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TRECOS DO TROCO QUE OS HOMENS NÃO CONTAM – Por Álisson Chaves

Na minha cidade, leia-se a capital de Rondônia, quando chega a hora de você receber “coisa pouca” do restante da sua compra em uma rede de supermercado, o caixa tende a perguntar se você quer doar esse “miúdo” para uma instituição pelo sistema da casa. É legal, geralmente gostamos mesmo de colocar uma boa ação na conta do dia. Agora, quem quiser auditar isso vai ficar na vontade, pois é só na terça-feira depois do Fantástico. Pelo que se vê,  não tem a menor chance. Você recebe sim o comprovante da doação e tem acesso a logo da entidade beneficiada e depois é vida que segue.

Não posso falar desse supermercado especificamente, mas falo com propriedade de outro que já trabalhei por um bom tempo e foi o pioneiro pelas bandas de cá com o serviço de alinhar o troco somado com a solidariedade do cliente. Na época se arrecadava um bocado de grana, a equipe de gestão explicou que uma parte ficava na casa, claro. Motivo: o sistema deles, né? Mas isso o caixa não diz e jamais dirá, porque não foi instruído a fazer isso. Por exemplo, seus 53 centavos não chegam exatamente 53 centavos como você acreditou e estava no comprovante. A casa nunca perde, ela te vendeu a mercadoria, entregou o produto que você pagou, aí ficou um resíduo, você doou para uma instituição uma parte disso e ninguém na Terra disse a tal parte que é uma parte. Truco!!!

O caminho aqui não é criar a cultura do boicote aos centavos solidários nos pegue-pagues da vida, não. É apenas informar da meia verdade desses programas. Eles nasceram para resolver um problema eterno de todo o mercado: entregar o troco DO CLIENTE. É algo bem difícil de resolver…por anos desde a taberna do “Seu Alguma Coisa” até a gigante do varejo, tudo se resolvia na base da bala. Eles empurravam mesmo. Com o tempo já veio com mais carinho, passaram a perguntar “Aceita balinha como troco, Senhor ?” e o “agrado” sempre foi no diminutivo, creio que não pela “seduzência” da caixa ou da taberna do “Seu Alguma Coisa”, mas porque eram aqueles trecos que grudavam no dente e lá ficavam com sabor mega hiper artificial de fruta. Era ruim demais para gente. Então para ficar bom veio a tecnologia e sua “coisa pouca” – que o mercado tem devolver ao invés da balinha (porque ela pode ser considerada prática abusiva) – virou opção de doação. Daí resolveu o problema do mercado, depois resolveu o problema do mercado, depois resolveu o problema do mercado novamente, aí resolveu um tanto uma questão social, e em parte resolveu o problema do consumidor.

Sugiro que você doe sempre, por você acreditar que isso é útil e pelo seu bem estar. Seja em dinheiro, serviço ou ato voluntário. Doe diretamente às instituições oficializadas que graças a Deus tem bastante (e bem sérias) em nosso país. E se tratando dessa questão solidária lá direto no Caixa do mercado, continue por inteiro doando o valor, só saiba que pela tendência (ou lógica) pode não ir 100% para instituição. E tá tudo bem, desde que fique tudo claro entre as partes. Mas essa transparência nunca foi padrão em solos tupiniquins, o que é uma pena, pois meu troco é pouco, é quase nada, mas seja o quanto for doado, prefiro aplicado certo, tudo combinadinho, pra não sair caro para ninguém e nem eu ficar com cara de tacho.

Sobre o Autor

Álisson Chaves, 35, cria de Porto Velho/RO, atua na área de comunicação há 16 anos.
É graduado em Publicidade e Propaganda e autor do livro “30 Contos que Escrevi e Fiz de Tudo pra Não Te Contar”, pela editora Clube dos Autores.

Nos momentos de lazer pratica esportes e experimenta mídias fora da rotina de trabalho (vídeo minuto, literatura de cordel e outros). Bairrista quase totalmente assumido, sonha por um país sustentável, mais comprometido e, acima de tudo, livre da penca de mimos e idolatria a políticos.

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