Economia

Inflação sobe 0,01% em fevereiro e crescimento da economia cai para 1,99%

As instituições financeiras consultadas pelo Banco Central (BC) aumentaram a projeção para a inflação e reduziram a estimativa de crescimento da economia. A projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços produzidos no país – caiu de 2,17% para 1,99% em 2020, na quarta redução consecutiva. A estimativa das instituições financeiras para os anos seguintes – 2021, 2022 e 2023 – permanece em 2,50%.

A estimativa para a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), subiu de 3,19% para 3,20%. A informação consta no boletim Focus, pesquisa semanal do BC que traz as projeções de instituições para os principais indicadores econômicos.

Para 2021, a estimativa de inflação se mantém em 3,75%. A previsão para os anos seguintes também não teve alterações: 3,50% em 2022 e 2023.

A projeção para 2020 está abaixo do centro da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. A meta, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é 4% em 2020. Para 2021, a meta é 3,75% e para 2022, 3,50%. O intervalo de tolerância para cada ano é 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, em 2020, por exemplo, o limite mínimo da meta de inflação é 2,5% e o máximo, 5,5%.

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 4,25% ao ano. Para o mercado financeiro, a Selic deve ser mantida no atual patamar até o fim do ano. Em 2021, a expectativa é de aumento da taxa básica, encerrando o período em 5,5% ao ano. Na semana passada, a previsão estava em 5,75% ao ano, ao final de 2021. Para o fim de 2022 e 2023, a previsão foi mantida em 6,5% ao ano.

Quando o Comitê de Política Monetária (Copom) reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Já a manutenção da Selic indica que o Copom considera as alterações anteriores suficientes para chegar à meta de inflação.

Dólar

A previsão do mercado financeiro para a cotação do dólar permanece em R$ 4,20 para o fim deste ano e subiu de R$ 4,15 para R$ 4,20, ao fim de 2021.

O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), divulgado hoje (09/03) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/ Ibre), subiu 0,01% em fevereiro. O período de coleta de preços foi de 1º a 29 de fevereiro. Na apuração anterior, com preços coletados de 1º a 31 de janeiro, a variação foi de 0,09%.

Com isso, o índice acumula alta de 0,11% no ano de 2020 e de 6,40% em 12 meses. Em fevereiro de 2019, a taxa registrou alta de 1,25%, com 7,73% no acumulado de 12 meses.

Entre os componentes do IGP-DI, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) caiu 0,03% em fevereiro, depois da queda de 0,13% em janeiro. Por estágios de processamento, o grupo bens finais passou de -1,42% em janeiro para 0,54%, tendo como principal responsável pela alta o subgrupo alimentos processados, que passou de -4,09% para 1,18%. Em bens finais (ex), que não inclui alimentos in natura e combustíveis para o consumo, o índice subiu 0,62% em fevereiro, depois de cair 1,30% em janeiro.

No grupo bens intermediários, a taxa passou de 0,73% em janeiro para -0,89% em fevereiro, com grande influência do subgrupo combustíveis e lubrificantes para a produção, que teve a taxa de 1,70% em janeiro e passou para -8,72%. No grupo Bens Intermediários (ex), que não leva em conta combustíveis e lubrificantes para a produção, a taxa subiu 0,60% em fevereiro, depois da alta de 0,54% no mês anterior.

No estágio das matérias-primas brutas, o índice variou 0,29% em fevereiro, após subir 0,38% em janeiro. O recuo foi influenciado por: minério de ferro (3,40% para -4,03%), milho em grão (8,28% para 3,36%) e suínos (-0,56% para -6,60%). As maiores altas foram em bovinos (-4,85% para 2,24%), aves (-3,14% para 4,41%) e soja em grão (-2,66% para -1,09%).

Inflação pelo IGP-DI

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) caiu 0,01% em fevereiro, depois de subir 0,59% em janeiro. Das oito classes de despesa componentes do índice, sete registraram queda: educação, leitura e recreação (2,30% para -0,53%), habitação (0,36% para -0,38%), transportes (0,59% para -0,04%), alimentação (0,64% para 0,35%), comunicação (0,14% para 0,06%), despesas diversas (0,25% para 0,16%) e saúde e cuidados pessoais (0,32% para 0,31%).

O destaque foram os cursos formais, que passaram de 4,67% para 0,20%, a tarifa  de  eletricidade residencial, que variou de 0,97% para -2,53%, a gasolina, que passou de 1,07% para -1,47%, frutas (3,36%  para 1,44%), mensalidade de TV por assinatura (0,80% para 0,16%), alimentos para animais domésticos (0,74% para -2,39%) e o creme  dental, que fechou fevereiro em -0,47%, depois de subir 0,82% em janeiro. No outro sentido, apenas o grupo Vestuário teve aumento, passando de -0,35% para 0,27% na taxa de variação.

Último componente do IGP-DI, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 0,33% em fevereiro, acumulando com a alta de 0,38% no primeiro mês de 2020. Materiais e equipamentos passaram de 0,77% para 0,42%, serviços foram de 0,73% para 0,63% e o grupo da mão de obra variou 0,06% em janeiro e 0,21% em fevereiro.

  • Fonte: AgênciaBrasil.com