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O Real Forte Príncipe da Beira – Por Rita Vieira

Essa é a maior construção portuguesa fora da Europa, ele é uma herança do período colônia brasileiro e marca registrada da ocupação Portuguesa do lado do território que pertenceu a Espanha atá1750, com a assinatura do Tratado de Madri. Portugal ocupou a região do atual Mato Grosso, mais especificamente, a região do vale do Guaporé por volta de 1734, quando os bandeirantes e irmão Artur e Fernando Paes Barros descobriram ouro no oeste brasileiro, nos rios Cuiabá, Coxipó e Guaporé, dando início ao grande ciclo do ouro guaporeano.

A coroa portuguesa, no início do século XVIII já estabeleceu sua administração também sobre a exploração aurífera guaporeana, o primeiro forte português da região foi o Nossa Senhora Aparecida, que anos mais tarde foi reformado e rebatizado de forte Bragança, em homenagem à dinastia real portuguesa. A localização desse primeiro forte, fez com que ele fosse tragado pelo rio Guaporé em uma enchente, anos depois.

Para substituir o forte derrubado pelo rio, o governador da Capitania do Mato grosso, que a época era Luiz Albuquerque de Melo Pereira e Cárceres, ordenou a construção de uma nova fortificação e ele mesmo escolheu a margem direita do rio Guaporé para ser a sede dessa nova fortificação. O objetivo da construção era simples: proteger militarmente a região de exploração econômica da coroa portuguesa de possíveis invasões estrangeiras, principalmente da investidas espanholas, que tinha colônias do outro lado do rio e já havia sido dona daquelas terras.

A pedra fundamental foi lançada em 1776 pelo próprio governador da capitania do Mato Grosso, a construção enfrentou muitos problemas: questões climáticas, escassez de abastecimento de material e alimentício, inclusive, não se pode afirmar qual o maior grupo de pessoas usadas como mão de obra, se foram indígenas da própria região ou negros já escravizados para a exploração de ouro.

A obra foi inaugurada parcialmente pronta em 1883, após a morte do engenheiro responsável Domingos Sambucceti (morreu de malária durante a obra), quem assumiu a responsabilidade foi o engenheiro Renato Franco. As armas de artilharia chegaram em números menores do que a metade, a porta movediça, em estilo medieval, nunca chegou, assim como o forte nunca foi utilizado para seu objetivo principal.

Vista panorâmica atual do Real Forte Príncipe da Beira – Município de Costa Marques

Quando o forte ficou pronto o ciclo do ouro guaporeano já estava chegando ao fim, a maior parte dos exploradores de ouro já tinham abandonado a região. E assim como toda a região o forte também foi esquecido, serviu como prisão para inimigos da coroa brasileira, já durante o primeiro reinado (governo de Dom Pedro I), pessoas que possivelmente morreram abandonas na fortaleza.

Foi completamente abandonado durante o segundo reinado (Governo de Dom Pedro II), sendo redescoberto apenas em 1910, com a passagem da comissão Rondon, responsável pela instalação das linhas telegráficas Mato Grosso – Amazonas, Marechal Rondon, inclusive recomendou ao presidente da república brasileira à época que tombasse o forte como patrimônio, pois era uma era colonial militar da ocupação portuguesa no oeste do Brasil. Desde a sua redescoberta o Forte está sobe cuidados o Exército Brasileiro.

Comissão Rondon – redescoberta do Real Forte Príncipe da Beira

Após a redescoberta feita por Rondon, nasceu um povoado em volta, que na década de 1980, foi elevado a categoria de município do Estado de Rondônia, Costa Marques, criado pelo governador Jorge Teixeira de Oliveira, sendo o último município no traçado da BR-49, asfalta apenas em 2012, por um programa federal e depois de muitas discussões e recomendação do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, que lutou para a preservação dos sítios arqueológicos da região. O IPHAN, em 2019, coordenou a obra de revitalização de uma parte do Forte, já deteriorada pelo tempo, luta antiga de Historiadores e Pesquisadores do patrimônio.

Obra de revitalização de parte do Real Forte Príncipe da Beira – IPHAN

 

Rita Vieira

Formada em História pela Universidade Federal de Rondônia (Unir), professora de História na Escola João Bento da Costa e Medquim Vestibulares, especialista em Segurança Pública e Direitos Humanos, além de estudiosa e pesquisadora da História Regional.

Contato: ritaclaravieira@gmail.com

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