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O dinheiro que ganho nunca é suficiente. E agora? – Por Bianca Lopes

SÉRIE: PROBLEMAS FINANCEIROS DOS BRASILEIROS

Olá meus colegas leitores. Vamos falar de “economia do bolso”? O tema é complexo e, do meu ponto de vista, envolve muito mais do que apenas a vontade individual de ganhar melhor. Se eu perguntar a qualquer pessoa se ela está satisfeita com o seu salário ou renda, se o que ganha é suficiente para realizar as necessidades e desejos financeiros, imagino que grande parte responderia que recebe menos do que gostaria.

De fato, apesar de uma leve recuperação recente da atividade econômica no Brasil, um estudo do IPEA (Instituto Pesquisa Econômica Aplicada) mostrou que, a partir de 2016, a desigualdade da renda no mercado de trabalho no Brasil cresceu de forma acentuada. Nos últimos meses de 2018 foram registrados 37,6 milhões de lares sem renda no Brasil. Isso corresponde a 52,3% do total de domicílios.

Esses números nos informam que mais da metade das famílias brasileiras não tem um salário ou renda. Os últimos dados sobre o desemprego mostram que mais de 13 milhões de brasileiros estão desempregados e que, de todas essas pessoas, 4,8 milhões já desistiram até de procurar um emprego.

O que são essas 4,8 milhões de pessoas que já desistiram de procurar emprego e estão sem salário e, com certeza, recebendo muito menos do que gostariam? Imagine toda a população de Rondônia, que está estimada em 1,7 milhões de pessoas, e multiplique por 3 (três). Isso mesmo, você pensou certo. São 3 “estados de Rondônia” sem emprego.

Imagine todos os rondonienses sem salário e multiplique por 3. Quem são esses 4,8 milhões de pessoas? São pessoas que estão em situação de desalento? São as pessoas que não conseguem trabalho, ou não têm experiência, ou são muito jovens ou idosas, ou não encontraram trabalho na sua localidade. É só uma comparação. Graças a Deus, ainda temos empregos por aqui.

Foi necessária essa pequena introdução teórico-econômica para entendermos que, no momento econômico em que vivemos no Brasil, receber menos do que gostaria não é apenas um fator do esforço ou vontade individual. Toda essa gente desempregada aumenta a oferta de trabalhadores que se dispõem a ocupar o lugar daquele que está empregado, fazendo com que aqueles que contratam tenham um maior número de candidatos para escolher quem irá ocupar a vaga de trabalho.

Essa dinâmica de muita oferta de trabalhadores e pouca oferta de contratação faz com que os salários sejam reduzidos. Por isso, tem muita gente recebendo menos do que gostaria e conseguir ganhar mais não é algo tão simples assim.

Certo, mas não há nada o que fazer sobre isso? Não existe possibilidade de ganhar financeiramente mais? O caminho pode ser partir para o empreendedorismo. Abrir um negócio é uma maneira de sair dessa situação, onde se ganha menos do que gostaria e passar a ganhar o que deseja. Por isso, a quantidade de negócios por necessidade no Brasil aumentou a partir de 2014, passou de 29% do total dos empreendimentos para 40% em 2017, segundo estudo do GEM.

Mas, agora, quero considerar outro fator aqui, para muitas pessoas o resultado do empreendimento acaba não sendo o esperado pelo empreendedor. Abrir um negócio envolve muito mais do que vontade e vocação. A verdade é que existem outros aspectos essenciais para o sucesso financeiro e econômico que precisam ser considerados por qualquer pessoa que deseja caminhar por essa estrada. Futuramente falaremos mais sobre isso.

Quero agora dedicar o restante do texto para você que está empregado ou é um empresário e tem um salário ou uma renda. O que fazer para sair dessa situação e começar a ganhar mais do que gostaria?

Para quem é empregado (também servidor público) meu primeiro conselho é: antes de tudo ajuste os seus gastos até o limite dos seus ganhos. Pare de gastar mais do que você ganha e comece a poupar para constituir uma reserva financeira. Pelo menos você terá um recurso para imprevistos, caso eles aconteçam. Se não, no médio e longo prazo, você poderá passar de um gastador para um investidor.

Sempre tem uma despesa que podemos cortar que não trará grandes “prejuízos” para a qualidade de vida. Quando você ajustar as suas finanças, pare de pensar em dinheiro e comece a pensar de que forma você poderia ser reconhecido para aumentar os seus ganhos financeiros pensando na sua entrega, qualificação, habilidades e nos resultados que você gera, podendo ser a primeira pessoa valorizada em uma oportunidade de melhora salarial e reconhecido pelo mercado.

Como eu disse inicialmente, ganhar mais não se restringe apenas a nossa vontade, tudo bem que ela é importante porque nos faz sair da nossa zona de conforto (ou desconforto para quem está com problemas financeiros), tomar uma decisão e começar a agir para mudar essa realidade. Eu, inclusive, desejo e incentivo qualquer pessoa a buscar uma melhora nas suas condições de vida através das finanças. Contudo, além do aspecto do momento de dificuldades econômicas que estamos passando, se você continuar tendo um comportamento de abusar da sua capacidade financeira gastando mais do que tem condições de pagar, ganhar mais dinheiro não irá mudar a sua realidade. Não é a quantidade de dinheiro que ganhamos que determina uma vida financeira estável e tranquila e sim a qualidade de como gastamos o nosso dinheiro. No final das contas, é o nosso comportamento de consumo que importa.

Bom fim de semana!

Bianca Lopes. Economista. Consultora na área de finanças, negócios e relações institucionais. Aluna de pós-graduação em Educação Financeira pelo Instituto DSOP, pós-graduada em MBA Finanças, Controladoria e Auditoria pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e graduada em Economia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Instagram @biancalopeseconomista

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O Rondoniense
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