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Tecnologia da Informação – As Lições das Eleições Municipais – Por Edmilson da Silva

Nas últimas décadas os humanos vêm comemorando o avanço da tecnologia, sobretudo na área de informação. É plausível, já que houve ganhos extraordinários na ciência, saúde, educação e em diversas outras áreas que usam a tecnologia para desenvolver suas atividades. Mas tudo tem um preço. A rede mundial de comunicação nos tornou habitantes de um mundo sem fronteiras, conectados instantaneamente e simultaneamente com qualquer pessoa, em qualquer lugar do planeta, ou quiça, fora dele. Em contrapartida, nos tornamos refém e passamos a ter a nossa vida totalmente controlada. Nos tornamos dependentes e até mesmo aqueles que resistem em aderir as novas tecnologias, direta ou indiretamente não conseguem evitar a sua utilização. Assim como nós, as instituições públicas ou privadas também passam pelo mesmo problema e por serem mais atraentes aos piratas da internet, precisam estar o tempo todo alertas e protegidas contra a ação de invasores. Os ataques recentes a instituição publicas ligadas a Justiça, no entanto, tem demonstrado outra vertente dessa guerra cibernética. A guerra política.

Depois da tentativa de ataque sofrida pelo TSE no primeiro turno das eleições, rapidamente se levantou nas redes sociais um debate acerca da segurança do processo eleitoral brasileiro. A questão central é o modelo de votação, hoje eletrônico, que não permite a impressão dos votos. Embora seja razoável o questionamento, a hipótese de fraude a partir da alteração do sistema de captação de votos é improvável. Não questiono a possibilidade de programação das urnas para uma escrutinação direcionada, até porque sou absolutamente leigo no que se refere a sistemas lógicos de informática, mas trabalhei muito tempo em eleição e posso, pelo menos, levantar hipóteses acerca do assunto.

No inicio dos trabalhos na Seção Eleitoral, o Presidente chama os fiscais dos partidos para acompanhar a impressão do primeiro boletim do dia. Nele, não deve aparecer nenhum voto, daí o seu nome: ZERÉSIMA. Ao final da votação, do mesmo modo, o Presidente chama os fiscais de partidos presentes para acompanhar a impressão dos boletins com a contagem dos votos. Até aí, nada que possa garantir absoluta segurança ao processo. No entanto, os votos eletrônicos, são gravados em uma mídia que é recolhida por servidores do TRE local e a urna é novamente lacrada. A urna, não tem nenhum tipo de comunicação com os sistemas do TRE ou TSE. Portanto, a fraude na transmissão de dados diretamente da urna para os computadores do TRE, em tese, não tem como existir. Assim, para alterar o resultado das urnas, seria necessário alterar todas ou uma parte significativa de urnas, suficiente para alterar o resultado normal do pleito. Ou seja, teria que mobilizar uma quantidade muito grande de pessoas para alterar o resultado de uma eleição o que não parece razoável. Há uma outra possibilidade. Os dados serem alterados na transmissão entre TRE’s e TSE’s. Na tentativa de invasão do TSE, segundo as investigações, o objetivo era acessar, apagar os dados, apenas para mostrar a vulnerabilidade do sistema. Não sei se nessa etapa seria possível manipular os resultados. Talvez sim. Mas, ainda que os dados sejam violados, os dados originais continuam preservados nas mídias gravadas em cada TRE.

Apesar dessa segunda possibilidade, e certamente há outras, é a primeira o grande X da questão. Foi dela que grupos de ativistas políticos se articularam para propagarem a importância do voto impresso e colocar em dúvida a lisura do processo eletrônico. A suspeita de que grupos articulados teriam tentado invadir os sistemas do TRF levanta também a suspeita de que objetivo era mostrar a vulnerabilidade desse sistema e assim estimular o descrédito da população no processo eleitoral eletrônico.

Pelo visto, estamos diante de mais um exercício de classe passado pelo professor Trump. Só para lembrar, a lisura do sistema eleitoral americano também foi colocada em xeque, com a diferença de que o voto lá é ainda registrado em cédulas. Com o sucesso alcançado com a lição anterior das fake news, os discípulos brasileiros se preparam para a prova final, daqui a dois anos, ensaiando o discurso de fraude nas eleições, utilizando como laboratório, as eleições municipais.

Hoje, ao final da apuração célere dos votos no segundo turno, o TSE comemorou o resultado das eleições e a ausência de qualquer suspeita de fraudes. Com isso, o discurso do voto impresso perde força, juntamente com outras ações que trazem risco para o processo democrático, como as notícias falsas e o vínculo político religioso. Denota-se dai, certa frustração da turma da negação com o resultado das eleições indicando a necessidade de mudança de estratégia e quem sabe, de mentor. Como os afagos recentes entre Bolsonaro e Putin, torcemos muito para que as novas lições de como se perpetuar no poder não venham da Rússia.

José Edmilson da Silva é Engenheiro Agrônomo, Bacharel em Direito, Professor e Servidor Público Federal

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