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NOSTALGIA – Billy Wilder, genial, sarcástico e insuperável – Por Humberto Oliveira

Pelo menos uma vez na vida você deve ter assistido ou ouvido falar de um filme dirigido por Billy Wilder. Quem sabe o noir Pacto de sangue ou as comédias Quanto mais quente melhor e O pecado mora ao lado? Não? Então, o drama Farrapo humano ou a obra prima Crepúsculo dos deuses? Sério? Mais uma tentativa. Sabrina, A montanha dos sete abutres, Inferno 17, Cinco covas no Egito, Se meu apartamento falasse, Irma La Dulce, Testemunha de acusação, A incrível Suzana, A primeira página, Amor na tarde, Fedora, Cupido não tem bandeira. Nenhum desses?  Mesmo assim vamos adiante.

Roteirista, produtor e diretor, o austríaco Billy Wilder foi um dos mais engenhosos e geniais cineasta da história do cinema. Ele só não dirigiu faroestes, mas os outros gêneros, Wilder sozinho ou em parceria escreveu filmes que não tinham medo de temas tabus, cheio de falas espirituosas, de duplo sentido e diálogos bem escritos e interpretados por astros e estrelas de primeira grandeza de Hollywood. Humphrey Bogart, Audrey Hepburn, Gary Cooper, Marylin Monroe, Fred MaCmurray, Marlene Dietrich, Jack Lemmon, Walter Matthaw, Glória Swanson, William Holden, Tyrone Powell, Jean Arthur, Tony Curtis, Kirk Douglas, Jean Sterling, Bárbara Stanwyck. Apenas para citar alguns.

 

O Crepúsculo dos Deuses
Farrapo Humano

 

Quanto mais quente, melhor

Estrelas não faltavam para trabalhar com Wilder, pois conheciam seu talento, a qualidade dos roteiros e sua genial direção.

Para conhecer mais da carreira deste diretor dos tempos áureos de Hollywood, tenho três dicas de livros sobre o diretor, seus filmes e carreira. A volumosa biografia Billy Wilder, e o resto é loucura. Fartamente ilustrada com fotos de bastidores. O outro é a autobiografia Ninguém é perfeito, uma referência a última fala do sensacional Quanto mais quente melhor. Tem ainda o excelente Diversão inteligente, obra que disseca filme a filme, de Incrível Suzana a Fedora. Claro, Billy Wilder é um dos diretores com muitos filmes lançados em dvd. Inclusive, três com edições especiais com ótimos extras. Os citados Crepúsculo dos deuses, Pacto de sangue e Quanto mais quente melhor, com dois discos.

Ah, o livro do jornalista Ruy Castro, Saudades do século XX, recentemente relançado, traz um ótimo perfil de Wilder e histórias deliciosas contadas no texto sempre elegante, bem humorado e recheado de informações e curiosidades de Castro. Uma delas lembra quando Fernando Trueba ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro por Sedução. Ele disse que por não acreditar em Deus agradeceu a premiação a Billy Wilder.

No dia seguinte o telefone toca e Trueba atende. Do outro lado da linha ouviu a voz dizendo – Aqui é Deus. Era Billy Wilder, que nunca perdeu a oportunidade de pregar uma peça em alguém.