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ADONIRAM BARBOSA – Dá licença de emocionar – Por Humberto Oliveira

Baseado em composições do mestre do samba paulistano, Adoniran Barbosa, o cineasta Pedro Serrano roteirizou e dirigiu o maravilhoso curta-metragem Dá licença de contar. No elenco, Paulo Miklos é Adoniran, em ótima atuação e caracterização. Gero Camilo, faz Mato Grosso. O curta tem ainda como personagens Joca, Iracema, Arnesto, todos oriundos de composições imortais de Adoniran, entre elas, Saudosa maloca (Se o senhor não tá lembrado, dá licença de contar), Samba do Arnesto (O Arnesto nos convidou prum samba, ele mora no Braz), a lírica e trágica Iracema (Iracema, meu grande amor foi você). Tem o hilário Um samba no Bexiga e a romântica Prova de carinho e claro, um dos maiores sucessos do compositor, Trem das onze.
O roteiro conta a história da Saudosa maloca por Adoniran que está olhando para um edifício alto e o garçom pergunta se ele não vai participar da roda de samba. Então, ele conta as aventuras e desventuras dos amigos Joca e Mato Grosso, apaixonado pela bela Iracema, que recebe do amigo Joca a corda mi do seu cavaquinho em forma de anel, como o conquistador lhe diz – prova de carinho (lembrando que cavaquinho não tem corda mi). Mas quem vai discutir com um poeta? Quando Joga entra em cena, ele diz  – Bom dia, tristeza. Referência a parceria de Adoniran e Vinicius de Moraes no samba homônimo. Detalhe. Eles nunca se encontraram para compor e a parceria nasceu à revelia, graças a um pedido feito por Aracy de Almeida a Adoniran.
No meio de uma batucada, chega Ernesto ou Arnesto, convidando a todos para um samba em sua casa, com direito a muita cerveja. No dia marcado, porém, lá vão Adoniran, Mato Grosso e Joca, mas não tem festa. Houve um imprevisto. Ernesto deixou até um bilhete, porém o vento leva embora. Os três amigos chateados voltam sem desfrutar da festa. Adoniran diz que a falseta do amigo dá samba. Daí nasce o antológico Samba do Arnesto.
Mato Grosso havia recebido uma ordem de despejo, no entanto, não presta atenção. Quando voltam a maloca está sendo demolida. Mato Grosso quis gritar, mas Adoniran o acalma dizendo – Os homens tão com a razão nois arranja outro lugar, diálogo tirado de Saudosa maloca. Sensacional. Maravilhoso. Imperdível.
No final, Adoniran deixando as más lembranças de lado, se aproxima do pessoal da roda de samba e diz – Nois viemo aqui pra beber ou pra conversar. Sua famosa fala de um antigo comercial de cerveja protagonizado por ele pelos idos dos anos 1970.
Não conhecia essa joia compartilhada por minha amiga jornalista e colega de trabalho, Andreia, que reservou um minuto do seu final de domingo para enviar este lindo presente para mim. Viva Adoniran Barbosa. Viva a música brasileira. Viva o cinema nacional.
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