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Porta-aviões francês tem mais de 650 marinheiros contaminados pelo novo coronavírus

O Ministério da Defesa da França anunciou que mais de um terço da tripulação de seu porta-aviões Charles-de-Gaulle testou positivo para a Covid-19. Até agora, 668 marinheiros foram contaminados, mas o número informado nesta quinta-feira (16) pode aumentar porque os resultados de 30% dos testes efetuados ainda não foram divulgados.

 

Até o momento, mais de 20 marinheiros do Charles-de-Gaulle precisaram ser hospitalizados. Segundo relatou o capitão do porta-aviões, Eric Lavault, em entrevista à televisão francesa, o estado de saúde dos militares não é preocupante, à exceção de uma pessoa que se encontra em terapia intensiva.

O médico da Força de Ação Naval, Laurent-Melchior Martinez, afirma que nenhum caso suspeito da Covid-19 tinha sido notificado ao serviço de saúde da Marinha antes de uma escala do porta-aviões em Brest, na região noroeste da França, entre os dias 13 e 15 de março. “Eu entendo a preocupação das pessoas. Mas é preciso manter o sangue frio”, afirmou Martinez. “Queremos saber o que aconteceu, investigações estão sendo realizadas. É preciso esperar o resultado para se pronunciar”, disse a porta-voz da Prefeitura Marítima do Mediterrâneo, Christine Ribbe.

A Marinha francesa lançou uma operação sem precedentes para desembarcar e colocar em quarentena os tripulantes do porta-aviões e sua escolta, que atracou no domingo (12) na cidade de Toulon (sul), após a descoberta de possíveis casos de Covid-19 a bordo.

Origem da contaminação

A origem da contaminação no porta-aviões ainda é desconhecida e a tripulação, que estava em missão há três meses, não teve contato com nenhum elemento exterior ao porta-aviões desde a parada em Brest, durante a qual 50 pessoas subiram a bordo, segundo a Marinha.

“As Forças Armadas brincaram com nossa saúde, nossa vida”, declarou sob anonimato um dos membros da tripulação contaminado pelo coronavírus, em entrevista à rádio France Bleu. Segundo ele, o comandante do porta-aviões teria proposto interromper a missão na escala do Charles-de-Gaulle em Brest, quando muitos marinheiros já apresentavam sintomas do vírus, mas esta proposta foi recusada pelo Ministério da Defesa.

A ministra da Defesa, Florence Parly, deve participar de uma audiência por videoconferência na Assembleia Nacional na sexta-feira (17), para prestar esclarecimentos sobre o incidente aos deputados da Comissão de Defesa Nacional e das Forças Armadas.

Oficialmente, o Charles-de-Gaulle é o segundo porta-aviões no mundo a ter sua tripulação contaminada pelo coronavírus, depois do Theodore Roosevelt, dos Estados Unidos.

Por RFI