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Cultura

O PERIGO DE REVELAR O JOGO, SE TU NÃO CONTAR EU CONTO – Por Álisson Chaves

Oi, aqui é o Álisson, prazer, quem me conhece pessoalmente sabe que sou bocudo  –  em várias variáveis, inclusive. Começo pelo meu fenótipo: boca grande que tem carne à beça. Sabe aquele que fala muito? Presente. Falar “nomes” ?  Também falo um bocado, mas aí depende do dia e quando falo fica feio pra mim, os amigos não curtem e mi Madre diz logo: “Eu não te ensinei isso, meu filho”. Se for para inventar palavras…só bora! mostro esse serviço (desserviço?) desde criancinha. E terminando minha classificação de um ser bocudo…vem o que talvez seja aparentemente mais sutil e é de quebra o mais perigoso: tendo um projeto já falo logo. E o vacilo  hábito de abrir o jogo, francamente é jogar contra.

Geralmente opto por citar casos sem declarar explicitamente os nomes (no bom sentido, não os pejorativos com aspas do outro parágrafo), lembro bem da Ayres, colega de trabalho, lanchávamos bem na esquina, soltei o verbo ultra empolgado…disse que eu faria isso, aquilo outro e aquilo assado. Ela ouviu tudo numa paz e depois: “Ok, gostei. Mas recomendo você não compartilhar tanto seus sonhos”. Tempo depois, novamente dominado pelo tesão de criar algo, pedi para outra colega me fiscalizar num projeto de uma empresa (que até saiu do papel) bem perto estava a heroína da vez, a jornalista Camila, direta como sempre, só baixou o fone de ouvido e alertou: “Ei cara, não fica falando teus projetos assim não”. O André Cran é meu último exemplo, que eu sabia o cineasta é todo rondoniense, contudo, gosta mesmo é do “método mineirim” (fazer às caladas para então entregar). Eu sei, tu sabes, todos nós sabemos… falar ou teclar sobre isso é chover no molhado. Não convém abrir o bico de forma ampla e para céu aberto nossos planos porque nem todo mundo (coloque na lista até o que estão do seu lado) liga muito para isso, se nos ouvem é por educação. E às vezes só a energia indireta é suficiente para dar aquele socão que contribui para seu objetivo tão almejado perder força ir à lona bonito.

Ponto para nós, do senso comum e conhecimento popular já estamos dominando, o golpe taí, cai quem quer, maaaaaas essa base pode nem ser o suficiente e convenhamos, um pouco de ciência (principalmente nos dias atuais) vai bem. Somos seres sociais e dizer nossas ideias para os amigos tem um tantão por cento de prazer, porém proporciona uma falsa (bem falsona, gente) sensação de alívio. Os cientistas da Universidade de Nova York lá dos Estados Unidos, após diferentes testes validaram que conforme vamos falando o que intencionamos fazer, aumenta a lacuna entre intenção e comportamento. As promessas acabam fazendo seu lindo e todo poderoso cérebro interpretar que você está perto, aí que é o perigo, que buga tudo e germina a semente da procrastinação, desistência e… game over, caíste no buraco que você mesmo cavou (se duvidar foi sem querer querendo).

Sei que você é juridicamente adulto, logo tenha bastante cuidado com aquelas memórias afetivas de trecho da música da Xuxa “Tudo que eu quiser o cara lá de cima vai me dá” ou os livros de autoajuda na adolescência (necessários na época) e seus “Basta sonhar para realizar”. Aquilo que animava e dava um gás enorme, agora são um risco danado quando levados ao pé da letra. Quem crer que sonhar e fazer são verbos proporcionais (todo o santo dia), tome tento e acorde. Não é bem assim. Isso só aumenta seu nível de #iludido para a velocidade sete do creu (contando por baixo, viu). Se você acredita que é criador da sua vida, parabéns, é por aí mesmo, entretanto tenha a decência de colocar o prefixo “co” na palavra. Boaaaa! Eis um cocriador, porque existe inúmeros fatores alheios a sua vontade por trás de cada sonho que pode dá bom ou nem tanto, abro espaço para um super especial: O cara lá de cima, GOD, vai deixar a vida e o livre arbítrio dá muito na sua cara até você dar-se conta por inteiro que nem tudo sai como queremos e no tempo que queremos. Vale a máxima: “O homem planeja e Deus ri”.

Já cheguei novíssimo na sala de aula do segundo ano ensino médio falando que em dois anos meu livro seria publicado. Ah tá, senta lá, Platão. O livro existe, mas com uma diferença de tempo que eu nem te conto. Se for rir disso, favor ria com respeito. Sonhei com uma moto de trocentas cilindradas…a tenho? Nem o cheiro. Sorte minha que fui na concessionária e toquei naquela máquina. Detalhe, a loja da minha cidade até fechou.

Bora, vigia aí, sonhe bastante e produza o suficiente que estiver ao seu alcance. Na hora de abrir o bico (tem vezes que é o jeito) seja seletivo para quem, e dose bem a quantidade. E mesmo você cumprindo tudo o que manda o figurino lembre que se o algo esperando não sair, paciência! É a experiência entrando. Estamos nesse planeta para isso, né? Aprender, não é só para satisfazer nossas vontades egóicas de alecrim dourado e bocudo ainda.

Obrigado, te espero aqui na semana que vem com novo tema nesse mesmo portal, se o Criador quiser.

Sobre o Autor

Álisson Chaves, 35, cria de Porto Velho/RO, atua na área de comunicação há 16 anos.
É graduado em Publicidade e Propaganda e autor do livro “30 Contos que Escrevi e Fiz de Tudo pra Não Te Contar”, pela editora Clube dos Autores.

Nos momentos de lazer pratica esportes e experimenta mídias fora da rotina de trabalho (vídeo minuto, literatura de cordel e outros). Bairrista quase totalmente assumido, sonha por um país sustentável, mais comprometido e, acima de tudo, livre da penca de mimos e idolatria a políticos.

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