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Thank You America – Por Edmilson da Silva

Os últimos dias foram de imensa expectativa para o mundo inteiro. A Nação mais importante da terra, seja para o bem ou para o mal, escolheu aquele que decidirá nos próximos quatro anos o destino político dos americanos e, ainda que indiretamente, de boa parte dos habitantes do Planeta. É bom que se diga, que do ponto de vista geopolítico provavelmente mude muito pouco. Os EUA vão continuar gerindo as decisões importantes de dezenas de nações submissas, sempre com o objetivo de preservar os seus interesses políticos econômicos. Então, quais as lições essa eleição pode trazer para o mundo e, em especial, para nós brasileiros?

O crescimento do extremismo de direita nos últimos anos tem assustado o mundo. Vários episódios provocados por simpatizantes dessa corrente política, em diversas partes do mundo soaram o alerta. A Alemanha é um dos países onde mais ocorreram esses episódios, segundo o site da BBC NEWS, “De janeiro a agosto de 2019, o governo alemão contabilizou 12.493 delitos “politicamente motivados” pela extrema direita, dos quais 542 foram crimes violentos.” Apesar dos números vultosos, esse fatos chamam pouco a atenção aqui no Brasil. O mesmo não se pode dizer, quando os episódios acontecem nos EUA, dada a nossa condição de subordinação política, econômica e cultural aos americanos. Vide o caso George Floyd. Dai serem importantes para nós, todas as mudanças, sobretudo política, que ocorrem naquelas bandas.

O crescimento do movimento de extrema direita nos EUA repercutiu fortemente na política e culminou com a eleição de um Presidente de sentimentos imperialistas e super egocêntrico, que despreza aqueles que entende serem inferiores por não se enquadrarem aos padrões de raça, cor, etnias e condição social por ele defendido, ao passo em que coopta adeptos com ideais nacionalistas e de valores morais absolutamente conservadores.

Esse sentimento contaminou outras nações, entre elas o Brasil, que se apresentou como estratégico, dada a sua importante posição política de grande destaque na America Latina. Assim como nos Estados Unidos, o Brasil também fez uma escolha semelhante que pra muitos se mostra a cada dia mais equivocada. Com o mote “O Brasil acima de tudo, Deus acima de Todos”, o Presidente atual foi eleito com um discurso alinhado com um pensamento avesso ao comunismo/socialismo, voltado a defesa de valores morais conservadores, a redução do papel social do Estado além de um discurso agressivo que defende o uso da violência como meio de defesa e reestruturação social. “Bandido bom é bandido morto”. Após eleito, amplia ainda mais o radicalismo tentando destruir valores construídos ao longo de décadas de luta e de trabalho árduo da ciência, cultura e política social, por meio de decisões autoritárias e por vezes antidemocrática e muito alinhada com o mesmo pensamento e comportamento boçal do Presidente americano. Uma espécie de cópia pirata.

O discurso de unificação do povo americano, do presidente eleito Joe Biden, traz a esperança de que os ventos da democracia plena soprem em nossa direção e nos conduza a um processo de mudança que permita a retomada do diálogo amistoso como critério de escolha dos nossos governantes. Já que estamos sempre reproduzindo o modelo americano, que possamos aproveitar para aprender o que eles têm de melhor para nos ensinar. A defesa incondicional do Estado democrático.

José Edmilson da Silva é Engenheiro Agrônomo, Bacharel em Direito, Professor e Servidor Público Federal