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O alto preço da ignorância – Por Edmilson da Silva

FOTO: MICHAEL DANTAS / AFP

Quem acompanha as noticias diárias sobre a pandemia, desde o seu início, não deve ter esquecido o que aconteceu na Itália no início do ano passado. Desespero, colapso na saúde, acúmulo de pacientes, falta de profissionais, insumos e equipamentos de saúde, esgotamento físico e psicológico de profissionais, pacientes agonizando nos corredores de hospitais e mortes, muitas mortes.

Quem não se lembra da cena chocante que mostrava fila de caminhões frigoríficos armazenando corpos? O motivo, reconhecido posteriormente pelas autoridades, foi não acreditar. Considerar exageradas as previsões catastróficas das autoridades sanitárias e não aceitarem as recomendações para promover as medidas de isolamento social da população. Aquela tragédia foi suficiente para alertar ao mundo, menos para nós, o Brasil. Movidos pela ignorância, nosso povo preferiu acreditar em falácias, notícias falsas e curandeirismos. Voltamos ao obscurantismo.

As informações espalhadas pela trupe do ódio, para tentar justificar a negligência do Governo Federal, no que se refere ao mau uso do dinheiro enviado a Manaus pela União, às que falam que no lugar de estádios poderia ter sido feito hospitais e que há responsabilidade dos governos estadual e municipal, até fazem sentido, mas nem de longe é a causa principal dessa tragédia.

Ainda que os recursos tivessem sido bem aplicados, os governos estadual e municipal tivessem feito a sua parte com a devida eficiência, é provável que o problema tivesse ocorrido, com menor intensidade talvez, mas teria ocorrido do mesmo jeito. O episódio da Itália nos mostra isso. Um País de primeiro mundo, com a saúde de ponta, certamente não teve problema com recursos financeiros. Mas a sua estrutura de saúde não suportou a sobrecarga no atendimento gerada pela demanda resultante da demora do Estado em reagir e adotar medidas que protegessem a população e o seu sistema de saúde.

Rendida, a Itália pediu ajuda ao mundo e foi acolhida recebendo insumos, equipamentos e profissionais de saúde, dentre eles, médicos cubanos, vindos daquela ilha caribenha, governada a anos por uma ditadura comunista e que mesmo com sua economia sufocada por embargos do governo americano, surpreende o mundo com uma saúde de primeira qualidade.

Enquanto isso, no Brasil, a politização do tema transformou a luta contra a doença numa verdadeira guerra de vaidades colocando em segundo plano a saúde do povo que vai dia a dia sentindo os efeitos danosos da ignorância. Em Manaus, a tragédia foi anunciada, quando as autoridades sanitárias do País, diga-se a ciência, recomendou o cancelamento das festas de final do ano e sugeriu medidas a serem adotadas pelo poder público e não foram ouvidas.

Quando todas as tentativas de se alertar para os riscos de aglomerações foram sabotadas com mentiras, desinformações e manifestações públicas de autoridades que tem o dever primordial de zelar pelo bem estar da população.

Nesse aspecto, não tem como não destacar a contribuição do Presidente da República. Como timoneiro dessa barca furada, vem desde o início colocando em dúvida todas as orientações científicas de cobate a pandemia, utilizando toda a sua liderança como chefe de estado para difundir teorias conspiratórias, recomendar medicamentos sem eficácia comprovada pela ciência, negar a importância das vacinas, e sugerir a desobediência ás determinações de governos locais de estados e municípios relacionadas ao isolamento social. Sabia ele que a sua voz ecoaria pela boca dos seus seguidores, entre eles, formadores de opinião que replicariam as sua ideias negacionistas para uma massa maior de ignorantes que veem no seu cotidiano, no carro, na TV, no celular, o que a ciência é capaz de produzir e mesmo assim aceitam essas informações divergentes, provavelmente em nome de uma obcessão política.

Esses todos devem carregar consigo uma parcela de culpa pelas mortes em Manaus.

Mas o pior estava por vim. Quando se imaginava que o Presidente da República, fosse fazer um mea-culpa, prestar solidariedade, concentrar esforços na solução do problema, reconhecer que talvez o governo tenha falhado na estratégia, como fez o Prefeito de Milão quando ocorreu a crise por lá, se encarregou de atribuir a culpa única e exclusivamente ao Governo do Amazonas e a Prefeitura de Manaus. Não o fez diretamente, mas como já é de praxe, utilizou a sua horda para difundir mentiras, ataques às instituições, Congresso, STF, governos anteriores e partidos políticos, em especial ao PT, como forma de desviar a atenção do grave problema e da responsabilidade do Governo Federal.

Sorte nossa que a ciência resistiu e a chegada da vacina nos traz um sopro de esperança. Esperança, inclusive, de que o governo desça do palanque, mude a sua postura e leve aos seus defensores a coerência, o bom senso, solidariedade e respeito com a ciência, adotando a partir de agora, apenas parâmetros técnicos científicos para tomar medias de enfrentamento a doença. Do contrário, Manaus poderá se repetir pelo Brasil a fora.

José Edmilson da Silva é Engenheiro Agrônomo, Bacharel em Direito, Professor e Servidor Público Federal

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