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Ronaldinho é favorecido com processo abreviado em escândalo no Paraguai

O Ministério Público do Paraguai concedeu na noite desta quinta-feira uma “saída processual abreviada” a Ronaldinho Gaúcho em meio ao escândalo de passaportes falsos que o mantém retido no país junto ao irmão Roberto Assis.

O promotor do caso, Federico Delfino, afirmou que o ex-jogador do Barcelona e o irmão ofereceram “dados relevantes” à investigação, motivo pelo qual “foram beneficiados com uma saída processual” que um juiz de garantias deverá confirmar ainda nesta quinta-feira.

Ronaldinho e Assis prestaram depoimento no Ministério Público durante cerca de oito horas por terem entrado com passaportes paraguaios falsos no aeroporto de Assunção, na quarta-feira.

Os dois foram então para o Resort Yacht y Golf Club Paraguayo, na cidade de Lambaré, vizinha a Assunção, onde passaram a primeira noite sob custódia policial.

Os irmãos estão no Paraguai para a apresentação de um projeto de caridade para crianças paraguaias que usaria a imagem de Ronaldinho, que também lançaria um livro. Esses eventos, que deveriam ter ocorrido nesta quinta-feira, foram suspensos após o escândalo.

O promotor encarregado explicou que ambos foram beneficiados pela figura penal do “critério de oportunidade” após a “admissão dos fatos pelo mesmo”, e esclareceu que será o juiz de garantias quem decidirá sobre a decisão do Ministério Público, assim como a “reparação social” que Ronaldinho e seu irmão devem fazer em troca.

“Podemos pedir uma saída alternativa sem qualquer acusação e levando em conta que estas pessoas foram surpreendidas, por assim dizer, de sua boa-fé por terem documentos paraguaios apócrifos de conteúdo falso”, argumentou.

Delfino destacou que as informações fornecidas pelos irmãos na audiência “estão sendo úteis para poder desmantelar esta quadrilha dedicada à produção de documentos com conteúdo falso”.

Antes de Ronaldinho e seu irmão aparecerem, Delfino disse à imprensa que estavam diante de um uso criminoso de documentos públicos autênticos, mas com conteúdo falso, com expectativas de uma pena de até cinco anos de prisão mais uma multa.

Segundo a investigação, os passaportes tinham sido emitidos em janeiro em nome de duas outras pessoas e depois adulterados para que estivessem em nome dos dois irmãos.

Duas mulheres foram presas nesta quinta-feira como as pessoas que supostamente tramitaram esses passaportes e foram acusadas de “abuso de identidade e associação criminosa”, disse o promotor.

O brasileiro Wilmondes Sousa Lira, que também está detido em Assunção e foi identificado como a pessoa que forneceu os passaportes a Ronaldinho, foi acusado de solicitar a prisão preventiva sob as mesmas acusações atribuídas aos irmãos, além de associação criminosa, segundo Delfino.

“Estamos trabalhando para identificar outras pessoas, funcionários públicos, assim como indivíduos particulares que podem ser acusados”, ressaltou.

A fundação que contratou Ronaldinho Gáucho para apoiar um programa de caridade para crianças garantiu nesta quinta-feira que não tinha qualquer ligação com o escândalo, embora reconhecesse que o contatou através de Wilmondes Sousa Lira.

Por – EFE