Educação

Marcelo Thomé: Fiero ocupa vácuo deixado pela universidade

Em café a manhã oferecido pela Fiero, em comemoração do dia do jornalista, o presidente Marcelo Thomé destacou o trabalho educacional da instituição e a intensificação de um trabalho voltado para as áreas de tecnologia e inovação. Seria, segundo ele, tarefa da universidade brasileira que, no entanto, deixa um vácuo no setor, que o Sistema “S” decidiu ocupar.

Perfeito! Talvez conduzida pelo “marxismo cultural”, que os filhotes de Olavo de Carvalho dizem combater, ou por vaidade, ou ainda por um claro instinto de preservação, os pesquisadores das universidade brasileira se dedicam quase exclusivamente à pesquisa pura, não quer nem ouvir falar de pesquisa aplicada. Ou seja: querem produzir artigos para identificar “as razões” de algum problema, em lugar de apontar “como” resolvê-lo.

A diferença é brutal, pois que a pesquisa aplicada submete o cientista ao escrutínio do país inteiro, enquanto a pesquisa pura se esmera na produção de artigos e trabalhos, geralmente avaliados, quando publicados, apenas por seus pares, o que afasta o fantasma da meritocracia. Para ser mais claro: a pesquisa aplicada produz dinheiro, enquanto a pesquisa pura produz (ou deveria) conhecimento. O destino da primeira é o mercado, como acontece com as startups, algumas das quais bem sucedidas a ponto de atingir a categoria de “unicórnios”, com avaliação superior a US$ 1 bilhão,  enquanto a outra ocupa espaço prioritário no currículo do autor.

 Está certo que o raciocínio pode e merece contestação. Afinal, muitas ideias produzidas pela pesquisa pura deram origem a avanços fundamentais para a humanidade. Mas o certo é que a universidade consome, este ano, disparatados 58% do orçamento do MEC e deixa à míngua o ensino básico, num país de analfabetos funcionais. O assunto merece discussão mais ampla do que esta abordagem superficial. Voltarei a ele, pois.

Marxismo cultural

A coluna Radar, de Veja, diz que o novo ministro da Educação, Abraham Weintraub, é contra o que classifica de “marxismo cultural” nas universidades. Ele acha ser necessário trabalhar muito “para que o país pare de fazer bobagem”. Vai ser difícil, já que ele também reza o catecismo de Olavo de Carvalho A propósito, Reinaldo Azevedo escreveu: “Convém a Bolsonaro ouvir menos os Felicianos (leia-se Olavos) e mais os Mourões. Ou as coisas se complicam para ele. O poder, como a natureza, rejeita o vácuo. E também o caos. E, como reza a Constituição, Mourão também foi eleito

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