Política e Cidadania

MI PERÚ – ALAN GARCIA – Uma Bala na Cabeça – Por George Braga

Às vezes a pena cansa. Num turbilhão de pensamentos fico a pensar na gestão pública, no poder da decisão e na morte do ex-presidente Peruano, Alan Garcia.
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“Não houve nem haverá contas, nem subornos, nem riquezas. A história tem mais valor que qualquer riqueza material.” – Alan Garcia.

Às  vezes a pena cansa. Num turbilhão de pensamentos fico a pensar na gestão pública,  no poder da decisão e na morte do ex-presidente Peruano, Alan Garcia. 

Não deve ser fácil tomar a decisão de meter uma bala na cabeça para mostrar-se invencível ou que ainda tem os valores morais passados em tenra idade, seja pela família, seja pelo Estado, seja pela Religião. 

Talvez seja um misto de vergonha e impotência diante do Estado. Talvez ele tenha culpa no cartório, mas o fato é que até para dar um tiro na cabeça é preciso ter decisão e coragem.

O Ex-Presidente escreveu uma carta para seus seis filhos, onde falava não deixar riqueza, sobre  ter dignidade para não ser algemado e ter que escolher viver uma vida miserável.

Definitivamente, é uma decisão capital. Há valores que suplantam a vida, tais como a honra, a dignidade, os valores morais. Não estou aqui a defender se ele foi correto ou incorreto em suas ações públicas, mas a refletir sobre as ações do Estado que podem ir e vir, defenestrando a honra e a história de um homem.

E isso a perdurar, é uma faca de dois gumes: corta pra lá e corta pra cá. Um dia você é o degolador e noutro o degolado, como Robespierre foi na Revolução Francesa.

Por isso, muita calma que o andor é de barro. Sentimentos de vaidade e vingança não cabem ao bom Agente público.  Por óbvio que não se deve prevaricar, mas seu objetivo maior são as políticas públicas. O que dizer ao doente que não tem médico? Que não  tem remédio ou que não tem segurança?  Esse é o alvo a ser alcançado pelo bom gestor público: olhar para o futuro, farol alto e boa equipe para girar essa roda pesada que é a máquina pública.

Getúlio Vargas também assim o fez aqui no Brasil e deixou uma carta-testamento em 1954,  onde dizia : 

“Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo e renunciando a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser o meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.”

Esses homens acima tiveram seus erros? Sim! Mas somente quem esteve na solidão do poder sabe como são angustiantes e dolorosas as horas que antecedem uma decisão que atinge milhares,  às vezes milhões de pessoas. Interesses, vantagens, pressões e achaques são sentidos em cada poro do seu ser. Toda decisão agrada a uns e desagrada a outros, e a história começa toda novamente.

O que sei é que é preciso ter equilíbrio,  bom senso e harmonia para que as políticas públicas fluam em prol da população, tão agastada. Corrige o errado.  Faz o certo. E pune a quem tem crimes evidenciados e comprovados.  O que não se pode fazer é colocar a todos num mesmo cadafalso, mesma guilhotina que um dia pode virar para o degolador.

George Braga, ex-Secretário de Planejamento do Estado de Rondônia e servidor da Justiça do Trabalho

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