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Laudo sugere que cacique indígena morreu afogado

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Médicos legistas da Polícia Técnica do Amapá (Politec-AP) responsáveis por exumar o corpo do cacique Emyra Waiãpi afirmam não ter encontrado nenhum ferimento que possa ter causado a morte do líder indígena, falecido na segunda quinzena de julho. A informação foi divulgada hoje (16), pela Polícia Federal (PF), que sugere que o líder indígena morreu afogado.

No fim do mês passado, índios e entidades indigenistas denunciaram às autoridades públicas que garimpeiros haviam invadido a Terra Indígena Waiãpi, no oeste do Amapá, e que o cacique Emyra Waiãpi tinha sido morto de forma violenta.

Embora entidades como o Conselho das Aldeias Waiãpi-Apina, formado pelos chefes das aldeias existentes no interior da Terra Indígena Waiãpi, tenham informado, já na ocasião, que a morte do líder indígena não tinha sido testemunhada, sua morte foi associada à suposta invasão da reserva por um grupo de homens armados que, segundo o conselho, chegou a atacar uma das aldeias, a Yvytotô, cujos moradores fugiram do local.

Em nota divulgada esta manhã, a PF informa que a Polícia Técnica do Amapá entregou ontem (15) o resultado preliminar do exame necroscópico realizado no último dia 2, quando o corpo de Emyra Waiãpi foi exumado.

O laudo aponta a existência de uma lesão superficial na cabeça do índio waiãpi, mas minimiza seu efeito, apontando que o ferimento não atingiu planos profundos ou causou qualquer fratura craniana. Além disso, os peritos afirmam não ter encontrado lesões ou sulcos que pudesse evidenciar a hipótese de enforcamento ou esganadura, e nem lesões penetrantes (cortes) na região do tórax – o que, segundo a PF, “desmente as primeiras notícias que davam conta de que a liderança teria sido atacada a facadas”.

“Apesar das informações iniciais darem conta de invasão de garimpeiros na terra indígena e sugerirem possível confronto com os índios, que teria ocasionado a morte da liderança indígena, o laudo necroscópico não apontou tais circunstâncias”, aponta a PF, afirmando que os médicos legistas estimam que Emyra morreu entre os dias 21 e 23 de julho. Provavelmente, por afogamento.

“O laudo conclui que o conjunto de sinais apresentados no exame, corroborado com a ausência de outras lesões com potencial de causar a morte, sugere fortemente a ocorrência de afogamento como causa da morte de Emyra Waiãpi”, acrescentou a PF à nota, explicando aguardar o laudo complementar toxicológico para auxiliar na investigação. “Não interferindo [isto], contudo, na conclusão pericial quanto à causa da morte por afogamento”. A previsão é que o laudo complementar toxicológico seja concluído em até 30 dias.

Procurados pela Agência Brasil, as assessorias da PF e da Polícia Técnica afirmaram que a íntegra do laudo não será divulgada. A reportagem também não conseguiu falar, por telefone, com representantes do Conselho das Aldeias Waiãpi-Apina. Por meio de sua assessoria, a Fundação Nacional do Índio (Funai) informou que segue acompanhando o trabalho de investigação da PF, órgão ao qual compete apurar os fatos narrados pelos índios, com o apoio dos servidores locais da fundação indigenista.

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