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Morre a atriz Ruth de Souza, aos 98 anos

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Ruth de Souza morreu aos 98 anos na manhã deste domingo. Diagnosticada com pneumonia, a artista havia sido internada, no início desta semana, na Unidade de Tratamento Intensivo do Hospital Copa D’Or, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, onde seguia sem previsão de alta médica.

Primeira atriz brasileira indicada a um prêmio internacional de cinema (o Leão de Ouro no Festival de Veneza de 1954), Ruth de Souza também é reconhecida como a primeira atriz negra a construir uma carreira no teatro, no cinema e na televisão. Na TV Globo, seu último trabalho foi na minissérie “Se eu fechar os olhos agora”, no início de 2019.

Trajetória da atriz

A quase centenária atriz nasceu Ruth Pinto de Souza, no dia 12 de maio de 1921. Até os 9 anos, viveu com a família em Porto do Marinho (MG) e, com a morte do pai, ela e a mãe voltam a morar no Rio de Janeiro, em uma vila de lavadeiras e jardineiras, no bairro de Copacabana. Já maior, passa a se interessar por teatro e, através da Revista Rio fica sabendo da existência de um grupo de atores liderados por Abdias do Nascimento, o Teatro Experimental do Negro. Ao se unir ao conjunto, encena “O imperador Jones”, de Eugene O’Neill, em 8 de maio de 1945, no palco do Teatro Municipal do Rio.

“Foi lindo aquele dia. A gente celebrando nossa estreia, e o mundo festejando o fim da Segunda Guerra Mundial. O centro da cidade estava lotando de gente”, recordou ela, em sua última entrevista ao jornal Extra.

Indicada pelo ator Paschoal Carlos Magno, à época um grande nome das artes, recebeu uma bolsa de estudo da Fundação Rockefeller e passou um ano nos Estados Unidos. Ali, recordou ela, foi um grande passo em sua vida: “Aprendi coisas que nunca teria a oportunidade de aprender ficando no Brasil. Ganhei respeito”.

Indicada por Jorge Amado, em 1948, para o elenco de “Terra violenta”, ela fez sua estreia no cinema; O longa era a adaptação de “Terras do sem fim”, do autor baiano. Com direção do norte-americano Edmond Bernoudy, o filme tem ainda no elenco Anselmo Duarte, Maria Fernanda, Heloisa Helena e Ziembinski. A partir daí, sua carreira na telona ganha projeção e começa a participar de diversas produções nas três grande empresas da época: Atlântida, Maristela Filmes e Vera Cruz. Por seu desempenho em “Sinhá Moça”, Ruth se torna a primeira atriz brasileira indicada para prêmio internacional: o Leão de Ouro, no Festival de Veneza de 1954, em que disputa com estrelas como Katherine Hepburn, Michele Morgan e Lili Palmer, para quem perde por dois pontos. Após anos se dedicando ao cinema, passa por radionovelas, teleteatros da Tupi e da Record até que, em 1696, é contratada pela Rede Globo, de onde foi funcionária até morrer. Mesmo aposentada, a veterana continuava nos quadro de funcionários da emissora carioca.

Por anos, continuou participando intensamente de produções no cinema e na TV — e ganhando muitos prêmio —, sendo sua última aparição em uma trama em “Se eu fechar os olhos agora ” (2019).

Acadêmicos de Santa Cruz lamenta morte de Ruth de Souza

“A Grande Dama do Teatro Brasileiro foi homenageada pela Acadêmicos de Santa Cruz no Carnaval de 2019 com o enredo “Ruth de Souza, Senhora liberdade abre as asas sobre nós”, do carnavalesco Cahê Rodrigues. Vá com Deus senhora liberdade, Ruth de Souza! Descanse em paz. Toda Família Santa Cruz se solidariza com seus familiares e amigos por essa grande perda. Quanta honra homenagear em nosso carnaval essa Grande Dama do Teatro.”

Amigos e familiares se despedem da atriz no velório que acontece nesta segunda-feira (29/07), no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no Centro.

Gloria Maria de Souza, sobrinha da atriz, falou com carinho sobre a tia. “É muita saudade. São 98 anos muito bem vividos. Ela sempre esteve presente em todos os momentos e nos ajudava muito. Ela era uma matriarca”, disse. “Ela era tudo para mim”, completou a irmã Maria Rita de Souza, de 94 anos, muito abalada.

O ator Milton Gonçalves se emocionou ao falar da amiga. “Ela é uma pessoa maravilhosa. Na semana passada, estávamos juntos. Foi embora uma atriz, uma amiga, uma pessoa sorridente. De repente, vem Deus e leva. Se é justo? Não sei. Foi embora um talento, esta é a grande dor.”

Toni Tornado também falou sobre o momento de dor. “Ela foi minha mãe em Sinhá Moça [1986]. Tenho só boas lembranças da diva Ruth, uma pessoa iluminada. Essa perda nos enfraquece. Ela é um referencial. Ela foi a precursora, a primeira… Ela é a razão de tudo isso estar acontecendo. A importância dela é muito maior”, disse o veterano, enaltecendo a importância de Ruth para os negros na classe artística.

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