Economia

STATUS: EM UM RELACIONAMENTO SÉRIO COM AS DÍVIDAS – Por Bianca Lopes

SÉRIE: PROBLEMAS FINANCEIROS DOS BRASILEIROS

Alguns relacionamentos levam você para algo melhor e fazem bem a sua alma. Outros puxam para baixo, te levam para uma situação de dificuldades que afetam todas as áreas da vida. Assim acontece com as nossas finanças pessoais que, como você deve saber, quando não conduzimos esse “relacionamento” adequadamente além de prejudicar o nosso bolso, também prejudica nossa família, nosso trabalho, nossa produtividade, nossa saúde e nos leva para uma realidade de inúmeros transtornos e desequilíbrios. Por isso, a proposta é falar sobre o endividamento que aterroriza grande parte dos brasileiros atualmente.

O equilíbrio financeiro (que seria o relacionamento saudável) é uma relação neutra ou positiva entre o dinheiro que entra e que sai. Não precisa ter matemática avançada ou técnica em finanças. É viver conforme as suas possibilidades. É ter uma situação econômica tranquila, sem sustos, com uma boa reserva e que permita realizar seus sonhos de consumo. Por outro lado, o desequilíbrio financeiro causa desnutrição financeira, perda de reservas, DÍVIDAS, estresse emocional, problemas no trabalho (e até perda de amizades), problemas familiares e muitas vezes perda do emprego.

Você conhece alguém que nunca atende uma ligação porque evita ser cobrado por causa de uma dívida? Ou que quando atende diz ser outra pessoa? Ou quando alguém da família atende a ligação manda dizer que não está em casa? Que evita ir a certos lugares onde está inadimplente? Que não atende quando toca a campainha ou quando alguém bate palmas na porta da residência? Que era o melhor amigo (a) de fulano(a)  mas que nem se cumprimentam mais? Que muda o lugar de passagem corredor para não ser encontrado pelo cobrador da dívida? Esses são alguns exemplos comportamentais de pessoas endividadas que presenciei em um período da minha vida trabalhando no setor de financiamentos e cobranças em uma concessionária de motos. Pessoas que assumem compromissos financeiros insustentáveis e acabam criando uma relação estressante e problemática com as dívidas (e com pessoas) não conseguindo se libertar delas

O que fazer para acabar com esse estado de endividamento de uma vez por todas? Quer sair das dívidas e não sabe como fazer isso? Eu sugiro você pensar primeiro no motivo que te torna uma pessoa sempre tão endividada. O que te leva a criar dívidas fora da sua capacidade para pagá-las?

Se o motivo do desequilíbrio financeiro que ocasionou o endividamento foi uma situação inesperada como um evento imprevisto e de alto impacto que tirou suas finanças do rumo, sugiro que você faça um levantamento das suas despesas, identifique aquelas que você pode cortar ou diminuir o valor e destinar essa “economia” para se organizar e voltar para a situação de equilíbrio que existia antes do evento.  Planeje seu orçamento priorizando o pagamento dessas dívidas, quitando-as e retirando seu nome das restrições comerciais e bancárias.

Porém, se você está endividado porque mantém um estilo de vida economicamente insustentável além das suas possibilidades financeiras e entra em desequilíbrio usando todos os limites do cartão de crédito, cheque especial, crédito ao consumidor e outras modalidades de financiamento é sinal de que você é descontrolado financeiramente e não tem comportamentos responsáveis sobre suas finanças. Pessoas assim, na maioria das vezes, fazem gastos não planejados, gastam mais do que ganham, consomem em excesso, muitas vezes, de forma desnecessária e, na maioria das vezes, nem conseguem identificar para onde está indo o dinheiro que ganham.

Essa sua relação eterna com as dívidas não é culpa dos limites de créditos disponíveis a você. O seu cartão de crédito, seus limites especiais, suas disponibilidades para tomar empréstimos (consignados) não obrigam você a realizar gastos, isto tem mais a ver com seu imediatismo em comprar algo aqui e agora – eu mereço – e não conseguir esperar um pouco mais para adquiri-lo, viver o presente, o curto prazo e ver o longo prazo como algo para a eternidade e com isso não planejar uma reserva ou uma aposentadoria; também tem aquelas pessoas que desdenham do assunto: “não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe”. Desenvolvem uma fobia financeira, pessoas que tem medo de olhar o extrato bancário para não ver o “estrago” e continuarem consumindo sem ter consciência de sua realidade financeira e constantemente extrapolá-las. Ainda tem aquelas que acham que preocupar-se com dinheiro é coisa de pobre, mas que provavelmente deve encontrar-se em situação pior. Tem aqueles que também acham que o assunto ‘finanças’ é muito complicado e preferem não entender do assunto.

Seja qual for o motivo que leva você a manter esse comportamento desestruturado em relação as suas finanças, saiba que nem tudo está perdido! Por mais difícil que seja a situação, você pode contorná-la. A partir do momento que você se conscientiza que essa é uma área problemática em sua vida, mas que existem soluções para ela, passa a ser sua responsabilidade adquirir conhecimento para solucioná-la definitivamente.

TOME UMA ATITUDE para sair dessa situação e alcançar o equilíbrio financeiro desejado. Siga pelo caminho do planejamento, ajuste  seus gastos  e desenvolva o autocontrole. 

Economista. Consultora na área de finanças, negócios e relações governamentais. Aluna de pós-graduação em Educação Financeira pelo Instituto DSOP, pós-graduada em MBA Finanças, Controladoria e Auditoria pela FGV e graduada em Economia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Siga Bianca no Instagram: @biancalopeseconomista

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Via
O Rondoniense
Fonte
Bianca Lopes, Economista
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