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JBS vira alvo de investigação do MPF por comprar gado de terras indígenas e reservas

Caso em frigorífico da JBS foi parar na Justiça de Rondônia. — Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Foi publicado nesta quarta -feira (15), um relatório denominado”Da floresta à fazenda”, que continham documentos oficiais de controle de saúde animal, como dados sobre bois transferidos de fazendas localizadas em áreas protegidas no ano 2019.

A informação foi divulgada pela Anistia Internacional, envolvendo diversas empresas, até mesmo a maior processadora de proteína animal do mundo, a JBS, que foi citada diversas vezes com essa prática.

“O foco do novo relatório não era a JBS, mas o nome da empresa continuava surgindo à medida que pesquisávamos dados oficiais em Rondônia, em parceria com a Repórter Brasil”, disse à DW Brasil Katharina Masoud, da Anistia Internacional na Alemanha.

As informações foram obtidas através da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron) e do Cadastro Ambiental Rural (CAR), por meio da lei de acesso à informação.

No relatório, aponta que a empresa JBS comprou indiretamente gado em área usada ilegalmente como pasto dentro da Reserva Extrativista de Rio Ouro Preto, unidade de conservação federal. Outro local que a JBS negociou gado foi em fazendas que ocupam terras dentro da Reserva Rio Jacy-Paraná e da Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau.

Todas as atividades pecuárias são proibidas nestas áreas. Os nomes das fazendas envolvidas não foram divulgadas.

“Há indicações de que esses agricultores podem ter empregado a prática de lavagem de gado (transferência de gado entre fazendas intermediárias para dar aparência de legalidade aos animais) para burlar os sistemas de monitoramento existentes e vender gado criado nessas áreas protegidas à JBS”, diz o relatório.

MPF irá investigar 

Diante da situação, o Ministério Público Federal de Rondônia (MP-RO) declarou na quarta-feira (15) que vai apurar a denúncia da Anistia Internacional contra a JBS, que teria comprado gado criado ilegalmente áreas protegidas da Amazônia, como em terras indígenas e reservas extrativistas de Rondônia.

A multinacional, em nota, negou as acusações.

De acordo com a procuradora da República Gisele Bleggi, o MPF conta com o projeto Carne Legal, que acompanha e rastreia toda a cadeira produtiva do alimento, além do Projeto Amazônia Protege, que tenta frear a legalização de produtos, dentre eles a carne, oriundos da exploração ilegal em terras indígenas.

“Todos os procuradores que atuam na área ambiental participam destas investigações, e propõem as medidas judiciais cabíveis, tanto na área criminal, como na área cível. A invasão e exploração de terras públicas dão origem também a conflitos e disputas por áreas, aumentando a violência no campo e na floresta”, disse Bleggi.

O titular da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), Evandro Padovani, informou que a Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron) tem o controle na área de sanidade animal e vegetal. Disse ainda que todos os frigoríficos estão proibidos de adquirir produtos animais de áreas protegidas.

“Então os próprios frigoríficos também, além das certificações, do licenciamento que o estado emite, os frigoríficos também fazem em uma base o acompanhamento para ver se essa propriedade rural não está embargada. Acho muito difícil, nos dias de hoje, os nossos frigoríficos estarem comprando em áreas embargadas, protegidas”, explicou Padovani.

JBS emite nota

Em nota, a JBS negou que compra gado em fazendas envolvidas com irregularidades em áreas protegidas, alegando que qualquer “fazenda não compatível com as nossas políticas de fornecimento sustentável é bloqueada em nossa cadeia de suprimentos” e que sempre esteve à frente “das iniciativas da indústria para combater a lavagem de gado”

“Nós exortamos qualquer pessoa com informações a respeito de práticas no campo que não respeitem os princípios de sustentabilidade a relatar essa conduta às autoridades, para que as medidas cabíveis sejam tomadas”, diz no texto.

Informações iniciais do G1 RO