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Rondônia está acima da média nacional de feminicídios

Nesta quinta-feira (05), dados da Secretaria de Segurança Pública de Rondônia (Sesdec), informou que o número de feminicídios no estado caiu 12,5%, em 2019. Entretanto, um segundo levantamento realizado e apresentado na noite desta sexta feira (06),  pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), rebatem estes números.

Segundo a Sesdec, o número de feminicídios, em 2018, foram oito casos. Em 2019, esse número caiu para 7.

O Conselho Nacional de Justiça rebateu estes dados: Segundo o levantamento do CNJ, os casos de violência contra a mulher subiram em 2019. Foram 9,55% casos a mais do que no ano de 2018. Já os casos de feminicídios (mortes de mulheres) aumentaram 5%, em 2019.

Rondônia ficou entre os estados que mais ocorreram feminicídios, considerado muito acima da média. O estado que teve o maior percentual foi Mato Grosso do Sul com 6,9%, seguido de Mato Grosso com 6,7% e Rondônia 5,7%.

As Secretarias de Segurança Pública de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul se pronunciaram sobre os casos.

A Secretaria de Segurança Pública de Rondônia preferiu analisar os dados antes de se manifestar.

Em todo o Brasil, foram quase duas mil mulheres assassinadas.

Um final triste na luta das mulheres

Um dos casos de feminicídio mais marcantes de 2019 foi o caso da professora Joselita Felix, de 47 anos, morta pelo ex-companheiro no dia 17 de março de 2019.

Joselita foi morta a pauladas em uma manhã de domingo na casa de seu pai, localizada na rua 21 de Abril, bairro União, em Candeias do Jamari. Ela foi morta pelo ex-companheiro que invadiu a casa e cometeu o crime por não aceitar o fim do relacionamento. A professora que tinha pedido protetiva de segurança, chegou a saiu de sua casa por medo de seu ex-companheiro e indo morar na casa de seu pai.

Ueliton Aparecido da Silva, ex-companheiro de Joselita, foi condenado inicialmente há 35 anos de prisão, entretanto, após dois meses, a justiça resolver diminuir a pena para 34 anos e dois meses.

Este ainda é o caso que mais revolta e emociona diversas mulheres no estado.

Dados do CNJ

Um levantamento do Conselho Nacional de Justiça mostrou um aumento expressivo das medidas para proteger mulheres brasileiras ameaçadas de agressões.

Todo dia, a “ronda Maria da Penha” passa na casa de uma vítima de violência em São Paulo. Uma mulher que não quis se identificar conseguiu a proteção depois de denunciar as agressões do ex-marido.

“Quando eu vi meus filhos envolvidos, a sequela que estava trazendo para o menor, que é nosso filho em comum, que tinha cinco anos na época, eu falei: ‘ou eu tomo atitude ou não vai morrer só eu. Vai morrer uma família’. Eu fui buscar esta ajuda, foram concedidas as medidas protetivas”, contou.

Em todo o Brasil, as mulheres vítimas de violência podem pedir na Justiça uma medida protetiva contra o agressor. É ela que garante uma série de ações para proteger as vítimas. O número de medidas tem aumentado em todo país, de acordo com dados inéditos do Conselho Nacional de Justiça.

“Isso, para mim, é um bom dado, significa que as mulheres estão cada dia mais vindo às delegacias, procurando os órgãos públicos, defensoria, o Ministério Púbico, o Judiciário, enfim. Elas estão delatando as agressões e isso é importante”, explicou Maria Cristiana Ziouva, conselheira do CNJ.

Em 2019, o número de medidas protetivas aumentou 20% em comparação com 2018; e 62% se comparado com 2016, quando o CNJ passou a fazer o levantamento, depois que a lei do feminicídio foi aprovada. Ela determinou penas mais duras e inafiançáveis para os homicídios praticados contra as mulheres em casos de violência doméstica, familiar ou menosprezo à condição do sexo feminino. O feminicídio passou a ser considerado crime hediondo.

Os números mostram que os casos novos de violência contra as mulheres também subiram em 2019: 9,55% em relação a 2018. Já os feminicídios aumentaram quase 5% no mesmo período.

Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rondônia tiveram o maior número de casos novos de feminicídios por cem mil mulheres, muito acima da média nacional. Quase duas mil mulheres foram assassinadas em 2019 no Brasil.

A mulher que denunciou o marido várias vezes diz que as medidas protetivas foram fundamentais.

“Todo esse aparato que a Justiça nos oferece, que a polícia nos oferece, nós nos sentimos mais amparadas. Só depois que você supera tudo isso e passa, você vê realmente a força que a gente tem para superar tudo isso. Então, o pontapé inicial é a vítima quem tem que dar, mas tem amparo. Foi esse amparo que me ajudou”, afirmou.

A Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso afirmou que trabalha para reduzir o feminicídio, que implementou a Câmara temática de defesa da mulher, e que o serviço “Patrulha Maria da Penha” ajuda a evitar a reincidência do crime.

O governo de Mato Grosso do Sul declarou que o estado é o primeiro a ter um plano de combate ao feminicídio, e que trabalha com outros poderes e a sociedade civil na prevenção, conscientização e desconstrução do pensamento machista que ainda permeia a sociedade.

A Secretaria de Segurança Pública de Rondônia preferiu analisar os dados antes de se manifestar.

*Informações do Jornal Nacional