Presidente da ACEP acredita que compartilhamento de conhecimentos é o caminho do sucesso no desenvolvimento econômico. | O Rondoniense %
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Presidente da ACEP acredita que compartilhamento de conhecimentos é o caminho do sucesso no desenvolvimento econômico.

Presidente da ACEP
Cézar Zoghbi presidente da ACEP
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A palavra é compartilhar! O presidente da Associação dos Comerciários e empresários de Porto Velho – ACEP, Cezar Rafael Freitas Zoghbi, fala para o Orondoniense sobre a experiência como empreendedor e representante de uma associação que possui um ano de criação e tem grandes idealizações no ramo comercial e empresarial.

Orondoniense:  Qual o intuito na criação da ACEP?

Cezar Zoghbi : A ACEP foi criada a partir da ideia de instituir uma entidade que pudesse de fato trabalhar com a formação de comunidade, de crescimento compartilhado e riqueza. Iniciamos timidamente com 12 empresários, e hoje estamos perto dos 100 associados. A nossa ideia é promover negócios saudáveis, parcerias e riquezas, pois a verdadeira riqueza é quando todos crescem juntos em um ambiente, em uma sociedade. Isso é bom, impacta positivamente. Este é o legado da ACEP.

Orondoniense: Como a ACEP tem trabalhado no desenvolvimento desse princípio?

Cezar Zoghbi : Há muito já havia sido comentado e visto a necessidade de partimos para imersões no Vale do Silício, para conhecer os ambientes de inovação, com toda parte de tecnologia, universidades, aceleradores e investidores, trazendo essa visão para Rondônia. Em anos anteriores somente um dos nossos representantes chegou a ir, mas era necessário que fossem mais para que essa ideia, de fato, fosse disseminada. 

Orondoniense:  Cezar, conte um pouco sobre o que é o Vale do Silício e a sua importância?

Cezar Zoghbi : A Região conhecida como o Vale do Silício é uma das maiores aglomerações de empresas com domínio de tecnologia de ponta do mundo, conhecida por desenvolver modelos acessíveis de financiamento para projetos de tecnologia, o que nós aqui no Brasil chamamos de Startup Company. Para podermos ter ideia da importância do Vale do Silício, o local é o berço de empresas como Apple, Facebook, Google, NVidia, Electronic Arts, Symantec, AMD, Ebay, Yahoo!, HP, Intel e Microsoft, além da Adobe e Oracle. O Vale do Silício é considerado a Meca da Inovação, além de trabalhar com o princípio de compartilhamento de seus moldes econômicos com todo o mundo. O local está sempre se reinventando e viabilizando novas ideias.

Orondoniense:  E para Rondônia, o que isso gera de impactos positivos?

Cezar Zoghbi : Como disse, anos anteriores, somente um dos nossos diretores chegou a ir duas vezes, o Antonio Tuller, diretor de tecnologia. E partindo da concepção que ele nos trouxe, organizamo-nos e reunimos 14 representantes, entre 98 pessoas de todo o País. Fomos a maior representatividade do Brasil, fruto de uma mobilização para levar o máximo de empreendedores, empresários dos diversos seguimentos e poder entender as novidades que estão acontecendo no Vale do Silício.

Chegando lá conseguimos ver o que aquele lugar, de fato, representa. Quando falamos de tecnologia, acreditamos que essa é uma realidade distante dos diversos segmentos empresariais, mas não é! A tecnologia gera impacto em todas as áreas de serviço, podemos citar diversos exemplos, desde as áreas do agronegócio, das finanças, da comunicação; a tecnologia, hoje, está diretamente ligada a tudo através de aplicativos, inteligência artificial, conexões, marketing digital, a forma como você se relaciona com as pessoas, tudo!

E nossa ida nos impactou, pois ao retornarmos, entendemos  que agora somos responsáveis por disseminar esse conhecimento aqui na nossa região, porque um dos  propósitos de nossa ida foi adquirir novos conhecimentos, beber dele na fonte! Só que quando conquistamos esses novos conhecimentos, recaem sobre nós, também, novas responsabilidades. 

Orondoniense: Entre as experiências, qual foi a considerada, por você, a mais importante?

Cezar Zoghbi : acredito que a mais relevante de todas as experiências foi aprender que é necessário compartilhar o conhecimento adquirido. A maioria dos representantes que foram ao Vale do Silício são líderes, empresários, membros de entidades, associações e sindicatos, e chegando lá, conhecemos a Instituição de Ensino Stanford. Um local com 127 anos e uma estrutura extraordinária! No tour em um dos prédios, uma pessoa nos disse que ali dois jovens criaram uma empresa que impactou o mundo, todos nós conhecemos, ela nada mais é que a Google!

E depois fora relatado que um jovem, hoje empresário renomado, retornou à instituição com um cheque para doar, pois o norte-americano possui um comportamento social bem particular, a gratidão. Eles voltam e reinvestem no seu lugar de origem para que os novos investimentos sejam feitos e o local continue crescendo; um cheque de $100 milhões de dólares, este jovem investidor é o dono da Nike. 

Fora do ambiente de Stanford, tivemos a oportunidade de conhecer a garagem que iniciou a ideia da empresa HP. Ali, numa garagem, as pessoas criaram uma das maiores empresas de tecnologia do mundo! Uma história fantástica! Então, a gente tem que ter essa consciência de que a tecnologia está em tudo e precisamos disseminar esse conceito para o crescimento de todos.

Orondoniense: Cezar, você falou sobre um comportamento social particular estadunidense. Você acha que isso gera impacto no desenvolvimento deles?

Cezar Zoghbi:  Eu entendi, a partir do momento que fui conhecer a realidade deles, que não existe diferença entre o nosso empreendedor e o empreendedor estadunidense; como seres de capacidades de empreender somos tão bons, quanto. Com isso podemos ver a estrutura mental das pessoas, do conhecimento adquirido, e investir para que gere riqueza não somente para você, empresário, mas para todos, para uma comunidade inteira!

O que podemos dizer que há diferença é no ambiente favorável para empreender, e nesse ambiente existe um modelo econômico que é pautado pelos Estados Unidos diferente do Brasil; lá não existe a maioria das iniciativas que temos aqui, entre elas podemos destacar que lá não existe CLT, décimo terceiro, férias remuneradas e tantos outros.  O modelo econômico é dado por resultados, ou seja, a pessoa que inicia em um ambiente de trabalho é empregada para trabalhar por horas, para entregar resultados, na verdade, nenhum norte-americano entra numa startup para ser empregado, ele entra para ser dono do seu próprio negócio, a pessoa passa a trabalhar em um projeto com o objetivo de se tornar acionista da empresa, assumindo riscos e lucros junto; esse é o perfil de pessoas que investem em startup, principalmente por estarem em desenvolvimento.

Orondoniense: Sobre empreender aqui no Brasil, qual a diferença ou o que podemos aprender com os moldes que existem nos Estados Unidos?

Cezar Zoghbi: O compartilhamento de ideias e gratidão! A pessoa que guarda para si o conhecimento adquirido é uma pessoa que ainda não possui visão do crescimento de negócio, pois o conhecimento só tem valor se for compartilhado. O compartilhamento de conhecimento é o princípio de viver em sociedade, é o “sopro de vida que Deus te deu”. Lógico que, como empreendedor, devo guardar para mim inicialmente minhas estratégias de negócios, o sigilo de projetos, entretanto, é necessário compartilhar as ideias gerais, submeter a testes, a validação, e se no caminho encontrar alguém que acredite que seja mais competente que você, se una a ela, se torne sócio e cresça junto a ela. 

Adianta ser um empresário e não possuir as ferramentas, as habilidades, os recursos financeiros e ser dono somente de uma ideia, que não vai poder dar o sucesso pretendido? É preferível ter um projeto e enxergar que para alavancar uma ideia, mesmo lucrando uma parcela, é preciso compartilhar para alavancar essa concepção, crescer e gerar riquezas, senão não faz sentido guardar somente para si. 

ORondoniense: Qual sua visão de compartilhar conhecimentos? Você cria concorrência para si ou gera parcerias?

Cézar Zoghbi: Na minha visão devemos compartilhar ideias, sim! E em termos de compartilhar, ainda somos diferentes dos moldes dos Estados Unidos, que além disso há o espírito de gratidão. As pessoas crescem e não deixam seus locais de origem sem investimento para que outras pessoas possam crescer, também.

Orondoniense: Você acredita que podemos ter uma mudança de comportamento?

Cezar Zoghbi: Eu acredito que, com essa nova geração formada por pessoas que estão sempre conectadas, com pensamentos cada vez mais comuns, que possuem facilidade de ter mais de um idioma, acesso às ferramentas tecnológicas, aplicativos que geram facilidade, que eles terão uma visibilidade além das amarras que gerações anteriores tiveram através de muitas crenças; essa nova geração quebrará esses paradigmas, mas precisará de tempo. Porém, nada impede que nossa geração inicie essa mudança, e eu vejo essa mudança em mim, por isso eu posso compartilhar. Antes eu não tinha essa concepção, porém, ao longo da minha jornada, minhas experiências, investimento em cursos, treinamentos, aprendendo com meus erros e fracassos ao longo da caminhada, tornei-me uma pessoa muito melhor e com uma visão ampliada sobre a vida.

Orondoniense: Você acredita que Rondônia é um palco de grandes transformações e negócios?

Cezar Zoghbi:  No Brasil, em especial para nosso ambiente empreendedor como Rondônia, Porto Velho, eu vejo que daqui a uns cinco anos “daremos uma guinada” que será maior do que nos últimos 50, devido a esse movimento que já deu início com as startups, trabalho do SEBRAE, trabalho das faculdades locais, ideias de startups como a Tambaqui Valley que são estruturas “embrionárias” e somando com o aprendizado de uma visão do mundo dos negócios de forma diferenciada, que pensa em produzir em escala de forma mais ampla, ousada, assertiva e numa compreensão mais clara de como funciona tudo isso, que nós estamos dispostos a compartilhar através das nossas experiências adquiridas.

Orondoniense: Para finalizar, qual a posição da ACEP depois dessa imersão de conhecimento e aprendizado?

Cezar Zoghbi: A ACEP é uma associação diferenciada pelos objetivos que forma todo o corpo estrutural, trazendo pessoas para a associação, promovendo o associativismo, negócios entre si, uma forte representação jurídica e proporcionando, através de eventos como happy hours, amostras empresariais e outros, a oportunidade para novas pessoas conhecerem a associação, incentivando um ambiente de negócios saudáveis, parcerias e riquezas, pois isso é riqueza em um ambiente, em uma sociedade. Isso é bom e, com certeza, impacta positivamente. 

Estamos cumprindo esse papel na associação, ainda conforme as nossas possibilidades, conforme nosso tempo e nossas limitações, pois, somos todos empreendedores muito ocupados, entretanto, esse é o nosso legado – finalizou o Presidente da ACEP.

 

 

Em breve o vídeo sobre o evento realizado na noite do dia 22/11/2019. Abaixo, alguns dos empreendedores associados à ACEP e que fazem parte desse movimento associativo em Porto Velho:

Créditos-

Imagens: Isaque Nascimento e Antognione.

Entrevista: Gléucio Passafaro e Gabriela Medeiros.

Edição de Texto: Camy Lima

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