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Não me TOC não quero ser contaminado pelo Coronavírus – Por Estela da Costa

Quem não tem uma mania? Que parece inofensiva, mas da mesma forma pode se considerar em um grupo patológico gerando desconforto e sofrimento. Conforme a Organização de Saúde (OMS) cerca de 2,5% da população mundial possuem transtorno obsessivo compulsivo (TOC). No Brasil este número seria mais ou menos 4 milhões de pessoas.

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM V) o TOC é um transtorno mental que tem um curso crônico, definido pela presença de obsessões ou compulsões que interferem no cotidiano do indivíduo causando comportamentos exagerados e dificuldades de controle comportamental.

As obsessões se caracterizam por pensamentos, fantasias e ideias negativas persistentes de forma intrusivas. O indivíduo tenta neutralizar seus pensamentos, com atos e rituais específicos. As Compulsividades são os comportamentos que invadem a consciência de forma repetitiva como lavar as mãos, checar mais de uma vez se as portas foram trancadas, contar, repetir palavras mentalmente.

Os comportamentos repetitivos podem desencadear fatores de exaustão física e psicológica, provocando um sintoma de ansiedade aguda. Por acreditar que consegue manter o controle sozinhos ou até mesmo por vergonha, algumas pessoas preferem não procurar ajuda e mantém em segredo, para que a sociedade não os recriminem.

Conforme a quarentena em consequência do COVID- 19, uma pessoa com pensamentos obsessivos relacionados a contaminação do Coronavírus pode desenvolver uma compulsão por estar sempre passando álcool em gel nas mãos e corpo, tomar banhos longos, usar luvas e máscaras. O que para muitos é apenas um cuidado com a higiene, para evitar a proliferação a doença, para um indivíduo com TOC isso se torna um ritual diário angustiante.

 A compreensão da família é essencial neste momento, visto que essas pessoas podem apresentar as obsessões e compulsões descontroladamente devido a pandemia e reclusão em suas casas, causando sofrimento, conflitos e até mesmo falta de interação social.

É importante sempre consultar um(a) psicólogo(a) / psiquiatra para uma avaliação, principalmente se está lhe causando prejuízos diários. Após avaliação de um profissional a pessoa pode ser tratada com a psicoterapia e farmacoterapia para enfrentar as adversidades causadas pela doença.

Devido ao momento vivenciado, a terapia online que é autorizada pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP), podendo ser um recurso para o paciente com TOC.

É recomendável também uma técnica de relaxamento progressiva adaptada de Jacobson (1934) com instruções similares, que pode ajudar na ansiedade de pacientes com TOC.

Acompanhe a técnica com o vídeo abaixo:

Estela da Costa CRP 20/10236

Atua como Psicóloga Clínica, ativista na Associação filhas do Boto nunca mais desde 2019 ministrando palestras, mediadora de grupos terapêuticos, participou do projeto “Programa de acompanhamento psicológico à adolescentes que cumprem medida de internação em unidade socioeducativa: Resignificando Experiências”. Graduação em Psicologia pelo Centro Universitário Aparício Carvalho, concluída em dezembro de 2019.