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O PESCOÇO DA GIRAFA E OS SEGREDOS DA MEMÓRIA – Por Álisson Chaves

Já que veio, cola o olho aqui na tela, vem viajar grandão comigo na maionese, bizarrice e túnel do tempo. Posso não dar garantia, mas sua memória pode ficar melhor no final dessa leitura. Só acho. Valendo! Partiu década de noventa, quinta série…estudei com uma guria muito alta, entre 10 e 11 anos, repito: altíssima, o que era bom pra ela e melhor ainda para patrulha do bullying, que não alisava na inveja e bem menos na zoeira, bastava a colega passar pela porta da sala que o coro cantava: “Vai ralando no Pescoço da Girafa…”. Quem não tem tanto quilometro rodado na terra ou nem é novo, mas teve a sorte de esquecer a referência, vou estragar tudo e explicar: naquele ano o sucesso na rádio era a música “NA BOQUINHA DA GARRAFA”, do grupo Companhia do Pagode, que na verdade só tocava axé, a canção também foi regravada pelo Gera Samba, que depois virou a fábrica de hits, o grupo É o Tchan. Nunca foi diferente, a estudante super alta aparecia e a música acontecia: “Vai ralando no Pescoço da Girafa…é no Pescoço da Girafa!”

Muito bizarro, né? Quinta-série sendo quinta-série. Sou super grato ao bullying da menina, pois quando iniciei meu projeto de cara adulto e passei a curtir baladas, micaretas, rock underground, boates da finada “Calçada da Fama” e adjacências, onde eu ia, bastava eu sair do banheiro ou buscar o balcão das bebidas ou portaria…quem eu encontrava, sempre? Sim, a dita cuja. Só que ela nunca estava só, vinha o hit quintaseriano na cabeça de imediato. Aí eu fui bancar o nerd e passei a estudar sobre memória e vi em todos os livros que a força da sua memória é resultado (negritei) de componente emocional, concentração,  importância, associação de elementos e estímulos. “Ah, Álisson.Então essa sua memória top das galáxias e abençoada, não é de fábrica?”. Em parte é, o componente biológico não difere muito do seu, mas aqui tem treino rapaz,  te aconselho a conferir o próximo parágrafo que tem a parte prática da coisa.

PARTE PRÁTICA DA COISA: Pare de falar mal da sua memória, para de vez. Isso é feio e muito desnecessário. Arrisca pegar seu filho ou cônjuge e falar mal deles 24 horas? Tem coragem? De repente até tem, só que depois não apareça com a estupidez de querer respeito e carinho autêntico dos mesmos porque pela lei do retorno a conta não fecha nunca. Sua memória é (para ser) sua amiga, filha… Se quer ela saudável por perto, trate-a bem. É questão de estímulo, treino e (de novo) resultado. Não precisa falar bem, não a bajule, apenas cesse o condicionamento de desestimular sua memória, a não ser que você realmente queira fracassar com ela (Se for essa a questão, reagenda a terapia aí, bicho).

Seguindo o jogo, agora que você é uma pessoa EX- difamadora da sua própria memória, volta para a quinta. ‘Como assim?’ Vai, volta! Prometo que não vai doer. Use do lúdico e da bizarrice até seu pensamento não ser tão linear e funcione bem bonitinho como um mapa mental. Quase todos que me leem aqui durante a semana, são pessoas do grupo de seminovos, pós-seminovos ou clássicos (o povo da hastag novinho costuma perder a paciência após ler seis linhas) logo, você leitor, se recorda que lá no tempo do ronca (olha o termo, gente), nem fazia esforço para lembrar o número telefônico de muita gente. Família, escola e contatinho pelo menos, era certo. Claro, hoje é “impossível” uma vez que o volume de dados que somos expostos é muito maior, só que nós sabíamos e hoje temos capacidade de saber de boa por baixo uns 10 ou 15 números sem sofrimento, apenas treino. Uma dica aqui rápida é associar os elementos que você quer ou precisa lembrar a uma historinha (desconexa de preferência), no fim tudo dá mais certo que errado. Já levei lista de compras para fazer compras, depois anotei no celular, agora quando eu quero dá uma de doidão da memória já conto uma história (sem economia de ridicularidade), como essa:

“Vou no mercado, senti um cheiro estranho, era um torcedor do palmeiras [verde], aí eu corri e escorrei num líquido rosa [iogurte] aí bati de cara numa parede azul cheia de bloco [sabão em pó]. Uma guria alta sorri e me pegrunta  c[OMO] eu tava. Eu lembro da piada de quinta [dia de frutas e legumas] e ela me pergunta se aceito uma xícara de café [Walita].

Já até imagino o que você está pensando, nem vem, nem vem. Sei sim, e a resposta é não, NÃO FUMO nada e o remedinho está em dia. Essa sugestão louca de criar enredo lúdico, não é feitiçaria, não é tecnologia, nem coisa diferente ou fatura de boleto vencida. Tem muita ciência da brava e da boa nisso tudo. Falo de um ser humano que contribuiu bastante para o avanço da educação, Tony Buzan, psicólogo e escritor responsável (entre várias coisas) pela criação dos MAPAS MENTAIS, método usado por mais de 250 milhões de pessoas em todo o mundo. Com ele muita gente abandonou o “Isso aqui tá chatão, Socorro” e adotou o “Caramba, aprendi e foi divertido”.  Se não fosse as técnicas divulgadas pelo estudioso não teríamos por exemplo, o Campeonato Mundial de Memória, que ocorre desde 1991 e algumas mentes, tidas como fora de série hoje ficariam médias para baixo.

Então, pessoinha que se diverte lendo esse cara esquisito que escreve nesse portal, sua memória é boa. Não precisa falar bem dela, mas por todos os bilhões de espermatozoides que perderam para você naquela corrida desenfreada, quente e úmida: PARE DE FALAR MAL DA SUA MÉMÓRIA, depois TREINE associações e informações atribuindo alguma emoção. Aí é só esperar os inocentes com: “Nossa, queria tanto ter uma memória boa igual a sua, mas não dá. Deus não me deu, minha memória é péssima”.

Obrigado pela atenção, quando for importante e estratégico, por favor, aperte o botão do absurdo e desperte alguma emoção para gerar uma memorização útil. Faça valer a frase “A minha quinta-série saúda a quinta-série que existe em você” e não se escore tanto nas tecnologias do homem. Fechado? Dedico cada palavra dita aqui a minha musa inspiradora do dia, “PESCOÇO DE GIRAVA” (Sem maldade, sério) e ao mestre com todo carinho, ANTONNY PETER BUZAN, você nunca vai morrer na memória dos concurseiros vitoriosos, dos mestrados, atletas…do  mundo.

Sobre o Autor

Álisson Chaves, 35, cria de Porto Velho/RO, atua na área de comunicação há 16 anos.
É graduado em Publicidade e Propaganda e autor do livro “30 Contos que Escrevi e Fiz de Tudo pra Não Te Contar”, pela editora Clube dos Autores.

Nos momentos de lazer pratica esportes e experimenta mídias fora da rotina de trabalho (vídeo minuto, literatura de cordel e outros). Bairrista quase totalmente assumido, sonha por um país sustentável, mais comprometido e, acima de tudo, livre da penca de mimos e idolatria a políticos.

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