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Índio não quer apito. Índio prefere Hilux

O presidente Bolsonaro confirma que o maluco é como um relógio parado: uma hora ele acerta. Pois ele acertou na veia, doa a quem doer, ao recomendar que Ângela Merkel “pegue essa grana e vá reflorestar a Alemanha, talkey?” A verdade é mais de 500 anos depois da descoberta do novo mundo (o que não é tanto tempo assim, já que até hoje existem aluados terraplanistas inclusive no governo) os europeus insistem em conquistar os ameríndios com a oferta de miçangas e espelhos.

E isso não é de agora. Logo que cheguei aqui comecei a trabalhar também como correspondente do fantástico Relatório Reservado e publiquei matéria de capa para denunciar que ao mesmo tempo em que financiava, com doações, o Conselho Indigenista Missionário – Cimi, a Alemanha mantinha como cônsul para a Amazônia o dono da Amazonas Timberly, maior exportadora de madeiras nobres, especialmente mogno, daqui para a Europa.

Está certo que os 35 milhões de euros (R$ 155 milhões) da Alemanha e os USD 50 milhões (R$ 200 milhões) engordariam bastante o Fundo Amazônia e as ambições dos governadores da região (e os bolsos de muita gente, entre as quais não estou infelizmente inserido), mas não passam de miçangas para os países que exibem “doações altruístas em defesa do ambiente do planeta”.

A verdade é que não será com discursos e decretos que se vai acabar com o desmatamento e com as queimadas

Muito menos com os espelhos e miçangas dos conquistadores europeus. É preciso atitude! E uma chuva de dinheiro para substituir com tecnologia o trabalho do fogo na limpeza do terreno para o cultivo. Por um bom lucro até madeireiro de terra indígena vira reflorestador. E garimpeiro planta couve.

O que estou dizendo é que a miséria polui. A pobreza é incendiária. O faminto vende até a mãe, imagine florestas a madeireiros ilegais ou reservas para garimpeiros. Ou mineradoras internacionais disfarçadas de ONGs. Se a Europa quer mesmo preservar esse “patrimônio florestal da humanidade” então terá que investir muito mais que alguns trocados. Fora disso é firula. Talkey?

E o recado de Bolsonaro não poderia ser mais claro: índio não quer saber de apito ou catar coquinho. Índio quer escola, energia e saúde. E caminhonetes Hilux, como todo o mundo sabe. Quando o DNIT negociava as compensações ambientais para mitigar impactos de vizinhança com áreas indígenas no asfaltamento da BR-429, de Alvorada a Costa Marques, a relação de exigências foi surpreendente. Foi uma farra. Apareceu até Land Hover na relação da Funai. E o DNIT foi obrigado a atender.

Tem mais:
Francês diz que a Amazônia foi vendida a ONGs internacionais e não pertence mais ao Brasil. Veja o que diz esse maluco no vídeo que circula na Web.

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