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PROFESSORES – Os verdadeiros reféns do ensino no Brasil

Atualmente ser professor não é uma tarefa fácil.

Há anos que é notado que a Educação Básica está sofrendo uma deterioração no sistema; as jornadas de trabalho são longas, os recursos pedagógicos são escassos e, como se não bastasse, essa rotina, desde sempre estressante e mentalmente desgastante, se soma mais recentemente um novo elemento: alunos que recorrem à violência física ou verbal contra seus orientadores.

Outro fator que se torna cada vez mais desgastante para o sistema educacional é a não valorização e participação da família no acompanhamento escolar do aluno.

Segundo pesquisa de 2014, realizado pelo movimento Todos Pela Educação, apontou uma média de 12% de pais realmente comprometidos com a vida escolar do aluno.

Outro levantamento, este pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC – SP), a participação dos responsáveis da criança ou adolescente na vida escolar contribui não somente para o desenvolvimento escolar, mas seu desenvolvimento pessoal e social. “É preciso ter a educação como um valor familiar. Quando a criança percebe que seus pais estão em uma aliança com a escola, ela se sente muito mais protegida”, diz Heloisa Zymanski, professora e pesquisadora da PUC – SP.

Entre diversas pesquisas que focam no desenvolvimento escolar, pessoal e social do aluno, existem outras que comprovam que a participação dos pais no ambiente escolar reduz os níveis de indisciplina e de violência.

Uma pesquisa feita pela Associação Nova Escola com 5.000 educadores entre junho e julho de 2018 mostrou que 66% dos professores já precisaram se afastar do trabalho por questões de saúde, as mais comuns são psicológicas: 68% já sofreram ou sofrem de ansiedade, 63% disseram ter estresse e dores de cabeça, 39% têm insônia, 38% possuem dores nos ombros e alergias e 28% apresentam ou apresentaram quadro de depressão. Além disso, 87% acreditam o problema é ocasionado ou intensificado pelo trabalho.

Em 2019, o Brasil já ocupou o último lugar num ranking internacional que mediu a valorização do professor em 35 países.

Crianças envenenam professora, em São Paulo

Vista externa da Escola Estadual Dr. Aniz Badra, no Grajaú, na zona sul da capital
Foto: Google Maps / Reprodução

Há menos de uma semana, uma professora da Escola Estadual Dr. Aniz Badra, no Grajaú, na zona sul da capital de São Paulo, foi envenenada em sala, por alunos. Os estudantes, de 10 e 11 anos, colocaram veneno para insetos na garrafa da educadora, que se sentiu mal e foi encaminhada pela equipe da escola para um pronto-socorro da região. Ela foi medicada e recebeu alta no mesmo dia. Porém, seu caso poderia ser pior.

De acordo com a nota oficial da Secretaria Estadual de Educação, “Os responsáveis pelos alunos foram chamados e será realizada uma reunião para definir as medidas que serão adotadas aos estudantes”. Entretanto, após o ocorrido nada mais foi informado para a imprensa.

São Paulo não é um caso isolado

Foto: Revista Exame

Em Porto Velho, meados de 2010, uma professora da rede de ensino particular, passou por algo similar e, por vergonha e medo prefere não ser revelada. Por isso, usaremos somente as iniciais de seu nome A.L.B.

Ela dava aulas em uma escola particular de Língua Portuguesa e tinha diversas dificuldades de ministrar conteúdos para uma turma devido ao comportamento de um aluno que repetiu o ano mais de duas vezes, além de ter saído de outra instituição de ensino por falta de disciplina no ambiente escolar.

Certa vez, ela precisou se ausentar por alguns instantes da sala de aula e sua garrafa de água foi contaminada com laxante. A situação foi de grande constrangimento, além de se sentir indefesa e sem amparo, já que a instituição de ensino particular não a resguardou como ela esperava.

A.L.B, resolveu abandonar a sala de aula após o ocorrido, e mudou de profissão.

Aluno agride professor

O ano foi em 2018. Local, distrito de Porto Velho, Jaci- Paraná, na escola Maria de Nazaré.

O vídeo foi gravado por um dos alunos, que mostra o professor acuado, tentando e defender dos socos e empurrões, enquanto uma mulher tenta um diálogo para que o adolescente cessasse as agressões.

O caso foi considerado um Ato Infracional, ou seja, foi visto a conduta do aluno como crime ou contravenção penal, ficando sujeito às medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei 8.069/1990.

Pais agridem professora

Uma professora da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Sossego da Mamãe, de Itapuã do Oeste, que foi agredida fisicamente pela mãe de um aluno no dia 27 de março 2019.

Segundo o relato da professora, o aluno de 7 anos estava atrapalhando o andamento da aula e para evitar prejuízos ao restante da turma, solicitou que ele se retirasse. Ao chegar em casa, a criança disse aos pais que teria sido agredido pela professora em sala de aula.

No mesmo dia os pais foram até a escola para tirar satisfação com a educadora. Ao negar, o pai da criança agrediu a professora verbalmente, e incentivou a mãe a agredi-la fisicamente. A professora levou tapas e puxões de cabelo.

A mãe da criança confessou a agressão e foi condenada conforme o artigo 21 da Lei de Contravenções Penais (Decreto Lei nº 3.688/41), e diante disto, aceitou a proposta da Justiça de medida restritiva de direitos, na modalidade de prestação pecuniária no valor de R$ 150 reais a uma entidade a ser especificada pelo Judiciário.

Reflexão

Em Porto Velho, muitos professores já foram ofendidos e agredidos nas suas aulas. Brigas na saída das escolas entre alunos, incentivadas por outros colegas, são comuns e postadas nas redes sociais frequentemente.

Infelizmente, não são casos isolados ou somente em Rondônia, eles se repetem  em todo o país.

Solução?

Os casos de agressão ao educador assustam tanto quanto crescem silenciosamente dentro de sala de aula. Por isso, tramita na Câmara Federal, o Projeto de Lei 1125/19, que dispõe alterações no Estatuto da Criança e do Adolescente, com o intuito de estabelecer responsabilidades aos adolescentes estudantes, como respeitar a autoridade do professor e zelar pelo cumprimento do código de conduta da instituição de ensino em que ele estuda.

Em casos comprovados de ato de violência contra o Profissional do Ensino, tanto moral, verbal, material ou física, o adolescente deverá cumprir penalidades previstas pela pela instituição de ensino.