Blog da Mara | Opinião e Notícia

Jornalista desde 1989. Trabalhou nos jornais Estadão do Norte, O Guaporé e Diário da Amazônia.  Cobriu eleições para a Agência Estado. Trabalhou no Governo de Rondônia por quase 20 anos. Foi assessora parlamentar durante 12 anos no Congresso Nacional. É graduada pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), com especialização em Ciências Políticas pela Unilegis, Universidade do Legislativo Brasileiro.   Entre em contato. Email maraparaguassu1@gmail.com    
Amazônia

Rondon não ganhou o Nobel da Paz porque era mestiço, diz autor de biografia

O jornalista americano Larry Rohter, quase expulso do Brasil, mergulhou na vida do marechal por 5 anos.

Entrevistado pelo programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite de segunda-feira, 24, o escritor e jornalista americano Larry Rohter, autor de Rondon: Uma Biografia (584 páginas, editoria Companhia das Letras), acredita que o marechal Cândido Mariano da Silva Rondon não ganhou o prêmio Nobel da Paz, para o qual foi indicado por duas vezes, porque era mestiço.

Para ele, que levou cinco anos fazendo pesquisas sobre “o personagem extremamente complexo” que foi Rondon, havia preconceito, tanto que o prêmio Nobel somente foi concedido a alguém com o perfil étnico similar ao de Rondon em 1992, quando fez aniversário de 500 anos da chegada de Cristovão Colombo às Américas.

O marechal Cândido Mariano da Silva Rondon tinha descendência indígena (Bororo, Terena e Guaná), europeia e africana.

“O cientista Albert Einstein o indicou para o Nobel da Paz em 1925. Ele esteve no Brasil, e passou bom tempo com Roquete Pinto (que detinha acervo de filmes das expedições de Rondon), viu os filmes e ficou extremamente admirado com a missão pacifista e tudo mais que Rondon desenvolveu”, declarou Larry Rohter.

“Que coisa inusitada! Um general pacifista!”, teria declarado o cientista, que por carta indicou o marechal.

Rondon foi preterido ao Nobel da Paz em nova indicação, em 1957. “Lá no evento sequer foi mencionado o seu trabalho indigenista, e a missão diplomática na fronteira do Peru e Colombia”, disse o jornalista.

O jornalista e escritor disse que o Estado Novo tratava Rondon como “símbolo de brasilidade, algo típico do Brasil no campo teórico, mas na prática é mais complicado”, e que o explorador, cientista, militar e indigenista sofreu por ser mestiço.    

Larry Rohter quase foi expulso do Brasil, a partir de uma represália do governo Lula. O ex-presidente não gostou de ter sido mencionado por preferência à bebida alcoólica em matéria do americano.

Apaixonado pelo Brasil, o autor de Rondon disse aos entrevistadores da  bancada do Roda Viva, entre eles Marcos Terena – outro admirador de Rondon – que por toda pesquisa feita, que incluiu acesso a diários do marechal e de outros integrantes de sua expedição ao oeste para instalação das linhas telegráficas, ele acredita no idealismo e sinceridade de Rondon.

“Quis mostrar um homem de carne e osso, e tudo, ao longo da pesquisa, o caráter de Rondon só crescia. Ele sonhava com um mundo de igualdades, que todos vivessem em harmonia”, disse, mas no final de tudo sabia que tinha perdido a batalha.

“Apesar das leis, viu que os indígenas seriam sempre massacrados. Então já dizia para deixa-los em paz, e não promover sua integração, como sempre tentou”, disse.

O jornalista americano disse que no começo das pesquisas sobre Rondon ficou intimidado, “pensei se não era ousadia de um gringo” tratar de um personagem tão brasileiro, mas as portas se abriram. “Sempre fui bem recebido, todos tiveram boa vontade comigo, e fico muito agradecido”, disse.

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