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Professora de Rondônia tenta mudar vidas de alunos com incentivo à continuidade dos estudos

Fotos: Frank Néry

De voz calma, semblante sereno, paciente, mas com uma dedicação exemplar, Mary Zailde Viana de Souza é uma base incentivadora na rede estadual. Atuando na disciplina de Língua Portuguesa, ela utiliza da sua profissão não apenas para levar conhecimento, mas também encorajar a prosseguir o estudo, destacando o melhor de seus alunos e levando em consideração suas capacidades e talentos, independente da situação que estejam enfrentando.

Atuando desde de 2008 no Centro Estadual de Educação de Jovens e Adultos Padre Moretti, a professora faz parte de uma família mineira que se dedicou ao magistério, razão que a fez optar pela carreira, seguindo o exemplo da mãe e irmãos. Aprovada no concurso de 1997, a professora admite gostar do que faz e relata que chegou até fazer outra graduação, mas a carreira na área da educação falou mais alto.

Trabalhando com adultos do ensino médio, ela relata que se depara com muitas mulheres e homens que deixaram seus estudos por terem sido pais muito cedo ou que começaram a trabalhar para ajudar a família, e destaca que são essas pessoas que mais precisam de estímulo para permanecer na escola.

De acordo com Mary Zailde, o desejo de incentivar alunos surgiu quando ainda morava em Minas Gerais, época que ela levava os alunos sua casa para terem aula de reforço, o que no futuro passou a fazer também em Porto Velho. No início da carreira, a professora relembra que trabalhou na Escola Estadual Brasília alfabetizando crianças, cuja turma era bem carente e foi um dos motivos que a fez continuar atuando na área para proporcionar educação de qualidade àqueles que têm pouca oportunidade.

A professora recorda de um aluno – atualmente pai de família – que costumava ter aulas de reforço com ela e, por ironia do destino, a encontrou no modular à noite. Além deste, ela relembra também de uma aluna que tentou concluir o ensino diversas vezes, mas sempre no percorrer do caminho, acontecia alguma situação que a fazia desistir. Inclusive, um dos problemas mais frequentes apontados pelos alunos é que nem todos tem dinheiro para pagar a passagem do transporte público, uma vez que moram distante da escola.

Fotos: Frank Néry

Ainda assim, durante toda a carreira, Mary sempre incentivou os alunos e afirma ter um sensibilidade para notar as pessoas que têm mais dificuldade. “Eu não uma perco oportunidade, parece que meu olhar está mais direcionado para aqueles alunos que necessitam de maior atenção e apoio”, deixando claro que também dá assistência para os alunos que tem mais facilidade. Para ela, “poder auxiliar os alunos e contribuir de uma forma para que cresçam como pessoa e profissional é prazeroso”, pontua.

A professora também comenta que procura sempre estar atenta às necessidades dos alunos, dando destaque à redação, onde alguns chegam na escola sem nunca ter escrito um texto. À vista disso, Mary passou a ensiná-los e faz correção apontando erros e acertos, bem como, coloca-se à disposição para sanar qualquer dúvida.

“Percebi um crescimento muito grande por parte dos meus alunos. Tenho alguns que tiravam apenas notas baixas e, conforme comprovado no simulado estadual, evoluíram bastante, alcançando notas altas. É muito gratificante a gente presenciar essa evolução, receber esse feedback que valeu a pena. Mas falo a eles que não podemos parar por aqui, fazendo com que busquem ainda mais a excelência”, esclarece.

Durante a pandemia, por trabalhar com muitos alunos carentes, surgiram algumas dificuldades que tiveram que ser enfrentadas e uma delas é que a maioria dos alunos não tem internet fixa em casa, ou seja, utiliza dados móveis para continuar a estudar. Por essa razão, a professora Mary procura utilizar uma metodologia diferente, com vídeos curtos quando preciso ilustrar, bem como premiar redações feitas pelos alunos.

Ao citar sobre a relação professor-aluno, Mary é muito otimista e relata que demanda levar para dentro da sala de aula palavras de ânimo, como antes da pandemia que ela sempre citava uma oração, leitura de um texto e vídeo motivacional. Além disso, a professora se autodetermina acessível e sempre disposta a atender o aluno. “A relação é muito importante, ela quebra barreiras e abre caminhos para a oportunidade”, comenta.

E isso o estudante do primeiro ano do Ensino Médio, Jonisson Lopes, confirma. De acordo com o aluno, a professora inicia com uma mensagem de motivação para sempre demonstrar que é possível. “É muito bom contar com o apoio dos professores, querendo saber sobre o bem-estar do aluno. Eu me lembro bem que chegávamos atrasados por causa da distância, não só a professora, como outros professores, sempre se mostraram compreensíveis”, destaca.

Para ser um bom professor, Mary diz ser necessário ter um olhar diferenciado com aluno. Segundo ela, o professor tem que ser um facilitador, estimular no ser humano o melhor dele, sobretudo diante da pandemia. Muitos alunos perderam familiares como pai, mãe, irmão, e entravam em contato com a professora falando que talvez não dariam continuidade.

“Quando eles me contatavam, eu dizia para ter fé e reforçava que existe uma força maior, um Deus maravilhoso, para se apegar inclusive proporcionava um tempo para se calmar e tentar resolver a situação, para assim retornar (à aula)”, destacando que desistir não era uma opção. Segundo a professora, para ser melhor no trabalho ou na sociedade, não há outro caminho para alcançar o sucesso se não for a educação.

“Por intermédio do estudo, o aluno começa a se valorizar e respeitar mais, quebra paradigmas e se supera. A felicidade e conquista está nas nossas mãos, então, ao contrário de dar ênfase às dificuldade, devemos buscar sempre a solução. O ser humano é importante, capaz e tem potencial de ir além e vencer. Pelo conhecimento, é possível evoluir como pessoa e tornar-se um agente transformador no nosso país”, relata.

O estudante Jonisson aproveitou a ocasião para deixar sua mensagem a todos os professores nesta data especial. “A todos os professores, venho parabenizar por toda dedicação empenhada, tivemos dificuldades, mas por causa deles nunca desistimos. Vou levá-los em minha memória com muita gratidão e carinho”, conclui.

Secom