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Luto no Covid-19: O amor de alguém se foi – Por Estela da Costa

Divulgação

Nos últimos meses, o mundo tem passado por uma crise devido ao COVID-19, a doença tem trazido muito pânico e medo à população que está frágil e vulnerável.  O medo da morte faz com que as pessoas não falem sobre, e afastem todo esse conteúdo tornando assim um tabu dentro do meio social. Não é incomum que se procure evitar o assunto através da utilização de brincadeiras e piadas criadas em torno da situação, ou ainda, uma rápida e perceptível fuga dos ambientes, em que se fala da morte e do morrer, como: se eu não falar da morte eu posso driblá-la, afastando-a. Por exemplo os memes e figurinhas da internet que são utilizados como piadas, quando na verdade, as pessoas tem recusado o movimento da situação trágica em que estamos passando.

A não vivência dessas perdas de forma natural, pode ocasionar um dano psíquico, gerando angústias, sofrimento e até revolta. Não é apenas compreender que a morte é inevitável, mas perceber que, um vírus que causa uma doença respiratória atualmente transmissível de pessoa para pessoa pode levar ao óbito.

A morte de um ente querido, por ser uma perda definitiva, é de difícil aceitação e causa sofrimento, torna as pessoas mais vulneráveis, trazendo um sentimento de impotência diante da condição humana; o rito de despedida não é mais o mesmo, a falta de uma homenagem e ritual fúnebre vem a ser inviável tanto para a família como amigos.

Pois segundo as regras da OMS:

Os velórios e funerais de pacientes confirmados/suspeitos da COVID-19 NÃO são recomendados devido à aglomeração de pessoas em ambientes fechados. Nesse caso, o risco de transmissão também está associado ao contato entre familiares e amigos. Essa recomendação deverá ser observada durante os períodos com indicação de isolamento social e quarentena;

Geralmente os rituais fúnebres é o primeiro procedimento para se iniciar uma elaboração de perda, pois é ali que familiares começam a assimilar que houve o fim de uma vida. Quando esse ritual é rompido, não podendo acontecer esse momento de compartilhar memórias, histórias, acarreta em um fator traumático de dor dos que ficam.

Se permitir vivenciar essa perda para reestabelecer novas conexões é um grande passo para a vivência saudável desse processo o psicólogo pode agir como um facilitador, proporcionando um suporte à família.

Para aqueles que necessitam de ajuda, para conseguir enfrentar a dor vivenciada pelo luto deixo aqui alguns links como suporte de psicólogos que estão fazendo atendimento online:

https://bem.care/covidzero/

https://www.rededeapoiopsicologico.org.br/

https://psiuacolhimento.com.br/home

A morte não separa os que amam.

Chico Xavier

Estela da Costa CRP 20/10236

Atua como Psicóloga Clínica, ativista na Associação filhas do Boto nunca mais desde 2019 ministrando palestras, mediadora de grupos terapêuticos, participou do projeto “Programa de acompanhamento psicológico à adolescentes que cumprem medida de internação em unidade socioeducativa: Resignificando Experiências”. Graduação em Psicologia pelo Centro Universitário Aparício Carvalho, concluída em dezembro de 2019.