Política e Cidadania

O povo considera Temer um lixo. Não é bem assim. Será que o fim da recessão não vale uns 30 pontos positivos nas pesquisas?

Este construtor de linhas tortas e mal traçadas já disse aqui que um dos graves problemas do país foi a democratização do acesso à comunicação via celulares e internet sem a necessária e fundamental correspondência em educação. O aparelho, operado por quem até consegue “ler de carreirinha”, mas está longe de compreender a mensagem que disponibiliza, transforma-se em verdadeira arma e a vítima é sempre o próprio operador. Ou, pior, o conjunto deles. A constatação pode chocar alguns, mas nada tem de sectária ou intransigente. É apenas a realidade, despida da hipocrisia. Mas vamos lá. Se você acha o governo ruim, espere até ver o próximo.

Michel Temer não é presidente dos sonhos de ninguém, mas o que joga os péssimos índices das pesquisas perto do chão pouco tem a ver com seu governo. Afinal, quem foi que retirou a economia nacional da maior recessão da história? Não foi o PT, que o jogou nela e mesmo assim seu líder continua na frente em todas pesquisas, mesmo não sendo candidato por estar em cana. Foi, afinal, o governo Temer que finalmente reformou a anacrônica legislação trabalhista que, a pretexto de defender os empregados, tirava os empregadores, especialmente os pequenos, do mercado e extinguia postos de trabalho aos milhares. E desmontou a verdadeira república sindical aqui instalada, que beneficiava apenas os próprios sindicalistas.

O Brasil vai mal, muito mal. Mas para quem não sabe, os efeitos tenebrosos da greve dos caminhoneiros, que rompeu várias cadeias produtivas, nem se aproximam do caos em que o país estaria mergulhado com o agravamento da recessão. Se você pensa que está tudo uma droga, que faltam empregos, saúde pública, segurança, educação e transportes no país que você não quer ver, imagine como seria se os salários, dos raros cidadãos que ainda os recebessem, não dessem para comprar uma cesta básica. E pior, se faltasse até papel higiênico no mercado?

Aqui não é a Venezuela! Não é. Mas aquele país já foi muito poderoso economicamente até tempos recentes, quando os dólares do petróleo abundavam nas contas governamentais. Era tanto dinheiro que os demais setores da economia foram relegados ao esquecimento: para que produzir, se há dinheiro de sobre para comprar barato no exterior tudo o que o país precisa? – pensavam os governantes. E deu no que deu.

Este governo que você não quer ver é vítima de uma constituição claramente parlamentarista em um sistema presidencialista. E contra isso não tem jeito.  Ou o governo – atual e seguintes – cede, ou não governa. Não há como governar sem distribuir ministérios e cargos entre os partidos da chamada “base aliada”, que se reserva o direito de negociar cada votação. E, ao contrário do que acontece no parlamentarismo, não tem compromisso algum de votar com o governo. Ao presidente resta ficar adulando os parlamentares com cargos, emendas e outras benesses para aprovar seus projetos, enquanto a imprensa cai de pau.

Quanto parece encaminhada alguma solução para, por exemplo, privatizar a Eletrobrás, falida por dona Dilma Rousseff, vem um ministro do Supremo e inviabiliza o processo ao exigir que o Congresso seja consultado. Um doce para quem precisa de dinheiro para a reeleição.
Acaba de cair mais um ministro do Trabalho, denunciado por corrupção. Acho que é o terceiro em menos de um ano. O ministro é indicado pelo PTB, que acabou inviabilizando a votação da reforma da previdência quando a justiça impediu a posse da filha de Roberto Jefferson. Mas o ministério continua sob controle do PTB. Aí o ministro é denunciado por corrupção e cai. E a imprensa cai matando: “Cai mais um ministro do governo Temer por corrupção. Ninguém diz que caiu um ministro do PTB.

Pois é. Você acha que esse governo é péssimo? Espere até ver o próximo! 

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