar de saúde indígena.

Oito indígenas Tikuna que tiveram contato com o profissional estão em isolamento domiciliar. De acordo com autoridades sanitárias internacionais, esta é a melhor forma de não disseminar o vírus neste momento.

Os Tikuna são o mais numeroso povo indígena da Amazônia brasileira. Sua situação gera muita preocupação e exige extremo cuidado porque, apesar de a etnia já ter tido contato com a sociedade majoritária brasileira há alguns anos, o sistema imunológico deles é considerado mais vulnerável a vírus como o Covid-19.

Relatos dos primeiros contatos com os Tikunas datam do século 17, por aproximação de jesuítas espanhóis. Mas após a demarcação de suas terras na década de 1990 eles buscaram se afastar novamente para se reaproximar da seus rituais e costumes, nos Igarapés do rio Solimões.

De acordo com informações prestadas pelo próprio médico, ao qual o blog teve acesso, ele já apresentava sintomas como tosse quando fez o atendimento na aldeia Tikuna. No entanto, ele teria usado luvas e máscara nos atendimentos. O procedimento é padrão para qualquer abordagem médica em indígenas por agentes da Sesai.

O Ministério da Saúde informou que o médico retornou ao trabalho após suas férias “sem apresentar sintomas do novo coronavírus” e por isso realizou atendimentos em uma aldeia da etnia Tikuna.

Após esses atendimentos, que teriam ocorrido no dia 18 de março, Matheus Feitosa teve febre e iniciou um isolamento voluntário até esta última quarta-feira (25), quando foi diagnosticado com o novo coronavírus.

Fonte: G1