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Não somos Yankees – Por Edmilson da Silva

Após os últimos acontecimentos nos Estado Unidos surgiram de imediato as inevitáveis comparações entre os manifestantes americanos com os “Bolsominions” brasileiros. Mas apesar da semelhança no comportamento boçal, agressivo, prepotente e intransigente, as diferenças entre os ideias são enormes.

Quando olhamos a formação étnica dos EUA vemos uma população predominantemente de pele branca decorrente do seu processo de colonização anglo saxônica, não obstante a presença dos nativos que foram mortos, escravizados ou expulsos de suas terras. Esses “invasores” tomaram para si a propriedade e se organizaram em forma de colônias que posteriormente se juntaram e por meio de uma confederação criaram o País tal como existe hoje. No decorrer desse processo, alguns povos foram atraídos para esse território em busca de oportunidades no novo mundo e outros foram trazidos para serem utilizados no trabalho escravo, que foi o caso dos negros. Com o fim da escravidão e a consolidação da democracia americana esses imigrantes foram acolhidos como nativos com todos os direitos e deveres destinados aos colonizadores. No entanto, até hoje, em pleno século XXI, uma parte da população originária ainda não aceita dividir o país com qualquer outra etnia e defende a chamada supremacia branca que tem hoje no Trump a figura de maior representatividade, e como disse o próprio, são de fato patriotas.

Por incrível que pareça os manifestantes que invadiram o capitólio tem um ideal e não é novo. Em boa parte do povo americano sempre existiu esse sentimento barrista exacerbado. Só precisava de um impulso, para que essa leva viesse à tona. A própria forma de resistência pela polícia americana dar a ideia de que na chamada terra das liberdades, as diferenças entre brancos e restos são marcantes. No fundo, parte daqueles policiais se identificava com aquele movimento, mas foram contidos por um sentimento maior: O de respeito ao Estado americano e a sua Constituição Federal. Há quem diga que se o movimento fosse negro, o número de mortos teria sido bem maior. Não duvido. Temos inclusive o caso de um policial que estava participando do movimento, que se entregou, disse que agiu por impulso e pediu desculpa ao povo americano. Esse pedido de desculpa nos leva a deduzir o quanto os yankees americanos são diferentes dos caipiras alienados brasileiros.

            Na fábula mitológica brasileira, permeada de fake news, não se define um objetivo, um ideal, um resquício sequer de patriotismo. Apenas um bando tangido e alimentado todos os dias no cercadinho do planalto e estimulado por um berrante avassalador que replicado se propaga pelas redes como um rastilho de pólvora. Uma fábrica de ignorância associada ao desrespeito a ordem social, ataque as instituições e a tentativa de associar o fracasso a teorias conspiratórias relacionadas há comunismo, antipatriotismo, anticristianismo, terraplanismo, negacionismo e outros “besteirois” brasileiros.

Enquanto nos EUA os manifestantes recuam, se entregam e se sentem envergonhados, percebendo que talvez tenham ido longe demais, no Brasil repercute entre os “bovináros” a ideia de infiltração de pessoas contrárias ao Trump em um movimento claramente surgido a partir do seu instigamento. Tudo isso, para referendar as falas do vaqueiro mor que insinuou a possibilidade do fenômeno se repetir aqui no Brasil em 2022. Vivendo uma espécie de transe coletivo, os nossos compatriotas não se permitem sequer utilizar o senso crítico, limitando-se a assimilar, difundir, defender ou justificar, ainda que de forma transversal as palavras, os gestos ou atos do nosso projeto de Mussolini tupiniquim, mesmo que sejam absurdos e indefensáveis.

Nessa toada, vamos nós vivendo o caos promovido pela epidemia, o aumento de pessoas adentrando a linha de pobreza, o País recuando a 12ª economia do mundo, a redução drástica do poder de compra do trabalhador e mergulhado na ignorância de um povo que renuncia a ciência, mesmo sendo esta a nossa única tábua de salvação.

Os americanos pelo jeito vão preservar o seu maior orgulho. A sua maior marca: A democracia. No Brasil, estamos ainda engatinhando nesse processo de consolidação e já corremos o risco de dar um passo atrás, se nada for feito no sentido de demover o perigoso trabalho de preparação para uma ruptura que, sorrateiramente, vai se estabelecendo no seio daqueles que defendem a centralização do poder na figura de um ditador. É de dar arrepios imaginar que poderíamos algum dia ainda ouvir novamente a velha frase: BRASIL, AME-O OU DEIXE-O.

José Edmilson da Silva é Engenheiro Agrônomo, Bacharel em Direito, Professor e Servidor Público Federal

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