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Presidente “baixo clero”

Um leitor perguntou por que Bolsonaro insiste em investir no acessório, como pontos na carteira de motorista ou cadeirinhas para crianças. Respondi que o Brasil está repleto de bobagens que precisam ser corrigidas, ainda que não necessariamente as que ele resolveu atacar agora, como radares, cadeirinhas e multas de trânsito.

A verdade é que muitas das bobagens produzidas em série em Brasília repercutem diretamente nas costas do cidadão do país inteiro. Foi o caso da tomada de três pinos, dos quits de primeiros socorros, das sucessivas mudanças de placas, dos extintores e por aí vai.

Mas embora alguém tenha que tomar providências contra tais absurdos, como a cobrança de taxa extra para marcar assentos nos aviões, isso não é tarefa para o presidente, que tem (pelo menos deveria ter) coisas mais importantes para cuidar.

Antes que alguém diga bobagens, lembro que votei no Bolsonaro. E votaria de novo, se a opção fosse o PT ou assemelhados. Mas é forçoso admitir que Bolsonaro sempre foi do baixo clero. E barraqueiro. É como tal que raciocina. Bolsonaro saiu do baixo clero para a Presidência. Mas o baixo clero não saiu dele.

Se tivesse permanecido no Exército talvez estivesse hoje reformado como capitão, alterado como foi. E ainda residisse na casa de Bento Ribeiro, na zona norte do Rio, onde corta cabelos há pelo menos 20 anos. Como pessoa comum, provavelmente frequentasse o piscinão de Ramos e continuasse a ver os jogos do Botafogo no Engenho de Dentro (paulista, ele é palmeirense de origem, mas prefere o Fogão no Rio).

Que ninguém vá esperar dele ares de estadista, ou que discuta política internacional. Macroeconomia, nem pensar. Sempre foi contra a reforma da Previdência. Mas é que não consegue raciocinar com os indicativos sombrios de um futuro para ele muito distante. É jogador de damas, não de xadrez. É um cara simples, desses que a gente encontra nos botecos. E invariavelmente tem soluções de botequim para problemas complexos.

É na mesa do bar que parecem se espelhar as “análises” das redes sociais. Há um advogado que entulha minha caixa de mensagens do tipo: “O Brasil só vai vencer a corrupção quando prender todo o mundo” – aí inseridos o STF, o Congresso e toda a classe política. E ponto final. Quanto a lugar para guardar esse mundaréu de gente, não interessa. Da mesma forma que não preocupa a possibilidade de não restar ninguém do lado de fora, para guardar os presos. É como raciocina o presidente. Como no caso da tal indústria das multas. Josias de Souza comenta em seu blog que o presidente acaba comprometendo seus melhores quadros. Assinalou que, ao sair em sua defesa, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, disse que “O Código (de trânsito) já é antigo. Tem mais de 20 anos. Ele necessita de atualização.” Josias lembra que, o hábito de comer ovo frito também é antigo. E não há na praça ninguém sugerindo às pessoas que comecem a desfritar ovos.

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BLOG DO CHA
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