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ALERTA – Procuradoria de RO e pesquisadores da Unir discutem danos da hidrelétrica de Tabajara

Na terça-feira (4), o Ministério Público Federal (MPF) se reuniu com grupos de pesquisa dos setores de energia sustentável e de geografia da Universidade Federal de Rondônia (Unir) na sede, em Porto Velho, oportunidade em que o Ministério discutiu com os grupos as principais fragilidades do estudo de impactos ambientais da construção de uma barragem no rio Ji-Paraná – também chamado de rio Machado -, em Machadinho D’Oeste (RO) – a de Hidrelétrica Tabajara.

O MPF já havia soltado um alerta a respeito desses estudos em dezembro do ano passado avisando o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que não havia aprofundamento, mas, pelo contrário, análise superficial em vários aspectos dos eventuais danos sociais e ambientais.

Ainda assim o Ibama aceitou os estudos de impacto ambiental da Hidrelétrica Tabajara, refutando o alerta do MPF.

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Na reunião de terça-feira, o MPF e os grupos da Unir trataram das próximas medidas administrativas ou judiciais em relação aos estudos de licenciamento ambiental da Hidrelétrica Tabajara e também ações de mobilização e esclarecimento junto à comunidade que sofrerá diretamente o impacto da construção dessa usina.

Ricardo Gilson. professor e Doutor em geografia humana. relatou que as empresas responsáveis, Eletronorte e Furnas. juntamente com a empresa JGP Consultoria – essa ficando responsável pela elaboração dos estudos -, não informaram a metodologia usada para coleta e análise dos dados, o que prejudica a verificação e a confiabilidade do resultado apresentado nos estudos.

“Esses estudos concluíram que na área afetada há somente mil pessoas e que não há comunidade tradicional. Entretanto, é sabido que o Rio Machado possui tradicionalmente comunidades ribeirinhas. Há também índios isolados naquela região. Nossa análise é que os estudos precisam ser feitos de forma aprofundada, com metodologia apresentada e de forma transparente porque depois pode ser tarde e os danos podem ser irreversíveis”, disse o professor.

Já Madalena Cavalcante, professora e Doutora em geografia, acrescentou que uma das preocupações é que o empreendimento possa impactar diretamente o Parque Nacional dos Campos Amazônicos.

“É uma região muito preservada em Rondônia, única e muito rica em biodiversidade”, observou.

A procuradora da República Gisele Bleggi destacou:

“A energia elétrica gerada em Rondônia é uma das mais caras do país, mesmo com três hidrelétricas. Não precisamos de outra hidrelétrica em Rondônia. A população precisa de mais serviços públicos de qualidade para melhorar sua qualidade de vida”.

Ainda em seu posicionamento Gisele afirmou que Rondônia já possui três grandes hidrelétricas – Santo Antônio, Jirau e Samuel – e que elas já possuem um histórico em relação a provocação de impactos ambientais e sociais, que não foram poucos, mas que a população não teve melhoria de vida.

O Rondoniense (Marcos Souza – Com informações da Procuradoria da República em RO)