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O relato de uma jovem com AIDs em Rondônia e dados recentes

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Em um atendimento de reclamação e denúncias de pessoas que precisam de serviços de saúde e apelam para a imprensa como último recurso de obter medicamentos ou um atendimento que nunca chega, eu conheci uma moça bem apessoada, que usava um lenço na cabeça, tinha acessórios (bijus), colares e pulseiras, tinha gestos suaves e fala pausada, seu nome era R.N.S., que procurou o veículo de comunicação que eu trabalho para solicitar uma reportagem para exigir que a rede pública fornecesse os medicamentos que ela necessitava para a terapia antirretroviral, pois era soropositiva, tinha HIV/Aids.

Em Porto Velho essa medicação é dada através de protocolo de atendimento mantido pelo Serviço de Atendimento Especializado (SAE) – cuja unidade para atendimento fica Policlínica Oswaldo Cruz -, com o suporte da Divisão de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST/DST), da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa).

Não foi necessário fazer a reportagem, com um contato telefônico na divisão foi esclarecido que houve um atraso na entrega e que no período de 24 horas seria restabelecido o fornecimento desse medicamento.

O contato com essa moça foi há mais de um ano, porém no mês em que se faz o alerta dos cuidados para que as pessoas se previnam e façam testes de prevenção para HIV, o chamado “Dezembro Vermelho”, lembrei da sua história de vida, como tivesse a obrigação de me contar ou justificar ou fato de ter contraído HIV.

Mesmo assim a deixei falar e como tantas pessoas, faltou um pouco mais de conhecimento e cuidados.

Ela se envolveu com um rapaz mais velho logo que saiu de casa e foi estudar fora, em Goiânia, sem se ater que deveria se prevenir em suas relações acabou por confiar no parceiro, que a mantinha num relacionamento conturbado.

Acabou sentindo uma mudança no corpo quando por um período começou a sentir fadiga, uma febre que ia e voltava, calafrios e passou a ter sudorese quando ia dormir.

Ao fazer o exame entrou em choque ao descobrir que havia contraído o vírus. R. disse que entrou em depressão e não soube como contar a família. Ela teve que ir ao um hospital público para obter informações de um exame mais detalhado e como poderia ser tratada.

De volta a Porto Velho, contou em primeiro lugar com a segurança dos irmãos que a incentivaram a relatar o seu problema ao resto da família. Disse que sofreu preconceito no início e deve que superar barreiras internas e psicológicas.

Fez o que devia ser feito, segue um tratamento controlado e vive muito bem, mas é necessário ter uma disciplina. Ela disse que a sua maior queixa em relação a rede publica é quando ocorrem os atrasos da entrega de medicamentos.

Com base em relatos de outros pacientes e na sua vivência, R. aprendeu que o tratamento para o HIV envolve a combinação de três categorias diferentes de medicamentos e cada uma dessas categorias envolve um número de medicamentos. São mais de 36 combinações diferentes aplicadas hoje em dia. A variedade de opções se dá pela necessidade de adequar o tratamento ao estilo de vida do paciente, por isso o controle.

Em recente matéria divulgada pela BBC Brasil, existe um relato impressionante de uma jovem que foi infectada pelo HIV na sua primeira relação, ela é da Irlanda do Norte, um dos países que fazem parte do Reino Unido. Confira AQUI.

O interessante é que nesse país, o número de mulheres que acessam serviços de apoio a quem vive com HIV ultrapassa 200. Ainda na Irlanda, um terço dos testes de anticorpos do HIV são conduzidos durante os exames pré-natais.

REGIONAL

Em Rondônia, a Agevisa, através de sua coordenadora estadual de Vigilância e Prevenção ao HIV/Aids e outras DSTs, Gilmarina Araújo, os dados mais recentes apontam uma redução dos índices de infecção por conta do “relaxamento” por parte da população com o uso do preservativo, que pode evitar não só o HIV/Aids como todas as demais infecções sexualmente transmissíveis.

Gilmarina apontou que em dados recente a redução no estado sobre casos de HIV/Aids caiu em 217 notificações a menos, sendo 872 registrados em 2018, e 655 notificados em 2019.

A faixa etária de maior incidência é de 20 a 29 anos, entre pessoas que se declaram da raça parda, do sexo masculino e com escolaridade de ensino médio completo.

O Rondoniense (Marcos Souza)

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