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Sobreviventes de massacre em Oslo alertam sobre expansão de extremismo no mundo

Há uma década, movido pela ideologia da ultradireita, Anders Breivik explodia um carro-bomba em Oslo, capital da Noruega, e matava 69 jovens na Ilha de Utoya. Sobreviventes falam ao Correio e alertam sobre a expansão do radicalismo no planeta

CorreioBraziliense

Dez anos depois do massacre que chocou a Noruega e o mundo, a ameaça representada por fanáticos da extrema-direita segue viva. O advogado ugandense Sam Muyizzi, hoje com 42 anos, ficou de frente com a morte naquele 22 de julho de 2011, na Ilha de Utoya, 40km a noroeste de Oslo. “Até hoje, os rostos daqueles jovens perseguem minha memória. Vi pelo menos 15 deles serem assassinados. Ainda fico em choque com as lembranças daqueles garotos baleados, mortos dentro da água, com sangue por toda a parte”, relata. O norueguês Vegard G. Wennesland, 37, conseguiu se esconder em uma construção, enquanto o militante de extrema-direita Anders Behring Breivik descarregava a pistola Glock e o rifle automático, aleatoriamente, contra os cerca de 700 estudantes, os organizadores e os convidados do acampamento de verão da juventude do Partido Trabalhista. “Tive sorte. Fui resgatado pela polícia, mas vi vários amigos tombarem a apenas 50m de mim”, disse. Sobreviventes e um especialista em extremismo de direita falaram ao Correio sobre o perigo representado pelo fanatismo político e pelo ódio.

Antes de desembarcar na ilha, disfarçado de policial, Breivik enviou um manifesto para 1.002 e-mails de políticos e jornalistas da Noruega, e explodiu um carro-bomba diante de prédios do governo, no centro da capital. Oito pessoas morreram no atentado em Oslo, e 69, em Utoya — a maioria das vítimas era de estudantes de 14 a 18 anos. A georgiana Natia Chkhetiani, 33, se lembra que, naquele 22 de julho chuvoso, acompanhava a visita do ex-premiê Gro Harlem Brundtland a Utoya. “Depois de sabermos da explosão em Oslo, pediram que telefonássemos para casa e avisássemos nossos pais que estávamos em segurança. Depois de fazer isso, fui ao banheiro e, quando retornei, vi que minha amiga Tamta Liparteliani não estava mais ali. Enquanto eu procurava por ela, me deparei com adolescentes correndo em diferentes direções. Pude escutar um barulho ao fundo, mas não sabia do que se tratava”, conta Natia. “Comecei a correr e a me esconder, sem saber o que acontecia. No caminho, encontrei muitas pessoas feridas e corpos. Foi aí que entendi que algo horrível estava ocorrendo.”

De forma pausada e ofegante, ela relata que, 90 minutos depois, soube que a compatriota e amiga Tamta tinha sido assassinada. “Ela foi uma das últimas vítimas do terrorista. Dez anos se passaram e o que mais me amedronta é ver a ascensão do extremismo de direita na Noruega, na Europa e ao redor do mundo”, desabafa Natia. “É um poder perigoso, que deveria ser combatido com mais inclusão, mais diálogo e mais compreensão dos motivos pelos quais as pessoas aplaudem os valores que esses extremistas defendem.” Para ela, cabe aos membros das comunidades locais visitar os vizinhos e fazer tudo o que estiver ao alcance para que eles se sintam excluídos. “A segregação é a força motriz rumo ao extremismo”, adverte. Natia enviou uma foto, tirada em Utoya, em que aparece sorridente ao lado de Tamta.

Então secretário-geral do partido Democratas Jovens de Uganda (UYD), Sam Muyzzi estava em Utoya a convite do Partido Trabalhista da Noruega para participar de seminários e discussões sobre política internacional. “O que mais me chocou foi o pânico no olhar das pessoas. Quando fugi para a mata, me escondi em uma gruta,. Peguei o celular e vi que não havia rede. Ninguém sabia onde eu estava. Vi Breivik de perto. Ele veio e disse para que confiássemos nele, que era da polícia. Os garotos começaram a sair de seus esconderijos e foram executados.”

CorreioBraziliense

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