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Pais na beira da quadra: o quanto atrapalham

O esporte é um fenômeno que chama a atenção do indivíduo na sociedade contemporânea, e tem na escola e nos clubes seus grandes alicerces de formação. Um personagem fundamental nessa dinâmica são os pais que podem auxiliar ou prejudicar o desenvolvimento.

A realidade do tênis não é diferente, pais ingressam seus filhos e a partir daí a criança sofre toda a influência desse contexto em sua trajetória. A presença dos pais ou familiares tanto nas competições como treinamento do tênis, é de essencial importância.

Porém quando os pais interferem tentando exercer outros papéis (técnico, preparador físico, agente, entre outros) -, além do nato, que poderia centrar-se em incentivar, motivar e apontar pontos positivos.

Pode se drástico, frustrante para o atleta, e as consequências são inúmeras. Para Hanlon (1994), muitas vezes, os pais projetam seus sonhos em seus filhos, buscando suprir seus interesses próprios, ao invés de ajudar suas crianças a terem experiências alegres, seguras e de grande valor.

É claro, que seja ou não o pai um desportista, ele tende a buscar o melhor para seu filho. O problema só se deflagra, quando uma determinada conduta passa despercebida, ou seja, de forma inconsciente, tanto em relação aos pais, quanto em relação às observações dos treinadores.

Aspectos como estes, levam os pais a assumirem comportamentos que poderão representar aspectos positivos ou negativos na carreira de seus filhos. Gordillo (1992) ressalta que a influência dos pais, queira ou não, é importantíssima, e não tem porque interferir no trabalho do treinador ou ser negativa. Logo, precisamos compreender melhor essas relações e propor trabalhos de orientação e intervenção junto à família, que possa estabelecer uma relação adequada e propiciar um ambiente ótimo para o desenvolvimento da carreira esportiva do atleta.

Para Rayon (1997), ser no tênis um bom pai é uma tarefa árdua. De repente, os pais se encontram, projetados no meio do mundo do tênis com suas complexidades. O tênis já é um esporte cruel quanto à cobrança psicológica que é exercida sobre o atleta simplesmente pelos fatores casuais do jogo. Na criança e no adolescente essa cobrança pode ser muito maior.

Hellstadt (1987) aborda o comportamento e envolvimento dos pais no esporte, através da divisão de grupos, ordenada do sub envolvimento, passando para o envolvimento moderado (zona adequada) até o envolvimento excessivo, ou super envolvimento, e os classifica da seguinte forma:

Pais desinteressados: São os pais que transferem a responsabilidade de cuidar de seus filhos para o treinador. Eles inscrevem as crianças em programas esportivos, sem ao menos saber se o garoto gosta ou não daquela atividade.

Pais mal informados: São aqueles que permitem a prática esportiva de seus filhos a partir de uma primeira conversa, mas depois não se envolvem no processo de treinamento e competições. Nestes casos, não parece haver desinteresse por parte dos pais, mas uma incompreensão sobre a importância do seu papel frente a formação esportiva de seu filho.

Pais excitados: Este grupo refere-se aos pais que tendem a estar sempre colaborando como técnico. Frequentam aos treinamentos, se envolvem no processo de forma adequada. Entretanto, em jogos mais empolgantes, se excitam de forma exacerbada, dirigindo aos árbitros com frases ofensivas e acabam prejudicando todo o ambiente competitivo.

Pais fanáticos: Sem sombra de dúvidas, são os mais problemáticos. Independentemente de suas experiências no esporte, bem ou malsucedidos, eles criam um desejo comum, que seus filhos sejam os verdadeiros heróis no esporte.

Nunca estão satisfeitos com o desempenho e sempre têm sugestões para melhoria deste e acabam interferindo em todo processo de preparação, cobram muito de seus filhos a ponto de gerar grandes pressões e falta de prazer pela prática de esportes.

Os pais “técnicos”: são, na maioria das vezes, os maiores responsáveis por atletas que não conseguem confiar no trabalho do treinador ao apontar constantemente os erros, resultando em jovens com autoestima baixa e alto nível de cobrança consigo. São resistentes e contestadores que se apoiam em leituras e vivências esportivas pessoais, fazem cursos, escutam tudo e criam seu próprio método. Para esse tipo de pai, duas notícias. Uma boa e outra ruim.

A boa é que existem, sim, muitos casos de pais que administram, gerenciam e treinam seus próprios filhos. A ruim é que isso ocorre principalmente nos países europeus em que o relacionamento entre pais e filhos é menos caloroso e emotivo, e que na esmagadora maioria dos casos os “pais técnicos” já eram técnicos ou professores, antes de ter filhos.

Sendo assim, podemos sugerir aos pais de atletas de tênis, algumas dicas importantes, lembre se que antes de relação pai e atleta, a uma relação pai e filho, preze pelo bem-estar tanto sua quanto do seu filho, e não se esqueça que o aprendizado do tênis é um processo gradativo e que postergar fases de desenvolvimento do atleta pode gerar atrasos no futuro. Por fim escolha alguém capacitado a desenvolver quais sejam as funções direcionadas ao ensino e desenvolvimento do atleta.

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POR MARCOS OLIVEIRA
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