Brasil

Jornalistas são agredidos em manifestação a favor de Bolsonaro em Brasília

Fotógrafo é hostilizado durente manifestação Foto: Jorge William / Agência O Globo
Ao todo, quatro profissionais da imprensa sofrerem agressões

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro agrediram jornalistas neste domingo, durante manifestação a favor do mandatário, em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília. Um repórter fotográfico do Estado de São Paulo foi derrubado duas vezes, foi chutado e levou murros na barriga. Um motorista do jornal levou uma rasteira. Em nota, a Associação Nacional dos Jornalistas (ANJ) condenou os ataques aos profissionais e afirmou que os agressores “atacaram frontalmente a própria liberdade de imprensa”. (veja a íntegra da nota no fim da matéria)

As agressões receberam também críticas e o repúdio de diversas outras autoridades e entidades da sociedade civil, como a ministra Cármen Lúcia, do STF, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Um repórter do Poder360 também foi agredido verbalmente e levou um chute de um manifestante. Os três foram retirados do local em uma viatura, após os apoiadores de Bolsonaro os cercarem, enquanto gritavam palavras de ordem contra a imprensa, como “Globo lixo” e “fora Estadão”.

Em comunicado, a diretoria e a equipe de jornalistas do jornal “O Estado de S. Paulo” repudiaram as agressões durante a manifestação.

Leia a manifestação do ‘Estado de S. Paulo’:

“A diretoria e os jornalistas de O  Estado de S. Paulo repudiam veementemente os atos de violência cometidos hoje contra sua equipe de jornalistas durante uma manifestação diante do Palácio do Planalto em apoio ao presidente Jair Bolsonaro.     

Trata-se de uma agressão covarde contra o jornal, a imprensa e a democracia. A violência, mesmo vinda da copa e dos porões do poder, nunca nos intimidou. Apenas nos incentiva a prosseguir com as denúncias dos atos de um governo que, eleito em processo democrático , menos de um ano e meio depois dá todos os sinais de que se desvia para o arbítrio e a violência. 

Dada a natureza dos acontecimentos deste domingo, esperamos que a apuração penal e civil das agressões seja conduzida por agentes públicos independentes, não vinculados às autoridades federais que, pela ação e pela omissão, se acumpliciam com o processo em curso de sabotagem do regime democrático”.

Gritos contra a imprensa

O ataque começou no momento em que Bolsonaro descia a ladeira do Planalto para falar com os manifestantes e um grupo começou a entoar gritos contra a imprensa. Em seguida parte dos apoiadores se deslocou para onde os profissionais da imprensa estavam e endossaram as agressões. Neste momento, um repórter da Folha de São Paulo foi empurrado, ao tentar proteger um dos colegas.

Outro repórter fotográfico tentou socorrer o colega e também foi agredido. Um manifestante o empurrou e tentou pegar a câmera fotográfica. Na confusão, os óculos dele foram quebrados.

A Polícia Militar foi acionada e fez um cordão de isolamento para proteger os repórteres. Mesmo com a proteção da PM, as agressões verbais continuaram e cessaram apenas no momento em que os profissionais foram retirados do local.

Veja a íntegra da nota da ANJ:

“A Associação Nacional de Jornais (ANJ) condena veementemente as agressões sofridas por jornalistas e pelo motorista do jornal O Estado de S.Paulo quando cobriam os atos realizados neste domingo (03) em Brasília.

Além de atentarem de maneira covarde contra a integridade física daqueles que exerciam sua atividade profissional, os agressores atacaram frontalmente a própria liberdade de imprensa. Atentar contra o livre exercício da atividade jornalística é ferir também o direito dos cidadãos de serem livremente informados.

A ANJ espera que as autoridades responsáveis identifiquem os agressores, que eles sejam levados à Justiça e punidos na forma da lei.”

O GLOBO